“Portugal perdeu oportunidade de alargar oferta de canais abertos”

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Portugal está a perder a oportunidade de alargar a oferta de canais televisivos de sinal aberto com a introdução da Televisão Digital Terrestre (TDT), garantiu à agência Lusa o investigador brasileiro Sérgio Denicoli.

“Tenho a impressão que não é muito interessante para as empresas que possuem serviços de TV por subscrição que haja uma grande discussão sobre a introdução da TDT”, afirmou Sérgio Denicoli, doutorando na Universidade do Minho e que acaba de lançar o livro “TV Digital – Sistemas, Conceitos e Tecnologias”.

Para o investigador, se as pessoas tivessem consciência da importância da TDT, “elas exigiriam, por exemplo, um maior número de canais, como acontece em quase todos os países da União Europeia”.

Espanha, que já concluiu a transição do analógico para o digital em Abril de 2010, aproveitou a passagem para TDT para aumentar de seis para 20 a oferta de canais gratuitos, cinco dos quais da televisão pública (RTVE).

“Em Portugal, o que é que vai acontecer? Vamos desligar o sinal analógico, e na TDT vamos ter exactamente o mesmo número de canais. Se as pessoas estivessem mais informadas, a partir de campanhas publicitárias, tenho a certeza que o nível de exigência perante as autoridades seria muito maior”, frisou.

Sérgio Denicoli defendeu que, pelo menos, os canais temáticos da televisão pública, como a RTPN, RTP Memória e RTP Música (a lançar hoje), deveriam ter acesso grátis na TDT.

“Se tivermos poucos canais na televisão gratuita, isso obviamente acaba por favorecer empresas que têm serviço por subscrição, que é o caso da PT [Portugal Telecom] e de outras”, salientou.

A introdução da TDT em Portugal foi concessionada em concurso público à PT, que já garantiu a cobertura de 87 por cento do território português, sendo os restantes 13 por cento assegurados por satélite.

Quem não tiver televisão por subscrição (cabo, fibra óptica, satélite ou IPTV), terá de comprar um televisor novo, com o sistema MPEG4, ou comprar um descodificador de sinal para cada televisor, à venda a partir de 35 euros.

Terão direito a comparticipações de cerca de 50 por cento na compra dos descodificadores as pessoas com grau de deficiência de pelo menos 60 por cento e quem recebe Rendimento Social de Inserção ou pensões inferiores a 500 euros.

A TDT permite melhor qualidade de imagem e som, transmissão em alta definição, pausa da emissão e gravação de programas para USB, mas estas últimas funções só estão disponíveis em descodificadores mais caros.

A substituição definitiva das transmissões analógicas pelas digitais vai acontecer até 26 de Abril de 2012, no continente e regiões autónomas.

A primeira campanha de divulgação da TDT arranca quinta-feira, dia em que o governo anuncia publicamente o projecto.

Sérgio Denicoli considerou que esta campanha chega “muito atrasada”, dado que está prevista já para Maio a primeira experiência de “apagão analógico”, com a introdução da TDT em Alenquer.

Fonte: Lusa

Segunda-feira, 07 Março 2011 12:22


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