Briefing

Início > Criatividade > O que levou Hugo Moura para Frankfurt? Um não de Tóquio…

O que levou Hugo Moura para Frankfurt? Um não de Tóquio…

segunda, 09 janeiro 2017 13:18

Foi uma resposta negativa por parte da Ogilvy Tóquio que levou Hugo Moura a sair de Portugal e a levar a sua criatividade... para a Alemanha. A missão? Estudar as raízes do design antes de se aventurar no mercado asiático. Agora diretor criativo da Leo Burnett Frankfurt, o português perceciona o trabalho dos criativos como uma forma de elevar o poder das marcas. No seu caso pessoal, a Fiat, a Samsung ou a McDonald's.

Uma expressão de si mesmo. É assim que Hugo Moura define a sua própria criatividade, que começou a despertar quando fez a primeira viagem de autocarro até à Suíça, com apenas sete anos. E que despertou também aquele que considera ser o segredo para o desenvolvimento do seu lado criativo: "O poder da observação do que estava lá fora e o que tínhamos cá dentro ou o poder de viajar e conhecer o mundo para lá das terras de D. Afonso Henriques desde tenra idade". Depois de anos a pintar e desenhar, ganhando adoração pelo cheiro das tintas e telas, seguiu-se o curso de Design de Comunicação na Universidade do Algarve. Instituição onde o atual diretor criativo da Leo Burnett Frankfurt descobriu o seu caminho artístico.


"Nos meus últimos anos como estudante acabei por ciar uma afiliação com a simplicidade e plasticidade do design japonês. Este 'bichinho' foi crescendo e levou-me, mais tarde, a sair de Portugal", conta Hugo Moura. O percurso no mercado de trabalho iniciou-se na YDreams, agência onde o trabalho, diversão, tecnologia e uma nova forma de pensar levaram o criativo "a ver que comunicação clássica tinha de evoluir", para continuar a cativá-lo a ele e àqueles que pretendia "deslumbrar". Por terras lusas seguiu-se uma passagem pela Wiz Interactive. O momento em que o "bichinho" pelo design japonês saltou para fora. "Querer conhecer mais levou-me a enviar currículos e portefólios para múltiplas agências em Tóquio, muitas delas sem resposta ou com respostas negativas", refere. E foi exatamente um dos nãos que o levou a mudar o foco do mercado asiático, para o alemão.


Martin Bryski, na altura diretor criativo da Ogilvy Tóquio, explicou a Hugo Moura que, naquele momento, a agência só estava interessada em contratar criativos japoneses e que, caso o português continuasse interessado no mercado asiático, Singapura ou Hong Kong seriam boas opções. E aconselhou-o antes a aprender as raízes do design em países como a Alemanha e, depois, exportar esse conhecimento para a Ásia. "Este [e-mail] levou-me para Berlim, capital das artes, design, fotografia e liberdade de expressão plástica. A primeira paragem foi uma pequena agência de design: Pulk Berlin. Com um espírito de família, mas clientes como adidas, Bosch, Motor FM, entre outros". Seguiram-se passagens pela Heimat Berlin e pela Jung Von Matt, onde ganhou o primeiro pitch, os primeiros prémios e criou a primeira campanha a nível europeu – "I am Nikon".


Só depois destas experiências é que Hugo Moura entrou pelas portas da Leo Burnett. Influenciado por um dos seus ídolos, Chacho Puebla, que, na altura, era diretor criativo da agência em Lisboa. "O mais engraçado de tudo talvez seja a 'ironia do destino', mas o que me fez mudar de agência foi o que estava a acontecer em Portugal, mais precisamente na Leo Burnett", conta. Um espaço que, na ótica do diretor criativo, está mais ligado às pessoas e ao "espírito de humankind". Ali trabalha com marcas como a Fiat, Goodyear, Dunlop, Samsung e McDonald's, fazendo voos diários entre os escritórios de Berlim, Frankfurt e Munique.

Este artigo pode ser lido na íntegra na edição impressa da Briefing.

 

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 


Considerações Legais     © 2016 briefing     Ficha Técnica  Estatuto Editorial