Como construir uma reputação na China
- 18 Maio 2012

As empresas portuguesas devem envolver-se em iniciativas locais, promover a sua marca e o País e aproveitar as vantagens do relacionamento histórico entre as duas nações para entrarem na China e promoverem a sua reputação, disse ao Briefing Richard Tsang fundador e presidente da Strategic Public Relation Group (SPRG), principal consultora de comunicação em Hong Kong.
Tsang esteve em Lisboa a convite da Inforpress para participar numa sessão especial na AESE intitulada "Como entrar na Ásia com o apoio da Comunicação Empresarial". O presidente da SPRG diz que a imagem de baixos salários e as más condições de trabalho que o Ocidente ainda tem da região já não corresponde à realidade.
Briefing | Quais são os principais desafios na área da reputação para empresas e instituições que querem fazer negócios na Ásia?
Richard Tsang | Para as empresas do Ocidente que querem fazer negócios na Ásia, eu acredito que os principais desafios reputação são: 1) os consumidores locais podem não estar familiarizados com a marca, embora ela possa existir há muitos anos; 2) sem o conhecimento da história das marcas, a forma de fazer comunicação pode dificultar o caminho para criar rapidamente uma reputação no mercado local; 3), por vezes, os consumidores asiáticos podem conhecer uma marca mas não a associam ao país de origem, e cada país ocidental é percebido de maneira diferente na região, tornando-se difícil mudar essas perceções.
Briefing | Os baixos salários e más condições de trabalho são algumas das ideias que os cidadãos ocidentais têm dos países asiáticos. Isso é um problema para a reputação da Ásia?
RT | Discordo dessa afirmação. A maioria dos países asiáticos já tem um regime de salário mínimos e a proteção do trabalho e o bem-estar têm melhorado significativamente. Em muitos lugares descobrir talentos é uma questão importante para as indústrias e empresas e por isso têm de melhorar o ambiente de trabalho para reter e atrair funcionários. Admito que pode haver algumas exceções mas a tendência principal é melhores salários e melhores condições de trabalho.
Briefing | Quais são seus conselhos para uma empresa portuguesa que queira fazer negócios com a China?
RT | Os meus conselhos são os seguintes: 1) construir uma reputação com base no envolvimento em iniciativas das comunidades locais que apresentem a empresa como um bom exemplo de responsabilidade social; 2) promover para os seus mercados-alvo não apenas a marca e a empresa mas também o País. Aproveitar as vantagens do relacionamento histórico entre Portugal e a China; 3) analisar cuidadosamente os mercados (cidades, províncias) onde se pretende entrar pois a China é um país muito grande e as pessoas pensam e agem de forma diferente de região para região
Briefing | Japão, China e Singapura são países asiáticos mas com diferentes sistemas económicos. Todos eles terão um papel num mundo que está a ser moldado pela Ásia ou a China é que será a grande referência da região?
RT | Eu diria que todos têm o seu papel a desempenhar mas a China, sendo um dos maiores países do mundo e um dos mais importantes em termos económicos, terá uma maior influência que outras nações da região. Por outro lado, a China representa um grande mercado de consumidores para o mundo que ninguém, sozinho, terá capacidade de fornecer.
Fonte: Briefing
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