Anunciantes acusam RTP de “falta de transparência"
- 16 Abril 2012
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A Kantar Marktest foi o candidato preterido na escolha da CAEM - Comissão de Análise de Estudos de Mercado para o sistema de audimetria, mas foi a ele que a RTP recorreu para elaborar a sua proposta de auditoria.
Este movimento do operador público de TV suscitou uma tomada de posição da APAN - Associação Portuguesa de Anunciantes, entidade que acusa a RTP de "falta de transparência" e de pôr "em causa a confiança no enorme trabalho que ainda está previsto ser desenvolvido".
A RTP tinha focado a sua contestação ao sistema em duas iniciativas: uma apaixonada campanha do próprio Telejornal contra a empresa fornecedora do sistema e o pedido de realização de uma auditoria independente.
A CAEM aceitou já a realização da auditoria estando previsto para esta segunda-feira a concretização dos termos em que a mesma será efetuada, tendo os anunciantes demonstrado espírito de cooperação ao aceitarem contribuir financeiramente para a mesma, apesar de não a considerarem necessária.
O conhecimento de que a RTP, envolvendo-se numa guerra comercial entre empresas de estudos de mercado, estava a recorrer ao aconselhamento do candidato preterido e principal concorrente do fornecedor selecionado fez com que outros membros da CAEM questionassem o objetivo de independência da auditoria pedida.
A APAN sustenta, na carta enviada à RTP, que "foi num princípio de boa fé e transparência" que aceitou o procedimento invocado pelo operador público de TV e reafirma "a forma colaborativa e construtiva com que tem estado neste processo desde o início, e sempre num princípio de transparência e equidade".
O sistema de audimetria é essencial para que os anunciantes planeiam os seus investimentos em publicidade nas televisões.
O antigo sistema, propriedade da Kantar Marktest, era já considerado inadequado ao registo da realidade atual das audiências sendo a própria empresa a reconhecer esse facto em carta enviada à CAEM no final de Fevereiro.
O vencedor do concurso para o novo sistema foi a GfK, estando o mesmo operacional apenas há mês e meio.
Apesar da contestação da RTP, esta empresa - à semelhança dos seus concorrentes SIC e TVI - faturou a publicidade de março com base nos indicadores do novo fornecedor.
Estes indicadores atribuem mais audiência ao conjunto das televisões do que os anteriores, o que poderá proporcionar uma correção nas receitas publicitárias num momento de grave crise de mercado.
Nos primeiros 2 meses do corrente ano, os investimentos em publicidade nos canais de sinal aberto foi inferior a 30 milhões de euros, situando-se cerca de 25 por cento abaixo do montante do período homólogo de 2011.
Fonte: Briefing
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