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“Apagão” Publicitário da TVE irá beneficiar os canais privados? PDF Imprimir e-mail
29-Dez-2009
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O canal público espanhol deixa de emitir anúncios a partir de 1 de Janeiro de 2010, enquanto que os canais privados e as telecoms passam a compensar a perda da receita publicitária. A medida entra em vigor num momento de crise da indústria televisiva espanhola, cuja facturação caiu cerca de 40% nos primeiros quatro meses de 2009, segundo o jornal El País. Na opinião de José Pedro Dias Pinheiro, CEO do Grupo M, a fatia de 500 milhões de euros de investimento publicitário que era absorvida pela TVE, “não será, no entanto, canalizada para as televisões privadas” que poderiam desta forma compensar a perda percentual de receitas. A publicidade na televisão pública espanhola tem vindo a ser reduzida gradualmente e, até agora “os privados não têm beneficiado”, explica.

“Libertar espaço publicitário num canal, só é benéfico se o espaço estiver esgotado e, consequentemente, isso fizer subir o preço do espaço publicitário”, acrescenta o CEO. Neste momento, Portugal “tem o espaço publicitário esgotado”, no entanto, “o país não está em condições para assumir o serviço de dívida da RTP” e, consequentemente, na conjuntura actual, “este debate não vai ser revisitado”. Segundo o actual acordo de reestruturação da RTP, celebrado em 2003 entre o estado e a estação pública, as receitas de publicidade estão integralmente afectas ao pagamento da dívida.

No início de 2008, Luís Filipe Menezes, então Presidente do PSD, reiterou a proposta do seu partido de retirar a publicidade à RTP, como "politicamente sustentada e economicamente viável". Enquanto Pinto Balsemão afirmou estar “disposto a estudar a possibilidade" da SIC compensar um eventual desaparecimento de publicidade na RTP, a TVI afastou a hipótese de pagar uma taxa para o serviço público de televisão. Em 2009 a eliminação da publicidade não foi contemplada em nenhum dos programas de governo dos partidos políticos.

O fim dos anúncios na televisão pública espanhola foi decretado pela nova Lei do Financiamento da RTVE do governo de Zapatero e aprovado no passado de dia 1 de Setembro. A partir do primeiro dia de 2010 a estação deixa de emitir anúncios comerciais. As excepções são as peças de auto-promoção, publicidade institucional, campanhas de cariz social e anúncios relativos a compromissos desportivos assumidos pelo canal. O novo modelo de financiamento prevê que os canais privados, operadores de “Pay TV”, e operadoras de telecomunicações, passem a financiar RTVE com uma percentagem das suas receitas anuais, de 0,9%, 1,5% e 3%, respectivamente. Este é o mesmo modelo que Sarkozy fará vigorar em França a partir de Dezembro de 2011.

CK

Fonte: Briefing
 
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