Entre tantos (e tão difíceis de vencer) desafios de sustentabilidade, há, porventura, um que é a alma master de todos – cumprir, a bem da Humanidade, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas. São 17, uns mais aspiracionais do que outros (como acabar com a fome e com a pobreza nos próximos sete anos?). Mas todos serão, porventura, de cumprimento impossível sem um fator essencial: inovação. Na verdade, tudo indica que os ODS apenas serão atingíveis através de processos e tecnologias que ainda não existem. O que equivale a dizer que hoje, mais do que nunca, o envolvimento das empresas é essencial – são elas que, em matéria de inovação, têm o track-record de lidar com o risco (sem arriscar, não há como inovar), os recursos (humanos e financeiros), os processos (tão críticos ao processo inovativo), os ciclos longos (não dependentes de eleições populares), e tantos outros fatores de que o avanço tecnológico em larga medida depende.
Quando, no início do século XX, um dos maiores problemas com que as grandes cidades se debatiam era o “excesso de carruagens puxadas a cavalos” (e suas consequências), a Ford inventou o automóvel. Ficou célebre a reflexão de Henry Ford: “Se eu tivesse perguntado o que as pessoas queriam, elas teriam respondido que queriam cavalos mais rápidos”.
Então, como hoje, não é de inovação incremental que precisamos: é de invenção disruptiva. Sem ela – logo, sem empresas inovadoras – o cumprimento dos ODS pode não passar de uma boa intenção.
Margarida Couto, presidente do GRACE

