"Internet tornou emissoras de rádio mais vivas que nunca"
18-Mar-2010
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A rádio é o meio de comunicação social em Portugal que melhor explora as potencialidades da Internet, estando "mais viva do que nunca", defende Gustavo Cardoso, presidente do Observatório da Comunicação (Obercom).

A rádio "foi [o meio] que fez mais sucesso em termos de investimentos na Internet e de capacidade de fidelizar as pessoas", disse o responsável falando a propósito do congresso internacional de rádio, que vai realizar-se em Lisboa na próxima quinta feira.

Dedicado sobretudo à migração das rádios para a Net e à utilização das tecnologias de informação pela rádio, o congresso internacional vai decorrer em Lisboa reunindo especialistas portugueses e internacionais.

Um estudo realizado pelo Obercom em 2008 sobre a Rádio e a Internet concluiu que a rádio foi o meio de comunicação que mais conseguiu misturar as suas características inatas com as características oferecidas pela Internet.

Esta conclusão, defendeu Gustavo Cardoso, mantém-se atual.

Mesmo na transmissão via Internet, a rádio mantém sempre a sua característica única de ser "uma companhia" para quem a ouve, seja em casa, no rádio do carro ou no computador do trabalho, lembrou.

Segundo o estudo, esse fenómeno deve-se ao modelos de negócio radiofónico (assente na publicidade), à facilidade de conversão e distribuição do sinal sonoro em formato digital e, acima de tudo, à dimensão intimista da rádio, que casa perfeitamente com a construção de redes sociais na Internet.

Isto mostra que a rádio e a Internet completam-se na procura de uma mais forte proximidade com aqueles que ontem só a ouviam e hoje ouvem-na mas também a veem e interagem com ela: os ouvintes, adianta o mesmo estudo.

Por isso, sublinhou Gustavo Cardoso à Lusa, a Internet foi, de certo modo, uma forma de revitalizar a rádio.

A rádio "está viva e de boa saúde. Sobreviveu ao aparecimento da televisão e adaptou-se, sobreviveu na era da Internet e adaptou-se", frisou.

A mesma opinião tem o administrador do grupo Renascença (agora denominado rr.com), José Luis Ramos, para quem "não está sequer na ordem do dia qualquer sobrevivência da rádio".

Também para este responsável, a rádio é o meio que mais naturalmente se liga e compatibiliza com a Internet, o que explica a preocupação em transportá-la para o on-line e produzir novas emissoras especificamente para a web.

"É um mercado muito importante. As pessoas, além de ouvirem rádio no carro e em casa, passam a ter também a capacidade de ouvir na web", disse.

O surgimento das rádios portuguesas na Internet ocorre em meados dos anos 90, acompanhando a generalidade dos restantes órgãos de comunicação social.

A primeira rádio a registar o seu domínio foi a Antena 3 (alojada na página da RDP), em 1995, seguindo-se a TSF em 1996 (embora o site desta emissora só tenha começado a emitir como projeto editorial independente em 2000), a Rádio Renascença e a RFM em 1997 e, por fim, em 1999, a Rádio Comercial.

No que diz respeito à presença on-line da Rádio Renascença, ela iniciou-se em 1995 com o registo do domínio rr.pt, mas a concretização deste processo só viria a ter lugar dois anos mais tarde com a criação do site da RR igualmente representado como um projeto editorial independente do da Rádio Renascença.

Organizado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, o congresso internacional de rádio vai debater, entre outros temas, as estratégias da rádio e da indústria musical para o digital, o futuro da rádio e da música na Internet e a convergência multimédia com um desafio técnico e humano.

O evento, onde serão apresentados estudos sobre a rádio no contexto europeu, contará ainda com uma feira do livro temática, reunindo as principais editoras com publicações na área da comunicação e media.

Fonte: Lusa