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Lisboa, 09 fev (Lusa) - Bruxelas recebeu quatro queixas sobre
eventuais concertações de preços em Portugal entre gasolineiras, a
última no ano passado feita pelos transportadores de mercadorias
(ANTRAM), disse hoje a Autoridade da Concorrência (AdC).
"Foram
apresentadas quatro queixas em Bruxelas sobre o mercado de combustíveis
líquidos, uma em 2004 que foi arquivada, duas de um revendedor que
foram encaminhadas para a Autoridade da Concorrência [nacional] e uma
quarta, apresentada em 2009, que está a ser analisada por Bruxelas",
afirmou o presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Manuel
Sebastião, num encontro com jornalistas.
As queixas apresentada
em 2004, e já arquivada por Bruxelas, assim como a que foi entregue no
ano passado e que continua em análise por Bruxelas, foram apresentadas
pela ANTRAN - Associação Nacional de Transportadores Públicos
Rodoviários de Mercadorias, segundo Manuel Sebastião.
O
presidente da AdC, baseando-se num documento preparado pela autoridade
para uma audição hoje à tarde na Comissão Parlamentar dos Assuntos
Económicos, Inovação e Energia, sobre os preços da gasolina e gasóleo,
mostrou que os preços dos combustíveis refletem, em cerca de 90 por
cento, os preços internacionais das gasolinas e gasóleos e a carga
fiscal nacional (ISP e IVA).
"A diferença de preços entre
Portugal e Espanha é só por causa dos impostos", afirmou Manuel
Sebastião, adiantando que o diferencial entre os dois países era 0,43
cêntimos por litro na gasolina e de 1,51 cêntimos por litro no gasóleo
no quatro trimestre de 2009, ou seja menos de um cêntimo.
Na
gasolina, o preço médio de venda ao público (já com imposto) no quatro
trimestre do ano passado era de 1,063 euros por litro em Espanha e de
1,280 euros em Portugal, uma diferencial que se explica pelas
diferenças no imposto aplicado aos produtos petrolíferos em cada um dos
países.
Uma análise aos preços praticados pelas quatro
operadoras petrolíferas a operar em Portugal - CEPSA, BP, Repsol e Galp
- entre dezembro de 2006 e outubro do ano passado, revela que um
paralelismo de comportamentos e preços.
Manuel Sebastião nega a
existência de um cartel ou acordo entre empresas: "Não é possível
inferir qualquer comportamento ilícito. Os preços são diferentes entre
os operadores mas as margens são muito pequenas, por isso as diferenças
não podiam ser muito diferentes", afirmou Manuel Sebastião.
VP
***Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico ***
Lusa/fim
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