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“Dei um rosto à TV Globo e isso transformou-se em audiências”

segunda, 15 outubro 2012 12:19

"Dei um rosto à TV Globo e isso transformou-se em audiências"

“Duvido que a TV Globo se tivesse tornado o que se tornou se não tivesse uma imagem forte”. É assim que Hans Donner, o designer que criou a imagem da TV Globo e da SIC, resume, em entrevista ao Briefing, o poder de um logotipo. Vinte anos depois de ter desenhado as três letras do canal de Pinto Balsemão, regressa a Lisboa para uma exposição e uma palestra.



A mostra estará patente, a partir de amanhã, precisamente nas instalações da TV Globo, a estação cuja imagem criou e que, não tem dúvidas, a ajudou a torna-se líder de audiências: “Duvido que a TV Globo se tivesse tornado o que se tornou se não tivesse uma imagem forte. Tornou-se na marca mais famosa e conhecida entre 100 ou 200 milhões de pessoas. Uma revista francesa identificou a imagem da TV Globo como a mais sofisticada do mundo da televisão. A TV Globo tinha um corpo, mas não tinha um rosto. Eu transformei o corpo e dei-lhe um rosto. E isso transformou-se em audiências”.

O seu traço está patente em muitos programas de sucesso da Globo: Viva o Gordo,  TV Xuxa, Fantástico, Sai de Baixo, Minha Nada Mole Vida… a lista é imensa e a ela se juntam telenovelas como Tieta, Rainha da Sucata, Mulheres de Areia, Roque Santeiro, Vale Tudo.

São imagens que chegam também a Portugal, através, nomeadamente, da SIC. Mas o que o tornou mais conhecido do público português foi o logotipo daquele que foi a primeira estação privada portuguesa. Já lá vão 20 anos. Desse processo lembra-se que procurou criar através das três letras da SIC uma imagem que envolvesse, que abraçasse. A marca original teve evoluções, nas quais não participou. O mesmo não se pode dizer da imagem da TV Globo, cuja atualização tem em mãos: “A imagem da Globo determinou o padrão de qualidade da Globo e isso não pode parar”.

Significa isso que um logotipo tem prazo de validade? “Tudo tem prazo de validade – responde: “Eu sou o único designer do mundo que jamais vai parar. Por exemplo, a marca Globo já está com prazo de validade. Já tenho de a refazer, embora a última revisão tenha sido há quatro anos. Tenho sempre que estar a fazer um processo de evolução. Como qualquer carro espetacular que hoje pensamos ser o futuro, daqui a três anos é velho”.

Hans Donner não tem dúvidas de que a imagem é determinante para o sucesso. Mas, qual é a receita? Quais os ingredientes para chegar à “tal” imagem? “Os logotipos, tanto da televisão como de todos os produtos, procuram sempre, através do seu grafismo, representar sínteses. Eu tento resumir, sintetizar através de formas, das cores, de uma maneira gráfica, o que vem a ser o produto final. Tudo tem a ver com simplificação. Esse é o desafio. Mas é muito importante para mim usar os efeitos e a linguagem técnica em função da criação, e não o contrário”.

Os logotipos estão longe de representar a obra de Hans Donner: é autor de objetos vários, como móveis e relógios, de que o Timension é o expoente máximo, na medida em que passou a ser um gadget' disponível para computadores da Microsoft e para o iPhone da Apple.
Qualquer que seja a criação, Hans diz inspirar-se no que o rodeia: “Eu sou uma pessoa muito atenta, guardo todas as impressões visuais, da natureza, das viagens, de tudo; para mais tarde ir buscar, como se fosse um arquivo”. Convidado a sintetizar o seu processo criativo, responde: “O meu processo é viver intensamente”.

Fonte: Briefing

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