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As empresas estão preparadas para a 4.ª revolução industrial?

segunda, 13 fevereiro 2017 11:26   Diogo Pereira, Head Key Services – KCS iT

Diogo Pereira, Head Key Services – KCS iT Na semiescuridão os smartwatch e tablet são ativados e recebem uma informação. O cão está inquieto – o ritmo cardíaco galopa e a respiração aumenta. Se a sua casa inteligente tiver câmaras a transmitir, num piscar de olhos saberá que um drone acabou de deixar uma encomenda, a comida para o seu animal de estimação.

Também teria percebido que tinha deixado as chaves no sofá. Há alguns anos tudo isto era ficção cientifica, mas a inovação e tecnologia atuais permitem a realização deste cenário.

Recentemente Mark Zuckerberg, o CEO do Facebook, anunciou estar a desenvolver um assistente pessoal, com interface de reconhecimento de voz. Baseado na inteligência artificial (IA), é semelhante ao apresentado no filme "Homem de Ferro" e ocupa-se da gestão da sua própria casa, que vai desde estores automáticos, controlo de temperatura até tarefas de segurança. Extraordinário? Nada de especial, sabendo que neste momento o seu Departamento de Inovação trabalha em comunicação telepática (através de um gadget que permitem ler e transferir os pensamentos através de ondas cerebrais).

Dispositivos inteligentes e consumidores exigentes

Com a Internet of Things (IoT) temos dispositivos autónomos conectados que recolhem, analisam, trocam informações entre eles e tomam decisões. Este não um tema exclusivo para early adopters nem é tão recente quanto parece. Um dos primeiros exemplos é a rede ATM, os caixas Multibanco.

Aqui chegando, temos que referir aquilo que já é apelidado da 4.ª revolução industrial. Tema central do World Economic Forum de Davos do ano passado, estima-se que o "IoT produzirá um impacto económico igual ao PIB americano em 2020" e que nesse ano, existirão cerca de 50,1 mil milhões de dispositivos, conectados em todo o mundo.

Esta era de ubiquidade tecnológica é marcada pela relação de estreita proximidade com o consumidor. Todas as marcas anseiam por criar vínculos permanentes e duradouros, de empatia e de familiaridade.

Os novos recursos tecnológicos funcionam como veículos de excelência, que permitem às empresas aprofundar e exponenciar essa relação. Como em todas as relações ativas, pressupõe-se que todos os agentes estejam envolvidos, preparados para a troca e partilha ideias. O web marketing sabe que este é um dos pressupostos base para a Lifetime Value.

Construir, medir e gerir a experiência do consumidor

Já hoje, é possível identificar um utilizador e enviar sugestões do seu potencial interesse. O elemento chave será a Data Analyse. Recolhida a informação através das interações, traça-se um perfil individual no sentido de gradualmente segmentar, antecipar e personalizar, serviços e produtos. Existem ferramentas capazes de produzir um Customer Insight apurado e em tempo real, em função das necessidades e expectativas do cliente.

Um estudo recente1, refere uma importante mudança, a ter em conta - "potenciado pela tecnologia, o consumidor hiperconectado está a redefinir o conceito de valor. As medidas tradicionais de custo, escolha e conveniência ainda são relevantes, mas agora o controlo e a experiência também são importantes."

Esta realidade vai obrigar a definir uma estratégia omni-channel, verdadeiramente imersiva, voltada para experiência do utilizador. Vai além da mera funcionalidade, não será anónima e massificada, mas procura responder aos anseios latentes. Procura promover a construção e a manutenção de uma imagem de marca junto clientes/utilizadores.

As marcas e a Indústria 4.0: transformar informação em novas experiências

Uma tendência expectável será a de, progressivamente, diminuírem as megastores para darem lugar a formatos mais pequenos, de proximidade, baseada Realidade Virtual e Realidade Aumentada. Isto abrirá portas a uma interação mais dinâmica e a uma inventariação mais precisa, sem necessidades de grandes armazéns e de gigantescas pilhas de stocks.

A convergência de tecnologias físicas, biológicas e digitais é uma certeza. O seu potencial é imenso, se pensarmos na aplicabilidade nos campos da saúde, serviços, indústria e agricultura. Há também o surgimento das Smart Cities, enquanto ecossistemas autorregulados, conectados e eco-friendly. Paralelamente geram-se valores agregados que têm grande reconhecimento económico e social, como a transparência e a sustentabilidade.

No capitulo técnico, toda esta constelação de objetos inteligentes levanta desafios. Vai exigir largura de banda crescente (o 5G, ainda por implementar), fluxos massivos de informação e obrigará a criar postos de trabalho especializado capazes de implementar estratégias consequentes com os dados recebidos e objetivos almejados. Se ainda não se deu um salto maior, deve-se ao facto de se priorizar a segurança.

Como se vão posicionar as marcas num mundo de oportunidades?

Neste cenário das incertezas, de permanente volatilidade e de competitividade, cabe aos líderes e gestores de empresas saber como se vão posicionar e abordar os desafios que se apresentam – como um problema ou uma oportunidade –, sabendo que a inovação e a tecnologia são um fator crítico na competitividade das empresas e dos países.

A sua empresa tem a oferta digital adequada às necessidades, motivações e desejos do consumidor?

1Shaping the Future of Retail for Consumer Industries

Modificado em segunda, 13 fevereiro 2017 12:28


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