“É importante que as pessoas vejam a tecnologia como uma oportunidade para aumentar a sua produtividade”

“É importante que as pessoas vejam a tecnologia como uma oportunidade para aumentar a sua produtividade”

A 2050.Briefing entrevista a Sustainability Lead da IBM Consulting Portugal, Inês Santos, sobre o mercado de trabalho do futuro.

2050.Briefing | É a retenção de talento, na área da sustentabilidade, uma oportunidade para as empresas?

Inês Santos | É, certamente. Se pensarmos que, hoje em dia, passamos por uma crise de talento gigante, em particular nas tecnológicas, a sustentabilidade vem trazer aqui um boost especial. Um estudo que a IBM fez recentemente diz que sete em cada dez candidatos têm mais propensão a candidatar-se a uma empresa que se apresente como sustentável ou socialmente responsável. Ou seja, a sustentabilidade vai contribuir tanto para a captação, como para a retenção. 

Adicionalmente, pensamos que – isto em particular para as gerações mais novas – as pessoas valorizam cada vez mais a sua missão de vida, o seu propósito de vida, e que estes estejam associados e sejam trazidos para o trabalho. Então, se trazemos sustentabilidade para o trabalho, as pessoas podem rever-se, e, assim, contribuir para a retenção.

Num artigo vosso, partilharam que o Fórum Económico Mundial previa que as novas tecnologias iriam influenciar 85 milhões de postos de trabalho ao nível mundial e criar 97 milhões de novos postos de trabalho, entre 2020 e 2025. As novas tecnologias são um obstáculo ou uma oportunidade para os profissionais no futuro?

Sou bastante otimista nesse aspeto e considero que são uma oportunidade. Se virmos, as profissões têm sido desenvolvidas e evoluídas desde o tempo da revolução industrial, quando as pessoas saíram do campo para ir para as cidades trabalhar nas fábricas, e isso não deixa de ser verdade agora com a era da digitalização e com o trazer das novas tecnologias – automação, Inteligência Artificial (IA), cloud computing. 

Acho que é importante que as pessoas vejam a tecnologia como uma oportunidade e uma ferramenta para aumentar a sua produtividade e facilitar o trabalho, e não com o medo de significar a perda de emprego. Agora, para isto acontecer, também é importante que as pessoas tenham consciência que se devem focar na aprendizagem contínua e no reskilling das suas competências, para se conseguirem adaptar ao que as novas tecnologias têm, conseguirem fazer atividades de maior valor e serem mais por menos numa organização.

Então, as competências de cada trabalhador necessitarão sempre de uma atualização…

Sim, até porque cada vez mais começam a aparecer os chamados “green jobs”. Um estudo recente do LinkedIn mostra que, nos últimos cinco anos, houve um aumento de 8% no que são as necessidades, as vagas para green jobs, mas que o número de candidatos com as green skills aumentou apenas 6%. Há aqui este gap e, por isso, é importante que, a curto prazo, as empresas invistam no upskilling dos seus trabalhadores, através da estimulação, e que as pessoas aprendam o que são as green skills, para que estejam mais prontas para apanhar estes trabalhos.

No futuro, quais as competências dos profissionais que serão mais procuradas pelas empresas?

Tomando em consideração a sustentabilidade e a tecnologia que o Word Economic Forum identificou como as macrotendências que iriam influenciar o trabalho, no futuro, será muito importante se pensarmos em tudo o que é ambiente, se as pessoas investirem em formação, se se perceberem os princípios de ESG – em que é que consiste e aprender o pilar um, dois, três, etc. – e se se souberem quais são as diretivas que existem.

Ao nível das tecnologias, penso que a IA, a cloud computing, a automação e a blockchain serão as mais importantes a aprender. A par disto, as chamadas “green skills”, que começam a aparecer cada vez mais, devem ser associadas às soft skills, que já se conhecem hoje em dia, mas que estão mais focadas no pensamento analítico, pensamento de longo prazo, e capacidade de pensar em soluções que tenham em consideração a natureza e a otimização de recursos. Também será muito importante para os trabalhos do futuro.

Já um dos desafios maiores que a sustentabilidade tem neste momento está relacionado com os dados e a automatização de funções, por isso, se as pessoas focarem a sua formação em tecnologias ligadas a esta área, estarão a contribuir positivamente para fazer este caminho da sustentabilidade.

 

Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição de setembro de 2023 da 2050.Briefing.

Quarta-feira, 12 Junho 2024 11:12


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