Konica Minolta promete lançar papel que se transforma em luz

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Mais de 100 anos depois da invenção da lâmpada eléctrica, o gigante japonês da electrónica Konica Minolta acredita que pode revolucionar a iluminação através de uma tecnologia que permite fabricar elementos de luz flexíveis, orgânicos, que emitem menos calor e gastam menos energia.

“Pense num candeeiro que é só um cilindro de papel, lá dentro não tem
lâmpada. É o próprio papel que emite a luz. Ou pode fazer uma parede de
luz”, explica à agência Lusa Ken Osuga, vice-presidente da área de
negócios da Konica Minolta Europa. As possibilidades são imensas: uma
nova arquitectura com paredes flexíveis e com iluminação incorporada,
armários feitos de um material que se acende para melhor ver o
interior, cortinas que à noite parecem estar a reflectir o sol.

A tecnologia tem um nome que já soa conhecido aos consumidores – OLED
(abreviatura em inglês de diodo orgânico emissor de luz) – por causa
dos recentes ecrãs de televisão, ainda mais finos que os plasmas e os
LCD.

Na sua essência, um OLED é um dispositivo composto por películas de
moléculas que emitem luz ao receberem carga eléctrica. Essas moléculas
podem ser directamente aplicadas na superfície da tela através de um
método de impressão, a que se juntam filamentos metálicos que conduzem
os impulsos elétricos. De forma mais simples: é uma tela (composta por
várias camadas) que emite luz própria.

A Konica Minolta acredita que são essas características que podem
tornar a iluminação OLED mais barata e mais fácil de fabricar que as
restantes.
No mês passado, a marca anunciou um investimento de 3,5 mil milhões de
ienes (quase 27 milhões de euros) na construção de uma fábrica piloto
de impressão “roll-to-roll” em Hino, perto de Tóquio. Em traços gerais,
o “roll to roll” é como ver uma impressora de jornais antiga: grande
rolos de papel de um lado, tinta no meio e do outro lado saem jornais
impressos e cortados à medida.

Aplicada à tecnologia OLED, isso significa rolos de material plástico
fléxivel onde se imprime uma camada orgânica condutora (que transporta
os elétrons do ânodo) e uma segunda camada emissora, feita com
moléculas diferentes da camada condutora e que transporta os elétrons
para outro eléctrodo, o cátodo. É aqui que a luz é feita, e tudo num
semicondutor até 200 vezes mais fino que um cabelo humano.

Hideki Okamura, presidente da área de negócios da Konica Minolta
Europa, sublinha à Lusa que o gigante japonês tem uma parceria
estratégica com outro gigante: os norte-americanos da General Electric,
curiosamente a empresa que patenteou a primeira lâmpada de Thomas
Edison.

Os planos vão no sentido de começar a produzir este tipo de produto em
massa já em 2010. “A Konica Minolta Opto [que investiga este tipo de
novas tecnologias] tem como clientes os gigantes da electrónica e da
energia no mundo. Mas do ponto de vista do consumidor não é conhecida”,
diz Okamura.

O vice-presidente Ken Osuga complementa: “É a maior inovação nesta área
desde Edison. Provavelmente estamos a trabalhar na próxima geração de
iluminação”.

O responsável da marca japonesa diz que este é um exemplo de uma
tecnologia Konica Minolta incorporada dentro de produtos de outras
marcas e que estão bem presentes no dia-a-dia.

“Por exemplo, os iPod que toda a gente usa têm lá dentro um disco
rígido Konica Minolta”, diz Ken Osuga. Tal como muitos dos leitores de
DVD e de discos BlueRay usam pequenas lentes produzidas pela marca.
“Provavelmente até o gravador que está a usar nesta entrevista tem
‘Konica Minolta inside’. Mas ninguém sabe”, remata.

Fonte: Lusa

Segunda-feira, 21 Dezembro 2009 11:45


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