O que faz da Ramirez uma marca bem conservada?

Apresenta-se como a mais antiga empresa de conservas de peixe em laboração no mundo. É portuguesa e familiar. A Ramirez está na quinta geração de uma história que começou no Algarve, no século XIX. À frente está Manuel Ramirez, mas a sexta geração já está a postos, com o filho, António, a coadjuvá-lo.

O que faz da Ramirez uma marca bem conservada?

“Cinco líderes de grande criatividade e dinamismo, bem como uma legião de dedicados colaboradores, construíram um futuro ancorado num passado de sucesso”, afirma o administrador, enquadrando um percurso que se confunde com a família que lhe dá nome.

Estava-se em 1853 quando o andaluz Sebastian Ramirez rumou a Vila Real de Santo António e fundou uma fábrica de produção de juta e conserva de peixe. Foi o filho, Manuel Garcia Ramirez, que lançou ao mar o primeiro galeão sardinheiro a vapor português, que permitiu expandir os negócios a Olhão, Albufeira e Setúbal. E foi o neto, Emílio Garcia Ramirez, que, nos anos 40, se dirigiu para norte, deslocando a principal unidade produtiva para Matosinhos, onde estava a pesca da sardinha e o porto de Leixões. Manuel Guerreiro Ramirez, que faleceu este ano, deu ao mundo a lata de abertura fácil e dotou a empresa, garante o filho e atual administrador, da “mais moderna e ecológica unidade produtiva do mundo no setor”. Manuel Ramirez assegura que tem respondido ao “desafio da inovação, nos domínios da diversificação da embalagem, da segurança alimentar, do processo produtivo e do posicionamento no segmento da alimentação saudável”.

Hoje, são várias as marcas centenárias agregadas à conserveira, entre elas Cocagne, La Rose, Al Fares, Renommée, Berthe ou The Queen of The Coast. O atum e a sardinha têm o protagonismo entre os produtos, mas as escolhas são cada vez mais alargadas, com bacalhau, lulas ou anchovas.

Neste percurso, Manuel Ramirez entende que o posicionamento, comunicação e marketing não podem deixar de ter em consideração essa matriz e longevidade, bem como alguns dos valores de sempre, tais como a alimentação saudável, a dieta mediterrânica, a importância da nutrição. Mas, personalizar a comunicação, associando-a a um líder ou membro da família, nunca foi uma opção, do mesmo modo que “a responsabilidade” inerente ao estatuto de indústria mais antiga do mundo em laboração “impede estratégias mais sensacionalistas”.

Manuel Ramirez acredita que empresas familiares, como a sua, são estruturais na economia portuguesa e constituem o “modelo ideal” para garantir unidade, lealdade e dedicação dos gestores. Reconhece, no entanto, que a sua subjetividade deve ser enquadrada por quadros profissionais “bem identificados” com os objetivos da empresa e da família. “A família representa também a garantia da continuidade dos valores fundadores, como a responsabilidade social, a qualidade e a autenticidade dos produtos, o respeito absoluto pelo ambiente, pelo mar, pelos pescadores, pelos colaboradores”, diz, apontando como objetivos estratégicos – além do sucesso empresarial – a manutenção do controlo transgeracional e o reforço contínuo do vínculo com a comunidade. Essa ligação é especialmente visível no período de Natal, como festa da família. É que a empresa é constituída por muitas famílias, algumas com mais de cinco elementos no quadro de colaboradores. “O Natal é a melhor época para cultivar os valores da organização, fortalecer laços e agradecer a colaboração e o empenho de todos os que contribuem para o seu sucesso. É o melhor momento para reunir a ‘família’”, conclui.

Segunda-feira, 20 Fevereiro 2023 12:20


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