Será a descarbonização um desafio ou uma oportunidade para as empresas?

As empresas que investirem hoje na neutralidade climática irão estar mais bem preparadas para os desafios da economia de amanhã. Ao 2050.Briefing, a secretária-geral, Filipa Pantaleão, diz que as organizações devem “abraçar uma descarbonização rápida e profunda”.

Será a descarbonização um desafio ou uma oportunidade para as empresas?

De acordo com o estudo “Soluções empresariais para a neutralidade carbónica até 2050”, desenvolvido pelo BCSD Portugal, apesar de se encontrarem em diferentes graus de maturidade e de terem algumas barreiras por ultrapassar, as tecnologias necessárias para a transição para a neutralidade carbónica “já existem e são amplamente conhecidas pelas empresas nacionais”. A secretária-geral, Filipa Pantaleão, cita um estudo da Siemens lançado em 2023, que refere que “o principal problema da descarbonização é que o progresso está a ser demasiado lento nos sistemas estratégicos, isto é, energia, mobilidade e edifícios”, avançando que menos de 50% das organizações esperam atingir os seus objetivos até 2030.

Portugal foi o primeiro país a estabelecer o compromisso de neutralidade carbónica em 2050, na COP 22, que teve lugar em Marraquexe, em 2016. De forma a concretizar este objetivo, foi desenvolvido o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC2050), que define as principais linhas de orientação, e identifica opções para diferentes cenários de desenvolvimento socioeconómico para este compromisso. Na perspetiva de Filipa Pantaleão, este pioneirismo reflete-se nas empresas, “que têm vindo a acompanhar as exigências esperadas e tentando corresponder aos desafios”, sendo que, em alguns fóruns, as empresas portuguesas têm sido reconhecidas como “agentes de referência” nesta transição. Apesar de as instituições já considerarem a sustentabilidade necessária aos seus negócios e já implementarem ações e iniciativas nesta área, ainda existem diversas oportunidades de melhoria. A responsável enumera algumas delas, como a implementação de estratégias robustas e que deem resposta aos principais impactos e dependências das empresas e suas cadeias de valor.

A associação destaca que a sustentabilidade é, cada vez mais, um fator de competitividade empresarial e que será determinante para atingir os objetivos económicos estabelecidos a longo prazo. “O foco nos critérios ESG permite às empresas evitarem consequências climáticas mais severas, criarem valor nas suas cadeias de fornecimento, produzirem riqueza com menor intensidade de emissões de carbono, mas também dá um sinal de que estão a acompanhar a mudança dos padrões de consumo e transformações das economias”.

Alcançar a meta de atingir níveis de emissões líquidas nulas até 2050 exigirá mudanças “significativas” em todos os setores, que podem ser agrupadas em cinco categorias: eletrificação e energia de baixo carbono; novas cadeias de valor; eficiência energética e outros; circularidade; agricultura, florestas e uso do solo. Apesar desta intenção, e o futuro passar pela economia circular, apenas 7,2% segue este modelo sendo que, para ser amplamente adotado, é necessário “passar de uma lógica de eficiência para uma lógica de suficiência”.

Segundo o mesmo relatório, operacionalizar a transição para uma economia “neutra em carbono, circular e coesa”, nas suas múltiplas vertentes, implicará a mobilização de investimentos “significativos” em todos os setores da sociedade, os quais devem, ao mesmo tempo, assegurar a transição justa, estando previsto um valor aproximado de 1 bilião de euros no RNC2050 para este fim. Em paralelo ao investimento público, esta estratégia identifica ainda outros instrumentos financeiros promovidos pelo governo que terão um “papel fundamental” na descarbonização efetiva da economia, tais como: a reforma da política fiscal de modo a estar alinhada com o objetivo de neutralidade vigente, “promovendo a alteração de comportamentos, e permitindo a geração de receitas que possam ser aplicadas em medidas de descarbonização e de garantia de uma transição justa”; e a promoção das políticas de preço do carbono, considerada como uma das medidas mais custo-eficazes de incentivo à redução de emissões. 

Simão Raposo

Quarta-feira, 26 Junho 2024 12:05


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