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Altice compra Media Capital: exportar é a palavra de ordem

segunda, 17 julho 2017 10:49

O negócio está avaliado em 440 milhões de euros e envolve a compra da Media Capital pela Altice. O grupo francês, que já detém a PT, diz que o objetivo é fazer crescer a dona da TVI e "exportar". O anúncio desta aquisição desencadeou entretanto polémica, envolvendo nomeadamente a NOS e o Bloco de Esquerda.

A confirmação do negócio entre a Altice e a Prisa aconteceu sexta-feira em conferência de imprensa protagonizada pelo presidente executivo do grupo francês, Michel Combes, que se referiu a esta aquisição como "oportunidade única": "É a primeira vez que juntamos a maior empresa de telecomunicações com a maior empresa de comunicação social. Estamos muito entusiasmados com esta associação".

O primeiro investimento será feito no digital: "Com a nossa capacidade tecnológica será o primeiro negócio em que queremos investir", anunciou, adiantando que o objetivo é fazer com a Media Capital o que está a ser feito com a PT: "Aproveitar os melhores ativos do país, desenvolver, fazer crescer a companhia".

Uma estratégia que pode passar por aumentar o portefólio da Media Capital: "Achamos que é possível desenvolver novos canais para as várias plataformas e que o negócio pode crescer aí, também".

Trata-se de aproveitar a capacidade de produção da Media Capital e levar os seus programas e canais para os outros países onde a Altice tem negócios.

Queremos que a Media Capital cresça e se torne mais importante ao nível de notícias locais, nacionais e internacionais. Com estratégias ao nível de conteúdo, com produção de séries e filmes", adiantou.

Este projeto será concretizado com Rosa Cullell, que se mantém na administração: "A companhia tem sido muito bem gerida, num contexto difícil, em que publicidade desceu nos últimos anos", justificou o presidente da Altice.

Michel Combes garantiu que não haverá despedimentos: "Não estamos a despedir na PT, não há qualquer intenção de fazê-lo na Media Capital".

Este é um dos vértices da polémica gerada em torno deste negócio, nomeadamente com o Bloco de Esquerda a falar em fraude e acusar a Altice de comprar a TVI quando está a equacionar despedir mais de três mil trabalhadores na PT.

A polémica envolve também a NOS, cujo presidente executivo, Miguel Almeida, já disse publicamente que não faz sentido as operadoras de telecomunicações serem donas de conteúdos.

Já hoje, outro grupo de comunicação social - a Impresa, detentora da SIC - fez saber, em comunicado, que "é, e sempre foi, a favor da concorrência leal num mercado que funcione de forma sã, bem como do pluralismo da comunicação social". "Estamos confiantes de que os reguladores portugueses e europeus terão estes dois princípios em conta quando se pronunciarem sobre a operação em causa", afirma o grupo.

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Modificado em segunda, 17 julho 2017 14:14


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