“Televisão em movimento”, por Pedro Boucherie Mendes, director canais temáticos SIC

Televisão em movimento, por Pedro Boucherie Mendes,
1. É provável que a televisão em Portugal mude bastante em 2010.

É por isso provável que os portugueses tenham ainda mais por onde escolher. E a nossa televisão já é melhor em qualidade e quantidade do que aquilo que julgamos. Até os intelectuais se calaram e deixaram de se preocupar com o que o povo consome.

2. É frequente ouvirmos que a nossa televisão não presta ou que as pessoas deixaram de ver, mas são duas ideias estúpidas e falsas. As ditas séries consumidas em DVD (que muita gente utiliza como processo de afirmação de personalidade), não são mais que produtos feitos para televisão. Não são criações elitistas feitas para os happy few iluminados.

3. Com uma ou outra excepção, os vídeos que mais se consomem na internet são também originariamente produtos de televisão. Por cada idiota que se torna estrela do YouTube a fazer malabarismo com pratos de sopa no seu quarto, há centenas de outros roubados a canais de televisão muito mais vistos.
A televisão nunca esteve tão forte e nunca foi tão vista, mesmo que o seja ao computador ou sejamos nós a escolher aquilo que vemos na altura que queremos.

4.Vejamos. Hoje os portugueses com televisão por subscrição (e já são bem mais que dois milhões de lares) têm cinco canais da RTP (1, 2, N, Memória, África), quatro da SIC (SIC, SIC-N, Radical e Mulher), dois da TVI (TVI e TVI24), três SPORTTV e sete canais independentes (Eurosport, Panda, Disney, Benfica TV, MTV Portugal, Porto Canal, Regiões TV e MVM). No total são 21 canais nacionais.

5. Se quisermos ser rigorosos, teremos de incluir os quatro TV Cine e o MOV (são canais nacionais, apesar de a sua programação poder não o ser); e o canal HotGold (para adultos). O raciocínio segue e incluímos ainda o Nickleodeon, o Baby TV, o AXN, o vasto pacote Fox e o SET. Talvez tenhamos de incluir também National Geographic, o História, o Odisseia, etc, porque têm programação falada ou legendada na nossa língua..

6. Contas por alto, os portugueses têm mais de 40 canais feitos e pensados para eles. Muito poucos têm esta noção, porque vivemos numa era de abundância não percepcionada. A verdade é que temos uma indústria e não é pequena. Empresas de produção, legendagem e dobragem profissionais de frente e detrás das câmaras, nunca tiveram tanto mercado. Se somarmos o volume de investimento publicitário em televisão, os intermediários na compra de espaço e os envolvidos na criatividade, poderemos ficar surpreendidos com o tamanho e o valor desta Indústria num país pequeno e que não exporta produto televisivo, sejam ideias, seja produto acabado. Uma análise mais ampla pode até incluir as revistas que vivem à custa do fenómeno, bem como os fornecedores de equipamento. E isto sem esquecer os fornecedores de televisão por subscrição (Meo, Zon, Clix, Cabovisão etc). 

7.Em 2010, o nosso audiovisual (que em Portugal é praticamente sinónimo de televisão) deve crescer. São prováveis mais canais e mais pessoas a subscrever televisão. O investimento publicitário também deverá subir, bem como a produção de conteúdos.
8. Mas ainda não será em 2010 que começaremos a pensar em fazer televisão para exportar. A luta cá dentro, competitiva, dinâmica e muito mais liberal do que a norma, ainda consome demasiadas energias.

Pedro Boucherie Mendes
Director canais temáticos SIC

Quinta-feira, 22 Outubro 2009 07:00


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