|
Lisboa, 09 Fev (Lusa) - O mercado de ligeiros de passageiros
encerrou o ano de 2009 com 161 mil unidades comercializadas, uma quebra
de 24,6 por cento em relação ao ano anterior, revelou hoje a Associação
Automóvel de Portugal (ACAP).
Os principais resultados das vendas
e da produção do sector automóvel em Portugal no ano anterior e as
previsões para 2010 foram apresentadas esta manhã pelo presidente da
ACAP, José Ramos, que apontou esta quebra como sendo "o valor mais
baixo dos últimos 22 anos", tal como a Lusa já tinha noticiado.
A
crise económica e a elevada fiscalidade automóvel são, segundo o
presidente da ACAP, "os grandes responsáveis pela forte contração do
mercado automóvel nos últimos anos".
No entanto, "as vendas em
2009 teriam sido ainda mais baixas se não estivesse em vigor o programa
de incentivos ao abate proposto pelo Governo", mas que foi suspenso em
31 de dezembro último.
A este propósito, a ACAP assume-se
totalmente contra a decisão do Executivo, uma vez que "ao decidir
alterar o limite máximo de emissões de CO2 de 140 gramas por quilómetro
para 130 gramas por quilómetros coloca fora do plano de abate 26 por
cento do mercado, ou seja, 478 automóveis ligeiros de passageiros".
De
acordo com o Orçamento do Estado para 2010, há um incentivo de mil
euros para veículos com idade entre os dez e os 14 anos, e de 1250
euros para os que tenham idade igual ou superior a 15 anos, ficando
assim de fora os veículos que tenham entre oito e 12 anos ou com idade
igual ou superior a 13, cujo incentivo para abate era em 2009 de 1250 e
1500 euros, respetivamente.
"Não nos podemos esquecer que este
programa foi responsável por mais de 25 por cento das vendas de
ligeiros de passageiros em 2009, e à semelhança do que ocorreu num
grande número de Estados membros da União Europeia, permitiu que o
mercado não se afundasse numa crise de proporções inimagináveis", disse
José Ramos.
Assim, "não pode a ACAP deixar de manifestar a sua
discordância com a redução do limite de CO2 dos veículos novos a
adquirir no âmbito deste programa, proposto no novo OE", acrescentou.
No
entender do responsável da ACAP, "este tem sido o único estímulo à
economia aplicado ao setor automóvel, pelo que esta proposta de redução
irá penalizar ainda mais o sector".
SMS.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim
|