Produções Fictícias patrocinam os Prémios à Eficácia… e matam os spots

Produções Fictícias patrocinam os Prémios à Eficácia... e matam os spotsPelo terceiro ano consecutivo, estamos de braço dado com a APAN e com o Grupo Consultores. A produzir integralmente esta gala. Da campanha de comunicação à cenografia, passando pelo guião, agenciamento e a sua produção integral, é o departamento de Empresas das Produções Fictícias o responsável.

Temos trabalhado em eventos com as mais diversas empresas nos últimos 10 anos tentando marcar a diferença pelo lado dos conteúdos e das histórias.

Somos particularmente adeptos do conceito destes Prémios à Eficácia, pois, enquanto agência criativa que produz conteúdos para audiovisual e eventos, a criatividade, as marcas, o tempo e os custos são variáveis chave.

E o que achamos que é eficaz?

É eficaz cruzar o que as pessoas querem ver com o que as marcas querem que elas vejam.

Sem falar nos diversos estudos que atestam da fraca capacidade de retenção de mensagem publicitária por parte dos consumidores, penso que, salvo algumas excepções, ninguém dirá que prefere ver um conjunto de spots publicitários a um bom talk show ou a uma boa ficção.

A solução, quer nos eventos quer nas mensagens publicitárias, passa por integrar a sua comunicação mais institucional de marca ou produto nos conteúdos e nas histórias.

Em Portugal, as marcas precisam ainda de percorrer um longo caminho até conseguirem enquadrar-se naturalmente na narrativa dos conteúdos em vez se imporem artificialmente, fruto de receios hipócritas.

Atente-se a dois bons exemplos de integração de marca: a personagem Frank Underwood (Kevin Spacey), em House of Cards, sempre stressado, cansado, lixado, ao regressar tardiamente a casa da sua vida politica no congresso e injuriando tudo e todos, tal como Maquiavel planeando a sua próxima jogada repleta de esquemas, liberta todo o seu fel a jogar “Call of Duty” na sua consola. Ou mesmo a personagem de Jesse Pinkman (Aaaron Paul), em Breaking Bad, que num enredo de droga e assassinatos faz a sua catarse através do jogo “Rage”.

Atente-se agora a outros dois exemplos catitas, desta feita no âmbito da produção de conteúdos pela marca (branded content): a agência Pereira & O’Dell’s criou um filme em seis partes distribuídas semanalmente para a Toshiba / Intel, em que os fãs eram convidados por webcam casting a entrar. A história apresentava uma personagem que, não mudando por dentro, todos os dias acordava num corpo diferente. Já a Perrier, em França, lançou um desafio digital aos seus fãs para encarnarem várias personagens diferentes numa sala onde podiam realizar as suas fantasias.

As marcas geridas em Portugal são, na maior parte dos casos, pouco corajosas e muito paternalistas. A sua audácia esgota-se na relação proporcional com o tamanho do decote da personagem feminina da sua campanha. Desafiá-las a integrar um conteúdo relacionado com política ou outros temas sensíveis, como crime ou sexualidade, é como tentar vender um pente a um careca. Acontece, mas é pouco provável.

Chamo a atenção para o facto de a fraca eficácia de grande parte dos spots publicitários não ser apanágio da plataforma televisão. O guionista Filipe Homem Fonseca, no dia 2 de Outubro, lançava o seguinte post no Facebook: “faça um like quem não vê os pre-roll spots que antecedem os vídeos do youtube”. Em poucos minutos, obteve mais de 350.

Um dos gurus do guionismo a nível munidal, Robert Mckee, diz: “Um empresário deve contar uma história que seja uma profecia e que nos convença de que se irá concretizar”. Marcas, criem conteúdos ou saltem para dentro deles mas, escolham o que escolherem, não fiquem à porta, à espera do convite para entrar. Depois do spot tradicional, deixem o pre-roll morrer.

Segunda-feira, 04 Novembro 2013 12:08


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