Criatividade

O que faz correr a Torke + CC?

Puseram os portugueses a correr, com o "Rexona Corre por Mais", a doar sangue, na The Walking Dead Blood Store, e ajudaram a reunir cerca de 15 mil euros com o leilão solidário da PlayStation. São a Torke+CC e apresentam-se como uma boutique de consultoria criativa que vê no processo de cocriação uma mais-valia.

quarta, 06 maio 2015 13:14
O que faz correr a Torke + CC?

"O nosso contributo é total". É o que diz Rodrigo Rodrigues, partner e strategic ideator da Torke+CC, quando fala do trabalho da agência. Isto porque a Torke+CC trabalha numa lógica de cocriação, ou seja, lado-a-lado com o cliente. Um trabalho que começa na génese de um projeto e que tem como objetivo dar relevância às marcas. "Achamos que a marca tem de ser relevante para as pessoas e para os projetos em que está inserida", concretiza Hugo Tornelo, founder & innovation ideator. E – continua – é por isso que os projetos tendem para um lado mais social. Além disso, as marcas estão cada vez mais a apostar numa componente emocional, porque "perceberam que, ao utilizarem os orçamentos de marketing para ajudarem as pessoas, isso lhes traz good will", refere Rodrigo.

Mas como a Torke+CC faz isso? "É preciso criar algo a que as pessoas possam aderir, fazer parte e partilhar". Por isso, o desafio passa por posicionar as marcas num território novo ou num território que lhes faça sentido, explica o strategic ideator. E, depois de escolhida a causa ou o projeto que terá a missão de posicionar a marca num campo mais emocional, a Torke+CC arranca com o trabalho, apostando na proximidade com o cliente, desenvolvendo workshops de cocriação com as equipas, envolvendo pessoas "de fora", mas sempre encarregada da direção criativa.

A Torke+CC foi, em 2014, responsável por, entre outros, três grandes projetos de responsabilidade social em Portugal: "The Walking Dead Blood Store", "Rexona Corre por Mais", e o leilão solidário do 20º aniversário da PlayStation. Em todos foi convidada a encontrar uma solução que respondesse à necessidade dos clientes.

A agência foi, assim, responsável pela primeira loja de sangue do mundo, em que ajudou a FOX e o Instituto Português do Sangue e da Transplantação a convencer o público a doar sangue. Neste projeto, e tratando-se de uma marca multinacional, destaca-se o contributo da agência que levou ao grande envolvimento dos portugueses, e que originou uma segunda edição da iniciativa.

No projeto da Rexona, a escolha recaiu sobre Jorge Pina para embaixador da causa, e levou à construção de uma escola para jovens "que todos os dias se superam" – a Escola Jorge Pina de Atletismo Adaptado powered by Rexona. Um projeto que conseguiu motivar uma comunidade "a superar-se ainda mais, e a correr mais". É que, sob o mote "Onde há vontade, não há limitações", a Rexona, com ajuda da Torke+CC, pôs 20 mil pessoas a correr 135.526 km, convertidos num donativo da marca para a favor da Escola de Atletismo Adaptado.

Já no caso da PlayStation, no âmbito dos 20 anos, o "problema" da marca é que tinha 40 consolas, numa edição especial, de cujo lucro queria abdicar. A proposta da agência foi um leilão solidário que angariou mais de 15 mil euros para a Associação Salvador.

Mas estas campanhas são mesmo eficazes a atribuir relevância às marcas? Para o innovation ideator da agência sim. Hugo Tornelo aponta os resultados das iniciativas para confirmar a convicção. Até porque, na ótica dos projetos de cocriação, a agência foca-se nestes resultados. "Não é só ter uma ideia fantástica, tem mesmo de funcionar", reforça. É aqui que o projeto de cocriação ganha mais destaque, pois ajuda a solidificar a campanha. "Existe um lado criativo forte, com um lado muito objetivo, que está ali para obter resultados", explica Hugo. E com esta preocupação por parte da agência, a Rexona viu o nível de intenção de compra aumentar. Um impacto que se verifica, também, pela continuidade das iniciativas, com a Rexona a apostar numa segunda edição do desafio de superação "Corre por Mais".

Mas, além dos resultados, a agência preocupa-se com a sustentabilidade do projeto, que deve ter uma causa-efeito. "É tão importante comunicar que o projeto se tornou real, como apelar à participação das pessoas", reforça Rodrigo Rodrigues. E, no que toca à criatividade, haverá maiores constrangimentos? "À partida, diria que sim, deveria trazer muitas mais restrições, porque é um território novo", admite. Mas, Hugo Tornelo, criativo por natureza, diz o contrário: "Poderia ser mais livre, podemos brincar à vontade". "Acabamos sempre por nos equilibrar", diz, entre risos, Rodrigo, que passa a explicar: "A agência está a desenvolver projetos que nunca foram feitos, o que para uma marca é arriscado". No entanto, a confiança transmitida no processo de cocriação e na obtenção dos resultados esperados motiva o cliente. A vantagem é que, ao trabalhar dessa forma, agência e marca podem, mais facilmente, alinhar objetivos e, conta Rodrigo, até os clientes se sentem mais criativos. "Nenhum destes projetos era possível se não tivéssemos trabalhado lado a lado com as equipas, em que percebemos tão bem os objetivos e o funcionamento de cada um dos clientes, e das suas marcas".

 

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