A uma só voz

Criatividade e meios a uma só voz. É esta a razão de ser do memorando de entendimento que a APAP e a APAME assinaram. Porque têm uma agenda comum na essência e porque se assumem como zeladores de um ecossistema de que também fazem parte anunciantes e meios. Miguel Barros e André Freire de Andrade explicam porquê.

Miguel Barros, o presidente da APAP, foi um dos signatários do acordo. Rejeita que as associações tenham estado de costas voltadas, apenas não tinham uma agenda comum. Agora estão de frente uma para a outra e falam a uma só voz.

André Freire de Andrade, presidente da APAME e o outro signatário, recorda que as agências de meios começaram por constituir uma seção da APAP, tendo as características do negócio e a forma como são tratadas de forma independente pelos anunciantes ditado a autodeterminação. “Na altura não houve engenho e arte para arranjar logo uma solução que desse o devido protagonismo a ambas e cada uma seguiu o seu caminho. O que se viu, ao longo destes anos, é que nunca andámos confrontados com temas que não fossem comuns”. Foi quanto bastou para, mantendo a identidade de cada uma das associações, trabalharem no sentido do entendimento.

Conduzirá esse entendimento à integração? Para já, é uma pergunta sem resposta. Diz Miguel Barros que, por enquanto, uma secretária-geral em comum (Sofia Barros) e direções separadas é “o modelo perfeito”: “Não sei se é ou não um modelo de transição ou um modelo definitivo, mas é o modelo certo para falarmos do que temos hoje nas agendas e para perspetivarmos o que vai ser para a frente”.

Nessa agenda comum o principal ponto é a defesa do sector. Defender a publicidade, pelo papel relevante que tem para a economia. “Acreditamos que a publicidade é um fator importante para a sociedade, queremos promove-la e regulá-la”, afirma André, secundado por Miguel, que reitera que as questões da indústria são as mesmas, sendo indiferente se se fala da criatividade ou dos meios.

Também os anunciantes vão sair a ganhar. Os presidentes das duas associações acreditam que, ao defenderem os interesses da indústria da comunicação, também defendem os interesses dos anunciantes. Com a vantagem de, estando mais alinhados e tendo uma posição mais consistente, mais fortes serão juntos dos vários stakeholders do mercado. E um dos pontos que interessa aos anunciantes prende-se com as mudanças que estão a acontecer a nível dos consumidores e dos meios. Está tudo a mudar e muito rapidamente: “As alterações são macro e iguais na media e na criatividade. Estando juntos a discutir essas alterações vai ser mais interessante, mesmo para os anunciantes. Produz conteúdo mais integrado”, afirma Miguel Barros. “Vamos olhar para o conteúdo e para a compra de espaço de uma forma diferente, independentemente do que o futuro nos reserve. Não sabemos se vamos ter de rever modelos de avaliação, de remuneração. Mas juntos vamos fazê-lo melhor”, acrescenta. André Freire de Andrade sublinha que, estando alinhadas, as duas associações, que são o vértice da relação entre anunciantes e meios, desempenharão o papel de zelador deste ecossistema, serão “o garante de que tudo é feito de forma séria e consistente”.

fs@briefing.pt 

Quinta-feira, 26 Dezembro 2013 11:36


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