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Um bom líder coloca as pessoas primeiro. Eduardo Braun vem dizê-lo à Happy Conference

quarta, 15 março 2017 13:34   Eduardo Braun, consultor em liderança

Um bom líder coloca as pessoas primeiro. É o que Eduardo Braun vem mostrar na Happy ConferenceA única forma de liderança é colocar as pessoas primeiro. É isto que Eduardo Braun vem partilhar na Happy Conference 2017, que se realiza na próxima segunda-feira, em Cascais, e na terça, no Porto.

Engenheiro industrial de formação, este argentino é consultor e autor de várias obras sobre liderança. Nos últimos 15 anos, entrevistou centenas de líderes de todo o mundo e, a partir desses testemunhos, idealizou uma filosofia de liderança focada nas pessoas.

Briefing | Este ano, a Happy Conference é subordinada ao tema "People First Leadership to multiply results". Acredita que esta é a forma correta de liderança?

Eduardo Braun | Sim, absolutamente. Diria mesmo que é a única forma de liderança. A liderança tem a ver com mudar o mundo à nossa volta, com as pessoas, e para as pessoas. Por isso, a essência da liderança é "as pessoas primeiro".

Briefing | Isto significa que uma organização bem sucedida requer um líder que seja apaixonado pela sua equipa?

EB | O primeiro papel de um líder é estabelecer uma visão, um objetivo, um sonho. Um líder tem de ser apaixonado por esse sonho, que, naturalmente, proporciona alguns benefícios a cada pessoa da equipa que trabalhe para a sua concretização. O segundo papel de um líder é cuidar, genuinamente, da sua equipa, de cada um dos seus membros. Saber quais os seus talentos, qual a melhor maneira de os estimular. Um verdadeiro líder é apaixonado pelas suas pessoas. Mas, tendo disto isto, deixe-me sublinhar a mensagem: o líder não é apenas o chefe, é um dos membros da equipa.

Briefing | Mas liderar com emoções não é arriscado para os resultados do negócio? Não deverão os líderes ser racionais a 100%?

EB | É uma questão muito boa! Liderar através das emoções não significa que não se pense. Ou que se segue o estado de espírito do momento. As emoções que se devem desenvolver no interior do líder e ser partilhadas com a equipa são, por exemplo, sentido de pertença, confiança e autoestima. Estas emoções não estão sempre a mudar, são o resultado de um trabalho constante e consistente.

Briefing | Devia ser uma ferramenta que se ensinasse nas escolas de gestão?

EB | Com certeza. As escolas de gestão, sobretudo nos seus programas de licenciatura, focam-se naquilo que designamos como as "variáveis hard": estratégia, marketing, contabilidade e operações. Mas, para realmente liderar e gerir organizações, é preciso também aprender outras variáveis, as competências soft.

Briefing | Diria que os líderes de hoje estão a tirar o máximo partido do potencial das suas equipas?

EB | Penso que não. Estão demasiado focados nas variáveis hard que mencionei antes. Adicionalmente, em relação ao trabalho de equipa, os gestores típicos usam técnicas básicas que reforçam a autoridade, a organização, os processos, mas não dão atenção ao coração e à alma dos seres humanos. E aí reside um enorme potencial.

Briefing | Num mundo tecnológico, como aquele em que vivemos, esta pode ser também a era das pessoas?

EB | É um grande paradoxo, mas, sim, estamos na era das pessoas. Desde a revolução industrial que o foco tem sido na organização dos recursos e nos processos como forma de potenciar a produtividade. Perante estas premissas, as pessoas são vistas como "ferramentas com pernas", no caso dos trabalhos mais manuais, ou como "cérebros andantes", no caso dos profissionais mais intelectuais. Há muito pouco espaço para a criatividade, a paixão ou a individualidade. Hoje, a tecnologia assumiu algumas das nossas funções e tarefas, mas, em troca, foram criados novos empregos. O ritmo da mudança está a acelerar para níveis nunca vistos, mas cada emprego tem mais responsabilidades. E as pessoas precisam de ser formadas e motivadas. A tecnologia é uma ferramenta que pode ser comprada; a única vantagem realmente competitiva são as pessoas.

Briefing | Como podem os empresários aprender a ser bons líderes?

EB | Todos podem aprender a ser melhores líderes, mas apenas alguns serão grandes líderes. Mas é verdade que, para aprender, é preciso ser curioso e estar aberto a novas ideias, bem como pronto para "desaprender" o que era antigamente a chave para o sucesso. A maioria dos gestores tem dificuldade em desligar-se dos paradigmas do passado e assimilar novos paradigmas.

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Modificado em sexta, 17 março 2017 13:56
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