Os trunfos de uma agência gourmet low cost

 Os trunfos de uma agência gorumet low cost

Despir a agência de tudo o que era supérfluo. Foi esta a atitude que esteve na origem da 9 The Creative Shop e que, segundo o ceo e diretor criativo, Frederico Roquette, explica o facto de continuar a crescer em contraciclo: “Alguns clientes perceberam imediatamente as vantagens do tipo de agência que apresentámos, já outros foram percebendo mais recentemente, “pressionados” pela crise”, diz, em entrevista ao Briefing.

Briefing | Este ano, a 9 The Creative Shop já conquistou várias contas novas. A que atribui este crescimento em contraciclo?
Frederico Roquette | Atribui-se sem dúvida ao nosso posicionamento e razão de ser desde o início. Quando em 99 decidimos arrancar com a 9 percebemos que, para inovar, teríamos de despir a agência de tudo o que era supérfluo. Daí vem o conceito de creative shop ou hot shop, que já existia nos EUA e que fomos os primeiros a implementar em Portugal. Alguns clientes perceberam imediatamente as vantagens do tipo de agência que apresentámos, já outros foram percebendo mais recentemente, “pressionados” pela crise. Costumamos dizer na brincadeira que agora os clientes deixaram de ser “snobs” na escolha da agência. Hoje aquilo que defendemos é óbvio para todos e as grandes multinacionais da nossa área estão a tentar imitar a nossa forma de trabalhar para se adaptarem ao presente, mas não é fácil, são grandes estruturas que não conseguem tornar-se dinâmicas e manter a qualidade de um dia para o outro, demoram anos a fazê-lo – Nós temos uma década de avanço a aperfeiçoar este formato de agência e os clientes sentem isso quando nos pedem uma proposta. Está a resultar.

Briefing | Quais os trunfos da agência?
FR | Costumamos dizer que o maior é o facto de trabalharmos todos os suportes de comunicação de forma coerente, o above-the line, o below e o online. É rara a agência que os trata transversalmente e com o mesmo nível de qualidade e exigência. Mas também temos outras armas aperfeiçoadas: os nossos timings – não deixamos o cliente perder oportunidades; somos gourmet low cost – profissionais com vasta experiência a preços competitivos (o que não quer dizer baixos); somos uma continuação do departamento de marketing do cliente – entramos a fundo nas marcas, nos problemas e nas necessidades para chegar às melhores soluções; somos antiburocracia – acreditamos na flexibilidade de processos. Também acreditamos que conseguimos moldar muito bem as soluções ao budget do cliente, encontrando formas de comunicação com impacto apesar das contrariedades financeiras que este possa ter versus o que precisa de fazer saber.

Briefing | Como se posiciona no mercado da criatividade em Portugal?
FR | Aqui guiamo-nos mais pelos mercados externos do que internos e tentamos implementar novidades ou tendências cá em Portugal. Acreditamos piamente na criatividade sustentada pela estratégia e conhecimento. A nossa linha é muito conceptual e custa-nos ser superficiais mesmo quando os clientes querem. A própria denominação da agência (The creative shop) defende assertivamente a criatividade acrescentando o “shop” como forma de sublinhar a simplificação de processos. Temos ganho alguns prémios de criatividade mas não é uma obsessão nossa, já o nível de exigência com a criatividade é muito alto apesar do dinamismo com que nos movemos, daí acreditar que temos de ter uma equipa muito coesa, de confiança mas de mente aberta e preparada para batalhar criativamente.

Briefing | Como se adaptou ao digital?
FR | Criámos a 9 digital que é, ao mesmo tempo, uma empresa independente e um departamento da 9 the creative shop. Liderada pelo Bernardo Baptista Coelho, veio trazer um fôlego de inovação tecnológica a todos os nossos projetos e tem sido um abrir de horizontes. Permite agora de forma muito coerente levar as marcas que criamos ou comunicamos para sites, suportes online e para as redes sociais. Aqui já ninguém pensa numa campanha sem pensar como se aplica ao digital, já é mesmo instintivo.

Briefing | Continuam a ser 9? Os mesmos 9?
FR | O 9 referia-se aos sócios e só dois trabalhavam cá. Dos nove sócios do início ainda estão quatro connosco, um a trabalhar full-time na agência (eu). Os outros seguiram por caminhos fora do sector ou fora do país, alguns viraram clientes! Mas a equipa do dia-a-dia é composta por 12 pessoas extraordinárias.

Briefing | Quais as expectativas, em termos de negócio, para fechar o ano?
FR | Ontem fiz as contas e tínhamos 11 mupis diferentes na rua ao mesmo tempo. Para uma agência 100% portuguesa é representativo! Queremos manter a qualidade e crescer sustentadamente, até porque é impossível reunir uma equipa coesa como a que temos à pressa. Mesmo os clientes que ganhámos agora foram namoros de algum tempo em que a preparação para o passo seguinte foi bem preparada. Digamos que temos piscado o olho a mais alguns clientes com os quais gostaríamos muito de começar a trabalhar até final do ano.

Briefing | E a internacionalização? Já aconteceu ou vai acontecer?
FR | Existiram alguns convites para ir para Angola que não encaixavam com a nossa forma de estar. Tivemos conversas muito interessantes com uma agência espanhola que ainda decorrem sem objetivo concreto mas, neste momento, estamos 100% dedicados a Portugal, incluindo escritórios na Madeira e nos Açores. Obviamente que temos parceiros locais em pontos internacionais fundamentais, estamos por exemplo a trabalhar neste momento o lançamento de uma marca em Angola e no Brasil.

Fonte: Briefing

 

Segunda-feira, 19 Agosto 2013 11:00


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