O que é cool é bom para o negócio? O João explica

O que é cool é bom para o negócio? O João explicaQuem afinar o processo de coolhunting para os negócios, vai, com certeza, explorar novas oportunidades na relação com os seus clientes. A convicção é de João Peres Alves, vice-presidente da AYR Worldwide e presidente do Trends Research Center, a propósito do Master em Tendências e Gestão da Inovação que começa esta sexta-feira, no IADE, em Lisboa.

Briefing | Porquê um master que associa tendências e gestão da inovação ao coolhunting?

João Peres Alves | O processo de identificação de tendências é baseado no coolhunting. Para nós, cool é tudo aquilo que é atrativo, inspirador e tem potencial de crescimento. Assim, o coolhunting é um processo de observação, crítica e analítica. O Master consiste precisamente em ensinar a interpretar as tendências e a observar tudo o que nos rodeia à luz das mentalidades do consumidor. Por trás das tendências estão as mentalidades e quando se verificam mudanças de mentalidades, podem surgir novos comportamentos e novas tendências.

A gestão da inovação é a aplicação natural da identificação das tendências – se sabemos que determinados comportamentos estão a levar o consumidor em determinada direção, alteramos ou criamos produtos e serviços de forma a ir ao encontro dessas novas necessidades.

Briefing | No centro desta formação, estão o consumidor e respetivos comportamentos. Que desafios colocam as mudanças de consumo em contexto de crise?

JPA | As crises trazem sempre alterações nos nossos comportamentos. Mas alterações de comportamento não são “novas tendências”. Por outro lado, há alterações profundas na sociedade que nascem, muitas vezes, nas crises. Veja o exemplo das marmitas. Se virmos que originalmente eram uma coisa de trabalhadores da construção, logo associadas a determinado segmento de consumidor, e hoje são quase um acessório, passando o exagero, mas perfeitamente assumido em qualquer segmento, verificamos que há uma alteração profunda de comportamento – Eu tenho de almoçar, mas já não vou gastar aquele dinheiro todos os dias num restaurante e, ainda por cima, posso comer comida mais saudável. Poupo dinheiro e trato da minha saúde. E se tenho de passar a andar com comida comigo, então tenho de arranjar forma de a transportar, mas que seja uma coisa estética e funcional. Isto reflete que o consumidor está muito mais racional relativamente ao dinheiro que está disposto a gastar com determinados bens e serviços. Não é o preço que se paga, mas sim o que recebemos em troca pelo que pagamos.

Briefing | Até que ponto conhecer esses comportamentos é determinante para os negócios?

JPA | É o exemplo que lhe dava agora. Ultrapassando o detalhe de haver uma oportunidade no negócio das marmitas, quem pedir o valor justo por um determinado bem ou serviço, vai vender. Se o consumidor percecionar que está a pagar mais do que vai ter em troca do seu dinheiro, não compra. Mas estava a falar do “Rational Consumer”, que é uma das tendências de que mais manifestações encontramos. Podemos falar do comportamento sustentável, da nossa exigência e esperança com as organizações que nos defraudaram, da valorização e sentimento de realização que exigimos para nós próprios, etc. Conhecer o consumidor é determinante para os negócios. As tendências são uma ferramenta importantíssima nesse processo, até porque permitem antever as necessidades do consumidor e preparar essa oferta de antemão.

Briefing | De que ferramentas devem as empresas munir-se para conhecer melhor o seu consumidor?

JPA | O estudo das tendências, sem dúvida! Seja pelos relatórios de tendências, normalmente anuais, seja em estudos à medida. E ainda, estudos de mercado, inquéritos de satisfação, identificação de subsegmentos ou possíveis nichos e testá-los.

Briefing | De que modo é que este master vai contribuir para uma melhor análise do mercado e identificação das soluções mais adequadas?

JPA | Nós temos um questionário que os participantes respondem no fim de cada Master, para percebermos onde podemos melhorar, identificar algum ponto que foi menos bem, etc. Invariavelmente recebemos comentários de que “o Master mudou a minha forma de ver o mundo”. Acho que esta frase ilustra bem o Master em Tendências. Os participantes vão tomar contacto com as mentalidades e tendências do consumidor e vão ver e sentir, através do coolhunting – que se realiza no terreno em duas partes, uma em Lisboa e depois outra em Berlim, durante 3 dias – como se manifestam essas tendências. A parte internacional do coolhunting é mesmo para colocar as pessoas em ambientes novos, não na perspetiva de conhecer ou não a cidade para onde vamos, mas sim se essa cidade é cool, no ponto de vista das tendências.

Briefing | Qual o papel do coolhunting neste processo?

JPA | Como lhe referia, é andar “à caça” de tudo o que é atrativo, inspirador e tem potencial de crescimento. Não tem necessariamente que ser uma coisa gira ou até positiva. Depois do Master, é impossível não se ficar um coolhunter para o resto da vida. Não é uma mudança de vida, mas passamos a ver o que nos rodeia com outros olhos. Olhos de oportunidade, de interpretação e crítica dos acontecimentos diários e do que podem indicar. Quem afinar esse processo para os negócios, vai, com certeza, explorar novas oportunidades na relação com os seus clientes.

fs@briefing.pt

Terça-feira, 23 Setembro 2014 11:57


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