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Marcelo, presidente dos afectos e dos Media…

segunda, 20 março 2017 11:27   Ana Paula Cruz, docente do IPAM, especialista em Comunicação e Branding

Marcelo, presidente dos afectos e dos Media… Quem não se habituou a aguardar pela figura e opiniões de Marcelo Rebelo de Sousa sobre quase todos os temas nos seus tempos de comentador? Agora Presidente, Marcelo está ainda mais presente.

Marcelo aumentou o ritmo, marcando presença diária nos vários meios de comunicação social desde o início do seu mandato. Em 365 dias, não houve um dia que estivesse fora da agenda mediática, com presença em mais de 118 mil notícias, de acordo com estudo da Cision.

Marcelo sabe muito sobre comunicação de massas... mas é pessoal

Todo o percurso de Marcelo foi construído com o suporte dos Media e ele sabe usar o seu poder como poucos. Atento à agenda, atento às questões políticas, não se inibe de tentar influenciar com as suas perspectivas. Omnipresente em temáticas que vão desde as causas sociais, culturais, desportivas, a sua mestria está comprovada nas mais de 1000 horas de espaço televisivo, nas mais de 200 horas de tempo de rádio e num sem número de notícias na imprensa, isto apenas para falar dos media tradicionais.

Também as redes sociais estão atentas à sua actividade e as imagens de visitas a sem-abrigo no passado Inverno ou visitas a hospitais tornam-se virais. A sua sensibilidade emociona muitos, tornando-se uma figura próxima pelas lágrimas ao despedir-se da família, pela simpatia que desperta por manter actividades que lhe dão prazer como ir à praia ou dar um passeio a pé, como qualquer cidadão.

Este é o pai que o eleitor português ainda procura na figura do seu Presidente.

Positivo ou negativo, este mediatismo do Presidente?

Não esqueçamos que, na sua campanha eleitoral, Marcelo prometeu ser interventivo contribuindo, como referiu, para a estabilidade do sistema político. Mas interventivo é bom ou é mau? Política à parte, o mediatismo de Marcelo serve várias partes. Desde logo, os Media, eles mesmos. A figura de Marcelo, controversa, interventiva, "abelhuda" (como já ouvi alguém dizer), vende jornais e telejornais. As pessoas importam-se com o que o Presidente pensa, mesmo se não concordam com ele. E os Media são também empresas cujo negócio são notícias que interessam às pessoas. Não é, portanto, de esperar que, a breve prazo, Marcelo deixe de ser alvo dos Media.

E para os partidos e forças políticas em geral? É para eles bom ou mau que Marcelo tome tanto tempo de antena? Mau, essencialmente, porque lhes rouba uma maior exposição mediática à opinião pública, o que o pluralismo e o debate democrático preconizam.

E para as massas a quem se dirige Marcelo? Por um lado, ao roubar mediatismo às forças políticas, rouba também visibilidade a questões que deviam interessar as pessoas; por outro, vêem algumas questões serem focadas que, de outra forma, não o seriam.

Marcelo Rebelo de Sousa tem-se descolado do seu papel de comentador com trabalho ao nível da imagem, perdendo tiques que lhe eram característicos, mas não se divorciou totalmente de ter opinião e de com isso influenciar o público.

Modificado em segunda, 20 março 2017 14:08
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