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Lisboa, 05 fev (Lusa) - O conselho de redação do Jornal de Notícias
apoiou a decisão do diretor de não publicar a crónica de Mário Crespo,
na qual o jornalista faz acusações ao Governo, e repudiou todas as
referências a censura.
“Todos os membros [do conselho de redação]
eleitos presentes manifestaram concordância com a opção tomada pela
direção, ao confrontar Mário Crespo com as dúvidas que a publicação do
artigo em causa suscitava e, depois, ao não publicá-lo, em harmonia com o
que terá sido a vontade expressa do autor”, refere em comunicado hoje
aprovado.
No documento, os membros eleitos (o conselho de redação
inclui o diretor, mas este é membro por inerência) sublinham que “este
procedimento não configura qualquer ação de censura”, rejeitando “todas
as referências que, desde a passada segunda-feira, deram a entender que o
trabalho dos jornalistas do JN poderá ser condicionado diretamente por
agentes externos, políticos, económicos ou empresariais”.
Para
este órgão de representação dos jornalistas daquele título, o texto em
causa “obedecia a um conceito que (…) não corresponde à prática corrente
em Portugal, designadamente no Jornal de Notícias: fazer de um espaço
de opinião pessoal veículo para notícias em primeira-mão, como seria, no
caso, a alegada perseguição movida ao autor por altas figuras do
Estado”.
Como “o jornal não estava em condições de verificar e
escrutinar em tempo útil a informação veiculada pelo artigo”, a
publicação da crónica poderia provocar um processo judicial ou cível
contra o diretor ou, pelo menos, ser acusado de falta de ética.
O
conselho de redação defende ainda que o dever do JN de noticiar todo “o
‘alarme social’ desencadeado por esse assunto” suscita dúvidas e “deverá
ser motivo de reflexão”.
O artigo de Mário Crespo, que não saiu
na sua habitual coluna à segunda-feira no JN mas foi publicado no site
do Instituto Sá Carneiro, acusa membros do Governo de terem falado
depreciativamente sobre ele classificando-o como um problema, durante um
almoço realizado em Lisboa.
O caso já levou a Entidade
Reguladora para a Comunicação Social a abrir um processo de
investigação.
PMC.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do
novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim
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