Agências de comunicação atentas às privatizações

redaccao
Depois do Governo de Pedro Passos Coelho ter anunciado o programa de privatizações, o mercado da comunicação ficou agitado e as principais agências estão já a posicionar-se para ganhar operações, reforçando as equipas e criando novas empresas vocacionadas para o sector.

Sendo este um mercado pequeno, poucas foram as agências que ainda não participaram em “históricas operações financeiras”. António Cunha Vaz, fundador da agência com o mesmo nome, deixa a provocação: “desde que não haja favores do Estado, como houve no tempo socialista, se se analisarem as empresas pelas suas competências, teremos concursos públicos aos quais iremos concorrer”.

No caso da LPM, que protagoniza operações financeiras desde os anos 80, foi criada a Financial Portugal, em parceria com a Hill & Knowlton e a Nextpower, uma empresa que dará resposta aos “grandes desafios estratégicos e económicos que as empresas portuguesas enfrentam”, refere Catarina Vasconcelos, directora-geral da agência fundada por Luis Paixão Martins. Assim, os objectivos são traçados ao máximo: “queremos estar envolvidos em 90 por cento das operações financeiras que vão ocorrer em Portugal, seja do lado da oferta, seja do lado da procura”, afirmou. A parceria com Hill & Knowlton deverá, na opinião de Catarina Vasconcelos, “gerar percepções positivas através dos media internacionais e, assim, atrair investimento estrangeiro para o nosso país”.

Armandino Geraldes, CEO da BAN, refere que o teste que as agências terão de superar com distinção é saber “vender” as empresas o melhor possível, numa altura em que “todas as empresas hoje têm um valor percebido bastante inferior ao real”. Para o CEO da BAN, esta é, de resto, uma realidade que considera ser “verdade para todas as empresas” a privatizar.

A João Líbano Monteiro & Associados (JLMA) está igualmente, de acordo com Vítor Cunha, “atenta às oportunidades”. As parcerias internacionais estabelecidas com vários países europeus, o histórico de operações que já acompanharam e a contratação recente de António Homem de Melo – economista que passou por empresas como a PT Internacional, pela área comercial da Impresa e pela indústria farmacêutica – são factores que, na opinião de Vítor Cunha, só acrescentam valor à JLMA.

Das agências na corrida, umas destacam-se pelo seu currículo, outras porque decidiram alterar o seu capital e estrutura. No caso da Imago, que no último mês anunciou a entrada da espanhola Llorent & Cuenca no capital da agência, ambos os casos se adequam. Madalena Martins, fundadora e directora-geral da agência, assume já estar em conversações com potenciais compradores das empresas públicas.

A competição parece ser aguerrida para vencer esta corrida que conta ainda com empresas estrangeiras entre os principais interessados nas privatizações anunciadas.

De relembrar que este ano, o Governo garante que vai avançar com as privatizações da TAP, REN e EDP, para além da venda do nacionalizado BPN, apesar de serem desconhecidos os modelos das respectivas operações. Mas há mais: a RTP, a Água de Portugal e os CTT constam também da agenda do Governo.

Fonte: Diário Económico

Segunda-feira, 18 Julho 2011 10:34


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