Comunicação

O #RacismoInconsciente está gravado neste projeto

Pedro Almeida, designer gráfico da Bang Bang Agency, e João Elias, copywriter da FCB Lisboa, desenvolveram um projeto de sensibilização para o racismo, com o intuito de mostrar às pessoas que ele está entranhado na cultura portuguesa há muito tempo e que, muitas vezes, é inconsciente e tem de ser eliminado. As imagens com palavras e expressões, que incentivam ao racismo, serão partilhadas nas suas redes sociais.

quarta-feira, 17 junho 2020 11:26
O #RacismoInconsciente está gravado neste projeto

O assassinato do afro-americano George Floyd “sem dúvida” que os motivou, mas a vontade de combater o racismo “já estava latente”. Quando ouviam “em Portugal não há racismo”, ficavam “indecisos entre rir, chorar ou atirar um livro de história à cara” da pessoa.

“Basta ler um bocadinho para perceber que em Portugal sempre houve, há, e dificilmente deixará de haver, racismo. Em muitas ocasiões ao longo da história, o nosso país manteve-se afastado das grandes guerras e conflitos mundiais, mas desta vez não podemos ficar indiferentes ao que se passa nos Estados Unidos. Temos de começar a mudar”, referem Pedro Almeida e João Elias.

Decidiram pesquisar palavras e expressões de origem racista na língua portuguesa. E escolheram algumas “relevantes e usadas por muita gente numa base diária”. “A maior parte dessas pessoas não sabe que, ao usar essas expressões, está a ser racista. Chama-se #RacismoInconsciente e é o tipo de racismo mais difícil de eliminar, porque quem o pratica não sabe que o está a praticar”, explicam.

O trabalho, apresentado em forma de carrocel – como os do Instagram – tem fundo preto e não tem movimento, nem cores estridentes. O foco é a mensagem. Estão escritas frases incompletas, com expressões usadas no dia a dia, que as pessoas vão preencher com as palavras “preto/preta” e “negro/negra”. Quando fizerem swipe, a frase é desvendada na última imagem.

“No final, qualquer pessoa chegará à conclusão de que usa ou já usou essas expressões e foi racista sem ter noção disso. [O projeto] é, também, uma forma eficaz de incentivar os portugueses a pesquisar mais sobre estas expressões e a conhecer a sua origem”, referem.

Pedro Almeida e João Elias não querem associar o projeto a uma marca, nem a uma instituição. É uma iniciativa pessoal, que mostra como veem o problema.

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