O mercado voltou a ter apetência pelas ideias. É a convicção da Laranja Mecânica

Na laranja Mecânica acredita-se que o mercado voltou a ter apetência pelas ideiasNos 25 anos da Laranja Mecânica, o diretor criativo, Luís Rainha, faz uma leitura crítica do mercado nacional, afirmando que o panorama qualitativo voltou a ser sombrio. Acredita, porém, que o mercado voltou a ter apetência pelo fundamental: ideias.

Neste mercado, a agência faz da versatilidade a sua ferramenta, ao ponto de afirmar que é um canivete suíço para os clientes.

Briefing | O que mudou na laranja Mecânica em 25 anos?

Luís Rainha | Temos hoje a noção de termos percorrido vários ciclos e de agora nos posicionarmos para acompanhar a saída da economia nacional de um período difícil. Num tempo e em contextos diferentes, reafirmamos a estratégia de sempre: ajudar a dar às marcas que nos são confiadas vozes únicas e a que se presta atenção.

Saber o que é preciso dizer e falar às pessoas certas no tom de voz certo. Hoje há sistemas de comunicação que mudam a cada mês, há tendências culturais e de consumo igualmente instáveis; a agilidade e a atenção são atributos fundamentais para a Laranja Mecânica continuar relevante e em crescimento.

Briefing | E o que mudou na publicidade made in Portugal nesse mesmo intervalo?

LR | No início da década de 90, tudo estava em mudança neste mercado; em termos criativos, houve por fim uma espécie de passagem à idade adulta, com clientes importantes a perceber que valia a pena investir em comunicação original e provocadora. Hoje, com as aflições da crise, tudo parece de novo cinzento e previsível, com os decisores a refugiarem-se no que lhes parece mais seguro e comprovado, sem riscos. Claro que entretanto tudo mudou, com a proliferação de nichos de públicos, o advento de novos e radicalmente diferentes canais de comunicação… Mas infelizmente o panorama qualitativo voltou a ser sombrio. A qualidade média da publicidade que por cá se veicula em mass media é muito fraca.

Briefing | A Laranja Mecânica posiciona-se como uma agência de alma ibérica. Porquê?

LR | O primeiro escritório que abrimos fora de Lisboa foi em Madrid. Para nós, sempre houve muito mais afinidades entre os dois países ibéricos do que separações. Há uma certa forma de estar ibérica; espontânea, aberta. Este estado de espírito será mais solar em Espanha, mais introspetivo em Portugal, mas integra-se num contínuo que pode e deve ser habitado por quem queira comunicar de forma eficaz em qualquer um desses mercados. E há que confessar que todos nós poderemos sempre aprender com a interação próxima com um mercado mais maduro e exigente, como é o espanhol.

Briefing | Qual o peso dos negócios em Espanha e Angola na faturação da agência?

LR | O nosso processo de internacionalização foi outro dos aspetos da agência que teve de se adaptar aos novos tempos. Com a chegada em força da crise ao mercado publicitário – português e espanhol, mas não só – optámos por redimensionar a presença da Laranja Mecânica nesses dois países e no Brasil. Hoje a Laranja está aí presente através de escritórios de representação, continuando ativa mas de forma mais contida e prudente. No entanto, mesmo em Angola, com as presentes dificuldades na transferência de divisas, continuamos a trabalhar, embora de forma menos direta, e a conquistar novos clientes.

Briefing | O mercado português é o core ou nem por isso?

LR | Mesmo nos dias de investimento intenso na internacionalização, Portugal sempre foi centro e foco primordial da nossa atividade.

Briefing | O que oferece de diferenciador às marcas?

LR | Temos por estratégia usar a nosso favor os constrangimentos do mercado; provando às marcas, tenham elas grandes orçamentos de comunicação ao dispor ou não, que comunicar, estabelecer diálogos com os consumidores e fazer parte das suas paisagens mentais não tem de ser dispendioso nem arriscado. Com a nossa experiência enquanto empresa ágil e adaptativa, combinada com a juventude e atualização dos nossos quadros, oferecemos caminhos cost-effective para posicionamentos eficazes e comunicação impactante e memorável. Isto da conceção à produção, seja em publicidade tradicional, em ações one-to-one ou digitais. Trabalhar com uma boa agência não tem de custar fortunas. Queremos provar isso a cada dia, a cada cliente.

Briefing | Ainda está “à frente do seu tempo”?

LR | Creio que hoje só por vaidade alguém, num mercado periférico e pouco evoluído como é o nosso, afirma estar à frente destes novos tempos. Vivemos dias de fluxo, em que grandes mudanças na paisagem mediática se anunciam, em que novas convergências e plataformas surgem mês sim, mês não. Manter uma posição produtiva na crista da onda já é trabalho a tempo inteiro; mas podemos garantir aos nossos clientes que nenhuma novidade se manterá fora da nossa atenção durante muito tempo. Há aqui um processo contínuo de adoção de novas tecnologias digitais, de incorporação de know-how inovador.

Briefing | Como é que a agência se promove?

LR | Sempre optámos por fazer do nosso trabalho e da sua versatilidade a nossa principal ferramenta de promoção. Nunca fizemos uma só peça “fantasma”, para consumo de festivais, e mesmo assim já ganhámos dezenas de prémios. Mas cada ciclo tem as suas exigências e a Laranja Mecânica, preparando-se para continuar o presente crescimento, terá de estar sempre mais visível. Em breve teremos novidades.

Briefing | Quais os trabalhos mais recentes?

LR | Além de campanhas para marcas internacionais que desejam ter uma voz mais relevante no nosso mercado, como a Prosegur ou a Generali, temos lançado intervenções de marcas nacionais interessantes, como o Grupo Leya, O Grupo Germano de Sousa, a AM48 e a Quinta Marques Gomes. Aliás, esta última integra soluções de comunicação imobiliária inovadoras, com uso intensivo de sistemas de Realidade Aumentada e de Realidade Virtual.

Ou seja, do grande consumo ao mercado editorial e à indústria farmacêutica, a Laranja Mecânica prova quotidianamente que sabe ser uma “canivete suíço” para os seus clientes, oferecendo toda uma panóplia multidisciplinar de soluções numa só agência. Versatilidade, atualização contínua; eis porque continuamos a atrair novos clientes, enquanto mantemos os anteriores.

Briefing | Que perspetivas para 2017?

LR | Talvez não por acaso, temos conquistado alguns novos clientes, cujas campanhas estamos neste momento a ultimar. Mais e melhor trabalho é sempre uma perspetiva que queremos alimentar. Em termos mais concretos, a recente mudança de instalações irá proporcionar-nos a possibilidade de ampliarmos um pouco a nossa estrutura, sobretudo a nível criativo.

Após estes anos de retraimento, o mercado mostra de novo apetência por algo de fundamental: ideias. Ideias que distingam, que persuadam, que vendam. E esse é, desde 1991, o campo em que a Laranja Mecânica sempre se distinguiu.

fs@briefing.pt

Segunda-feira, 10 Outubro 2016 12:29


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