Comunicação

#ALENTE DE…Mário Viães, o realizador que estaria bem numa banda “da pesada”

Nasceu no Porto, frequentou a Escola Artística de Soares dos Reis, depois a Escola Superior Artística do Porto, onde consolidou a paixão pelo cinema. Aos 22 anos rumou a Lisboa, um passo "imprescindível" para trabalhar como realizador de publicidade: "O mercado de produção publicitária sempre foi centralizado e, se eu queria ir a jogo, seria impensável continuar no Porto", começa por contar Mário Viães.

quinta, 26 julho 2018 12:37
#ALENTE DE…Mário Viães, o realizador que estaria bem numa banda “da pesada”

Neste momento, trabalha apenas para publicidade, tanto no mercado nacional – fazendo parte do leque de realizadores da Quioto – como internacional – através de agentes –, mas está certo de que vai enveredar pelo cinema um dia destes. "A minha paixão é o cinema. Mais dia menos dia irei caminhar para aí. Sempre foi o objetivo e já existem algumas hipóteses e projetos em que estou a pensar, que poderão começar a ganhar forma em breve", avança. E é preciso isso, é preciso acreditar no que se gosta – e nos instintos – para se vingar nesta profissão. Na sua opinião, um realizador tem de "tentar sempre aprender e ouvir quem pode ensinar. Depois, saber falar e ser bem ouvido. Pôr o coração. E, por fim, acreditar no que gosta e confiar no próprio instinto".
Sendo o realizador o responsável por "dar um caminho" aos filmes, acaba por dar igualmente muito de si aos projetos, mais do que o trabalho, mais do que a realização da história. "Existe sempre muito de nós quando se cria. Para mim, uma parte de filmar é sempre um processo de gosto muito pessoal, com aquilo que vejo e acompanho sempre muito presente. Pode vir do que gosto, mas também do que vivo. Por isso, não me importo de usar num filme algo mais pessoal, até algo só meu, desde que seja isso que ele precise", nota, acrescentando que o mesmo acontece com os restantes intervenientes no filme: "Um filme é sempre um trabalho de muitas pessoas. Como tal, também elas trazem muito de si. Um ator, um criativo, um diretor de fotografia ou um editor têm sempre um processo igualmente criativo, em que podem (se o quiserem) buscar às suas vidas influência ou inspiração. Esse conjunto de experiências pode claramente enriquecer a força de um lugar, de uma frase ou de uma música num filme".
E se se inspira nas suas vivências, no que vem "do coração", também se inspira nos muitos – "mesmo muitos" – realizadores que admira. Da velha guarda, salienta o seu gosto pelo trabalho de Kubrick, Tarkovsky, Lynch, Fincher e Wes Anderson; de uma geração mais nova, são Dennis Villeneuve, Nicolas Winding Refn e Garth Davis que lhe enchem as medidas. Ou o olho. Talvez se cruze com um deles, um dia, fora de portas. É que, apesar de um realizador de publicidade poder filmar para qualquer país sem ter de sair da sua "base", seja ela onde for, o realizador não põe de parte a hipótese de arranjar um novo "poiso", noutro país. Crê até que isso o tornaria "mais completo" enquanto profissional. "Parece-me uma ambição normal nesta área. Contar uma história é um ato universal, tal como a sua audiência. E se eu gosto de contar histórias, mais vale que seja para muita gente, gente diferente, com maneiras de pensar diferentes."
A sua história, aqui, também poderia ter sido bem diferente: "Quando era mais novo andei pela música. Estive em bandas, tudo pesadão. Mas diverti-me imenso em concertos e rodeei-me de artistas, o que me ajudou um pouco a abrir a cabeça", confessa Mário Viães, que ainda tentou conciliar as duas áreas. Contudo, depois, "naturalmente a realização passou a prioridade". Ainda assim, faz questão de estar rodeado de música, seja em casa ou no trabalho, e usa música nas rodagens sempre que pode. Diz que só funciona assim.

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quinta, 26 julho 2018 12:41

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