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Conselho de redação do JN aprova decisão do diretor de não publicar crónica PDF Imprimir e-mail
06-Fev-2010

Lisboa, 05 fev (Lusa) - O conselho de redação do Jornal de Notícias apoiou a decisão do diretor de não publicar a crónica de Mário Crespo, na qual o jornalista faz acusações ao Governo, e repudiou todas as referências a censura.

“Todos os membros [do conselho de redação] eleitos presentes manifestaram concordância com a opção tomada pela direção, ao confrontar Mário Crespo com as dúvidas que a publicação do artigo em causa suscitava e, depois, ao não publicá-lo, em harmonia com o que terá sido a vontade expressa do autor”, refere em comunicado hoje aprovado.

No documento, os membros eleitos (o conselho de redação inclui o diretor, mas este é membro por inerência) sublinham que “este procedimento não configura qualquer ação de censura”, rejeitando “todas as referências que, desde a passada segunda-feira, deram a entender que o trabalho dos jornalistas do JN poderá ser condicionado diretamente por agentes externos, políticos, económicos ou empresariais”.

Para este órgão de representação dos jornalistas daquele título, o texto em causa “obedecia a um conceito que (…) não corresponde à prática corrente em Portugal, designadamente no Jornal de Notícias: fazer de um espaço de opinião pessoal veículo para notícias em primeira-mão, como seria, no caso, a alegada perseguição movida ao autor por altas figuras do Estado”.

Como “o jornal não estava em condições de verificar e escrutinar em tempo útil a informação veiculada pelo artigo”, a publicação da crónica poderia provocar um processo judicial ou cível contra o diretor ou, pelo menos, ser acusado de falta de ética.

O conselho de redação defende ainda que o dever do JN de noticiar todo “o ‘alarme social’ desencadeado por esse assunto” suscita dúvidas e “deverá ser motivo de reflexão”.

O artigo de Mário Crespo, que não saiu na sua habitual coluna à segunda-feira no JN mas foi publicado no site do Instituto Sá Carneiro, acusa membros do Governo de terem falado depreciativamente sobre ele classificando-o como um problema, durante um almoço realizado em Lisboa.

O caso já levou a Entidade Reguladora para a Comunicação Social a abrir um processo de investigação.

PMC.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Fim

 

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