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Vila Viçosa, Évora, 06 jan (Lusa) - O primeiro-ministro, José
Sócrates, considerou hoje "absolutamente lamentável" o que apelidou de
"jornalismo de buraco de fechadura", baseado em "escutas telefónicas e
conversas privadas" sem relevância criminal.
Questionado sobre as
notícias dos últimos dias que o acusam de ingerência no caso TVI e de,
alegadamente, querer condicionar o Presidente da República, Sócrates
recusou contribuir para "essa infâmia".
"Eu não contribuo para
essa infâmia, nem para a degradação da nossa vida pública, baseando-se
essas acusações e essas notícias em escutas telefónicas", disse, à
margem da cerimónia de adjudicação de contratos das redes de nova
geração, em Vila Viçosa.
Na edição de sexta-feira, o semanário Sol
transcreve extratos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso
Face Oculta em que este considera haver "indícios muito fortes da
existência de um plano", envolvendo o primeiro-ministro, José Sócrates,
para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes
e José Eduardo Moniz. Do despacho constam transcrições de escutas
telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo
Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da
PT.
O assunto é hoje retomado pelo Correio da Manhã, que, com base
nos mesmos extratos, diz em manchete "Conspiração ataca presidente", e
escreve que "Primeiro-ministro tinha plano para condicionar atuação de
Cavaco Silva".
"Eu acho absolutamente lamentável esse jornalismo,
que se pode classificar como jornalismo de buraco de fechadura, baseado
em escutas telefónicas e em conversas telefónicas que, não tendo
relevância criminal, devem ser privadas", frisou o primeiro-ministro.
"Ainda
por cima, era o que faltava que eu me pusesse agora na posição comentar
conversas privadas de outros. Não o faço", sublinhou, considerando que
tal atitude "indecorosa e desprezível".
Na sexta-feira, o ministro
dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, questionado sobre esta
matérias, apenas tinha dito que "o Governo não tem naturalmente que dar
explicações em matérias em relação às quais não tem nada que lhe pese na
consciência".
O processo Face Oculta investiga alegados casos de
corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector
empresarial do Estado e empresas privadas.
No âmbito deste
processo, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara,
ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu as
funções, José Penedos, presidente da REN - Redes Elétricas Nacionais,
suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos, advogado
da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA.
Esta é a empresa que está no centro da investigação e o seu
proprietário, Manuel Godinho, é o único dos 18 arguidos do processo que
está em prisão preventiva.
RRL/SMA.
Lusa/fim
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