WikiLeaks: Primeiro livro sobre a vida de Julian Assange sai em Portugal no final de fevereiro

Londres, 31 jan (Lusa) – A versão portuguesa do primeiro livro sobre o
percurso do fundador do Wikileaks, desde os tempos de pirata
informático ao estatuto de herói da liberdade de informação, será
publicada no final de fevereiro.


O livro, intitulado “Wikileaks:
Inside Julian Assange’s War on Secrecy”, escrito pelos jornalistas David
Leigh e Luke Harding, do diário britânico The Guardian, é a primeira
biografia de Julian Assange e foi hoje lançado no Reino Unido

A
tradução portuguesa, segundo fonte oficial da editora Gradiva, está na
fase final de produção, não havendo ainda uma data certa para a
publicação, embora esteja prevista para dentro de algumas semanas.

Motivo
de admiração e ódio, Julian Assange tornou-se recentemente o centro de
controvérsia e discussão sobre o direito da liberdade de informação por
causa da divulgação de documentos secretos norte americanos.

Excertos
do livro publicados hoje contam como o australiano chegou a vestir-se
de mulher para despistar eventuais perseguidores dias antes de iniciar a
publicação de uma série de telegramas diplomáticos norte-americanos, em
novembro de 2010.

Nos documentos foi possível ler relatos de
diplomatas sobre planos dos EUA para espiar o secretário geral da ONU e
representantes de alguns países, a pressão da Arábia Saudita para os EUA
atacarem o Irão, detalhes sobre a corrupção na Rússia e comentários
sobre o distanciamento da China dos regimes norte coreano e birmanês.

Desde
então, o fundador do portal foi alvo de ameaças de morte e considerado
“terrorista” por personalidades norte-americanas, tendo Washington
condenado a divulgação dos documentos por alegadamente colocarem em
risco a vida de pessoas.

“O Wikileaks e Assange passaram de um
grupo desconhecido de hackers num canto do globo para se tornarem
celebridades mundiais”, enfatizou David Leigh, editor de investigação do
jornal, num vídeo promocional da obra.

Os autores do livro
descrevem-no como uma pessoa talentosa e inteligente, mas também de
caráter difícil e inconstante, o que levou à rutura ou a relações tensas
com colaboradores, entre os quais o próprio The Guardian.

O
diário britânico foi um dos jornais com quem o WikiLeaks se associou
para divulgar os correios diplomáticos norte-americanos e no livro
constam pormenores sobre discussões entre os seus dirigentes e Assange.

Mas
o diretor do The Guardian, Alan Rusbridger, prefere salientar a
“história cativante de um homem em fuga com a maior fuga de informação
da História e como ele conspirou com cinco organizações noticiosas para
por a história cá fora”.

Julian Assange vai a tribunal nos dias
07 e 08 de fevereiro em Londres para tentar evitar a extradição para a
Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais.

Uma biografia oficial
escrita pelo próprio fundador do WikiLeaks está anunciada para abril no
Reino Unido, enquanto a publicação da versão portuguesa, a cargo da
Editora Objetiva, deverá ocorrer até ao final do ano.

BM.

Lusa/Fim

Segunda-feira, 31 Janeiro 2011 17:04


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