Porque ganhámos em Buenos Aires

Lourenço Thomaz, Luciana Cani e Hugo Tornelo viram as suas agências premiadas no último El Ojo, o festival ibero-americano de publicidade que terminou ontem em Buenos Aires. Criatividade, inovação, eficácia são ingredientes das ideias fortes que levaram a concurso e que venceram. Ao Briefing contam porquê e o que valem os prémios.

O partner da MSTF Partners não podia estar mais satisfeito: o único trabalho que a agência inscreveu no El Ojo, o projeto Tell a Story, foi finalistas nas cinco categorias a que foi a concurso e trouxe quatro prémios. “Excelente”, resume. “É uma eficácia muito boa. Foi o primeiro festival onde inscrevemos este projeto e estes prémios são um bom sinal para o que vem aí”.

Atribui tamanha eficácia ao facto de o Tell a Story ter “uma ideia muito forte” e, ao mesmo tempo, ser um trabalho comunicado em várias áreas – no terreno, no papel, no digital. “É um trabalho que tem uma complementaridade muito grande e, por isso, por detrás de um ótimo conceito consegue ter várias ideias a suportar esse mesmo conceito. Por exemplo: além de todo o design, criação de marca, atividade na rua, etc, criámos uma fonte manuscrita ‘escrita’ pelos maiores escritores portugueses de todas as gerações: Pessoa, Saramago, José Luis Peixoto… Uma pessoa pode fazer um download grátis e escrever com o A do Pessoa, o B do Saramago, e por aí fora”.

Na ótica de Lourenço Thomaz, os prémios são “só e mais nada” o reconhecimento do bom trabalho desenvolvido: “É sinal de que fizemos uma coisa boa, inovadora e diferente para o nosso cliente. E como agência de publicidade que somos ficamos contente por os receber, mas não é esse o nosso drive do dia a dia”. E são bons para o negócio? “É impossível medir, mas posso dizer que nunca ganhámos uma conta por termos ganho este ou aquele prémio”.

E depois do El Ojo? Há vários projetos na forja, para Portugal, para Angola e para o Brasil. “Mas estão na forja, portanto não vou falar disso”…

Quem também não desvenda os trabalhos que aí vêm é Luciana Cani, a diretora criativa executiva da Leo Burnett Lisboa, que trouxe de Buenos Aires o prémio de melhor diretora criativa nacional. Uma distinção que – diz ao Briefing – significa que a Leo fez um bom trabalho este ano e tem conseguido manter a reputação criativa que sempre teve. E – garante – “ser a diretora criativa de uma equipe como a que eu tenho aqui é que é o meu grande premio. Mesmo”.

Na competição global, foi o projeto Carma que valeu o prémio arrecadado pela agência. Não é o primeiro prémio do projeto, o que Luciana explica pelo facto de ser experimental: “Tivemos a ideia mas não sabíamos se seria mesmo possível construir uma bicicleta assim. E depois deste projeto, tivemos mais duas experiências parecidas – “A Exposição que não devia existir” e um novo projeto que vamos lançar nas próximas semanas. Posso dizer que o que a Carma tem de especial é esse insight: ‘Boa ideia… mas, será que é possível fazer?'”. A tendência veio para ficar na Leo: “Algumas agências já têm inclusive um espaço onde os criativos podem construir e experimentar, uma espécie de laboratório. Adoro essa tendência e espero conseguir cada vez mais trabalhar em projetos assim”.

Dos prémios, não só deste, diz que “para os criativos valem o reconhecimento de um trabalho bem feito”.” E isso gera satisfação, que gera pessoas felizes, o que na minha opinião é essencial para se fazer uma boa agência”, remata. Valem também reputação que pode atrair clientes: “Se o nosso produto é a criatividade, quando um cliente realmente procura isso, porque não pensar na Leo como parceira?”.

Já para a Torke + CC os prémios trazidos de Buenos Aires vêm, primeiro que tudo, validar, internamente e com os nossos clientes, o novo posicionamento e métodos de trabalho da agência. Diz Hugo Tornelo, creative ideator, que o objetivo é “deixar para trás o ‘estigma’ ligado à antiga Torke do Marketing de Guerrilha e reforçar o posicionamento em Consultoria Criativa, métodos e processos de cocriação com os clientes, e a criação de novos produtos e serviços próprios ou para marcas”. “Queremos mostrar que a ativação de marca passa por um pensamento muito mais abrangente e pluridisciplinar”, resume, ao Briefing.

Foi o Gym Plan, criado para a Rexona, que valeu à Torke + CC a distinção no El Ojo: um projeto que, segundo Hugo, tem tido o devido reconhecimento pelo fator inovador que traz, além de que é uma ideia simples, forte, eficaz e contextualizada aos objetivos do desafio dado à agência pelo cliente. “Os melhores projetos são os que juntam os clientes e nós, a agência, de forma próxima e a trabalhar em partilha de informação e objetivos. E é isso que fez com que uma campanha como esta já tenha gerado mais de 350 mil euros em retorno mediático”, sublinha.

Hugo Tornelo tem ainda um olhar para os prémios que os portugueses conquistaram no El Ojo, para dizer que são reflexo de que a criatividade nacional está de boa saúde, com uma forte qualidade. “Basta reparar que Portugal foi um dos países com mais distinções nesta edição”.

E da Torke + CC o que se pode esperar? “Uma abordagem forte, inovadora, pragmática aos desafios que nos são criados, nos diversos mercados onde estamos – Portugal, Brasil, Benelux, Istambul. Resumindo pode-se esperar tudo. Temos uma equipa extraordinária, conseguimos sentir que em todos os mercados estamos em fases diferentes mas ascendentes, sentindo que a aposta em sermos inovadores através da criatividade e da ousadia das nossas ideias pode ser diferenciadora”.

fs@briefing.pt

Sexta-feira, 08 Novembro 2013 13:45


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