O pobre, o rico e a audaz

O pobre, o rico e a audazNum único slide, uma única ideia: chamaram-lhe “the social media phenomenom”, antecipando, há sete anos, na primeira edição do Verge em Lisboa, toda uma revolução de hábitos que se haveria de seguir.

Na altura o Yahoo ainda era, a nível global, o principal destino online. Hi5, Orkut e Facebook, apesar do crescimento assinalável, apenas disputavam posições mais discretas no top 10. Foi apenas em 2008 mas, quando se respira para pensar, parece uma realidade do século passado. Hoje, se não subsistem dúvidas sobre a forma decisiva como os social media alteraram profundamente a forma como nos relacionamos, acedemos a informação, tomamos decisões e compramos, é precisamente o Yahoo que merece destaque, mais pelas dúvidas que pelas certezas. “Don’t Count Yahoo Out”, escrevia há um par de números a Fast Company, num artigo em redor da estratégia da CEO Marissa Mayer e dos seus planos, ainda em progresso, para tornar a oferta mais colaborativa e, sobretudo, para reinventar para a smartphone era.

Sempre foi esse o propósito do Verge: antecipar tendências, discutir o futuro e inspirar o presente, através da partilha de experiências, vindas um pouco de todo o mundo, de quem empresta a sua energia e visão e se empenha em fazer acontecer, sabendo que o caminho se faz caminhando e que falhar faz parte do dia-a-dia de quem é, ou pretende ser, bem sucedido. Como as redes sociais ou mobile, o content marketing é um tema central, ao qual se dedicou a Ogilvy Digital Summit.

Numa era em que a atenção é o bem mais escasso, a definição simples, mas não simplista, para content marketing é marketing tão bem feito que motiva as pessoas a se envolverem: seja por via da história que se conta ou da utilidade que se acrescenta. Como sempre, como dantes, não existem fórmulas mágicas. O certo e o errado dependem de cada marca, de cada objetivo, de cada contexto. Com três certezas.

1. Não é uma questão de budget. Para David Fonseca, o músico, significa autenticidade. É um dos artistas que melhor tira partido da relação direta com os seus fãs. E um exemplo a seguir. Pela atitude – de testar e aprender a cada nova iniciativa, numa dinâmica de constante inovação – e pela humildade – de quem se presta a ouvir quem o “consome” e que empresta o melhor de si próprio, de forma genuína, com produções quase sempre artesanais.

2. Menos é mais. Para Ulrich Schwarze, Head of Audi Content Factory, significa pragmatismo. Ter tempo para fazer. Para errar. Para fazer bem. Parar errar rápido. E aprender com isso. É o que a marca tem feito ao longo do último ano. Sabe para onde quer ir e tem explorado a melhor forma de lá chegar: sem disparar em todas as direções, sem entrar em modo de pânico a cada instante. Mesmo quando investe impressionantes 1.2 milhões de euros numa única ativação.

3. É melhor pedir desculpa, que pedir autorização. A ideia que se tem, à partida, da Coca-Cola Company é a de uma empresa ágil, arrojada, dinâmica, inventiva. E é-o. Pelas suas pessoas. Como todas as grandes organizações, também pode ser lenta, burocrática, conservadora. E há que o desafiar. “Todas os projetos que hoje aqui vimos, estiveram a uma pequena distância de não acontecer. Foi preciso coragem para arriscar e avançar,” anunciou Danielle Henry, Global Communications Group Director.

Daqui a mais sete anos teremos seguramente uma melhor perspetiva sobre as verdades e as consequências de mais um dia a desafiar o status quo.

Terça-feira, 06 Outubro 2015 10:46


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