Comunicação

Oh Rafael Marques, afinal sempre havia Soros

Em Agosto do ano passado fiz publicar um artigo sobre um conjunto de coincidências entre as actividades políticas do activista angolano e jornalista Rafael Marques e os interesses do especulador global e filantropo George Soros.

quarta-feira, 23 abril 2014 11:13
Oh Rafael Marques, afinal sempre havia Soros

O texto, cuja leitura pode ser recuperada aqui, levou Rafael Marques a abrir uma conta no Twitter para me chamar mentiroso e a patrocinar um processo contra mim junto da Justiça portuguesa.

Ora, passados uns meses sobre o meu escrito, são agora conhecidos alguns factos indesmentíveis que reforçam a tese da coincidência.

Decidi trazê-los a público, embora nos limites estritos de uma publicação profissional, por estar convencido de que Rafael Marques ignorava-os na ocasião em que aceitou o contrato da Forbes e que gostará de ficar informado acerca deles.

Em primeiro lugar recordo que este episódio teve origem na escolha pela revista norte-americana de um activista político ligado, pelo menos no passado, ao designado "Soros Media Empire" como fonte única e co-autor de um artigo sobre a empresária angolana Isabel dos Santos.

É sabido que Rafael Marques trabalhou, pelo menos durante 7 anos, como delegado em Angola da Fundação Open Society, uma das muitas financiadas por Soros. É igualmente conhecido que a acção movida contra Angola por Rafael Marques perante o Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas, na Suíça, foi patrocinada pela mesma Fundação.

Agora, o que revelações recentes permitem acrescentar é a coincidência temporal da encomenda da Forbes com um negócio em que se antagonizam os interesses de Isabel dos Santos e de George Soros.

Nos fundamentos invocados pelos sócios angolanos da Unitel, entre os quais a própria empresa pública Sonangol, para reivindicarem o exercício do direito de compra da participação na telefónica de uma sociedade chamada PTI, escreve-se: "Da interpelação na assembleia geral convocada para o efeito, resultou claro a quebra de confiança entre os accionistas, tendo, em consequência, a accionista PTI SGPS SA, em carta dirigida às restantes accionistas em Julho de 2013, oferecido as suas acções para venda".

Portanto, a fazer fé no atrás citado, quis o senhor do acaso que governa as nossas vidas que, no Verão passado, quando Rafael Marques andava a escrever o artigo para a Forbes, uns accionistas da Unitel estivessem a procurar vender a outros accionistas da Unitel 25% das acções da companhia. Certamente ao melhor preço. Que é como quem diz entre 700 milhões e 900 milhões de euros.

É muito dinheiro mesmo para os milionários globais e com um intervalo de negociação muito significativo.

Sabe-se, mesmo sem as "investigações" que a Forbes faz pela leitura da Imprensa económica de Lisboa, que entre os compradores com direito de preferência se encontrava a visada por Rafael Marques. E, já agora, quem eram (são) os vendedores?

A nossa Imprensa, talvez por excesso de patriotismo, tem-se referido à participação da PTI como sendo da nossa PT. A preocupação pela precisão dos factos leva-me, no entanto, a sublinhar que a participação é da PTI SGPS SA, uma sociedade de facto participada pela nossa PT, mas igualmente detida por um fundo de investimentos nigeriano designado por Helios.

Ora, este é o pormenor fatal - fatal para a credibilidade de Rafael Marques (e da Forbes, mas a Forbes não me meteu nenhum processo...).

Dá-se o caso de a tal Helios ter como sócios mais conhecidos Madeleine Albright (sim, a chefa da diplomacia de Bill Clinton) e... George Soros. Mais: a associação destes nomes à Helios foi assinalada, nos meios financeiros, como uma aposta nas operações de telefonia móvel em África (que é a actividade da Unitel).

Confirma-se, portanto, que o especulador e filantropo George Soros - cujas organizações tanto apoiaram (reparem no cuidadoso pretérito) Rafael Marques - tinha interesses, certamente legítimos, que se opunham aos de Isabel dos Santos, a visada pela Forbes. Isto no preciso, exacto, pontual, específico momento em que Rafael Marques preparava o referido artigo. A encomenda da Forbes foi na mouche. Grande tiro.

Temos de presumir – e eu sou o primeiro a fazê-lo – que Rafael Marques é um idealista bem-intencionado e que os idealistas bem intencionados não fazem a mínima ideia do que se passa no mundo dos negócios. É por isso com a melhor das intenções que faço questão de publicar este artigo. Para que Rafael Marques fique a saber...

Luís Paixão Martins
Consultor de Comunicação

Read here the english version of this article.

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