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O mercado está cheio de piadas fáceis. A crítica de Joah nos cinco anos da Nylon

terça, 29 novembro 2016 13:20   Joah Santos, fundador e diretor criativo da Nylon

O mercado está cheio de piadas fáceis. A crítica de Joah nos cinco anos da NylonTrazer a primeira conta global para Portugal. Esta é a ambição para 2017 de Joah Santos, fundador e diretor criativo da Nylon. Nos cinco anos da agência, assegura, em entrevista, que se fosse hoje voltava a apostar em Portugal.

Onde tem crescido, apesar de uma forma de pensar que, diz, vai contra um mercado cheio de trocadilhos e piadas fáceis.

Briefing | O potencial criativo que viu em Portugal confirma-se? Se fosse hoje, teria criado a Nylon?

Joah Santos | Existe algo tão típico em Portugal, como comer sardinhas no verão. Estou a falar da capacidade de "desenrascar". Esta capacidade não é mais do que a criatividade a tomar forma. Conseguir criar algo, muitas vezes em condições adversas. Muitos de nós até podemos não nos aperceber disto, já que nos é tão natural, mas a verdade é que esta capacidade é única e exclusivamente uma característica portuguesa. Se fosse hoje voltava a fundar a Nylon porque a minha função não é mais do que agarrar neste processo de construir ligações únicas e simplesmente aplica-lo ao mundo da publicidade.

 

Briefing | Em 2011, apresentou-se como uma agência integrada. Continua a ser essa a filosofia?

JS | O nosso principal objetivo é conseguir resultados financeiros para os nossos clientes, e para isso precisamos de entrar no seu mundo e no universo do seu target. Seja uma paragem de autocarro, seja um post de Facebook, para nós não importa. O principal é ter uma mensagem igual em todos os canais de comunicação da marca e, por isso, podemos dizer que seremos sempre uma agência integrada.

 

Briefing | Disse então que a Nylon não vinha para criar por criar ou para criar para ganhar prémios. Mantém-se este pressuposto?

JS | Sim e não. Algumas das nossas duplas criativas vieram de um mundo de artes e/ou literatura. Nós utilizamos essa mesma arte ou literatura para criar e comunicar mensagens que julgamos que vão ter impacto. No entanto, para o nosso departamento de estratégia e de gestão de projetos, o retorno financeiro que os nossos clientes conseguem para si é o mais importante. Ou seja, se para as nossas duplas criativas os prémios são o mais importante, e a forma de terem reconhecimento no meio, para a restante agência o mais importante são os resultados. Assim, é um pouco dos dois mundos e, por isso, mais recentemente temos concorrido a alguns prémios do mundo criativo. Confesso que não entramos em todos, nem o queremos fazer, mas temos ficado muito surpreendidos com a quantidade que temos ganho.

 

Briefing | Precisamente: os prémios e os reconhecimentos internacionais (em sites da especialidade) acontecem. O que significam? O que dizem esses prémios da criatividade by Nylon?

JS | Na minha opinião, a criatividade em Portugal continua a ter potencial para atrair grandes marcas internacionais. Os prémios internacionais que a Nylon e outras agências ganham são apenas o primeiro passo para que tal aconteça.

 

Briefing | Criar campanhas para aumentar as vendas era a premissa. A eficácia tem sido conseguida? Qual a prova dos nove?

JS | Todos os clientes que utilizaram o nosso processo completo têm conseguido resultados extremamente positivos. Havana Club: 300% de aumento de quota de mercado; Super Bock Stout: 12% de aumento de quota de mercado após alguns períodos de quebra acentuada; Super Bock Original: 11% de aumento de quota de mercado após alguns períodos de quebra acentuada; Hugo Boss: 50% de aumenta de vendas em loja. Entre algumas outras marcas. Qualquer um destes resultados foi conseguido após um ano de trabalho conjunto entre cliente e agência.

 

Briefing | O que vale mais para uma agência? Criar campanhas de que toda a gente se lembre ou conseguir the best value for the money para os clientes?

JS | Essa é uma pergunta traiçoeira. Interessante, mas traiçoeira. Para a Nylon, o mais importante é construir marcas que se tornem relevantes para as pessoas. Mesmo após todos os estudos, todas as análises de mercado, no final do dia tudo se resume a algo tão humano quanto isto: as marcas têm de se tornar importantes no mundo das pessoas. E a verdade é que as marcas que não o consigam vão tornar-se "commodities".

 

Briefing | Estamos quase no final de 2016. Em termos de resultados, qual o balanço do ano?

JS | Vamos terminar o ano de 2016 com um aumento de 80% em relação ao último ano, o que não deixa de ser um resultado muito positivo. A verdade é que passamos por alguns momentos complicados, mas temos, neste momento, uma equipa extremamente motivada e empenhada, e que acredita realmente na nossa diferenciação enquanto agência. E isto é o mais importante.

 

Briefing | A agência tem crescido, nomeadamente em clientes?

JS | Temos conseguidos projetos muito interessantes: Planura, Restart, Super Bock e alguns clientes fora de Portugal. Estamos também a trabalhar com três/quatro marcas desde outubro/novembro mas não podemos comentar quais são, pelo menos para já.

 

Briefing | Tem sido fácil (sobre)viver num mercado que muitos consideram ter agências a mais?

JS | Não, mas não por ter muitas agências. Tem sido difícil sobretudo pela nossa forma de pensar. Temos conversado com dois CMO que regressaram recentemente a Portugal depois de muito tempo fora e os dois comentaram o mesmo: este mercado está cheio de trocadilhos e piadas fáceis. São jogos de palavras com uma mensagem vazia. Esta frustração que ambos revelaram é a mesma que temos na Nylon – estas técnicas raramente têm impacto, mas o mercado está cheio delas.

 

Briefing | O que podemos esperar da Nylon em 2017?

JS | Trabalhar algumas marcas que ninguém espera que sejam trabalhadas, como por exemplo uma marca que tem 150 anos e que vamos tentar que seja falada em todo o mundo. Garantir que as marcas são eficazes, não apenas eficientes, e tentar trazer a primeira conta global para Portugal.

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Modificado em terça, 06 dezembro 2016 11:54


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