Criatividade

O design da Pacifica está no Guggenheim. Filipe Mesquita explica a viagem até Bilbao

O design da Pacifica está no Guggenheim. Filipe Mesquita explica a viagem até BilbaoAs artesãs do bairro luandense de Chicala inspiraram o design da This is Pacifica, que está agora em exposição no Guggenheim Bilbao. Um projeto muito emotivo, que obrigou os criativos a sair da sua zona de conforto e que, explica o partner Filipe Mesquita, representa a visão e o compromisso da agência com a realidade.

terça-feira, 24 novembro 2015 13:15
O design da Pacifica está no Guggenheim. Filipe Mesquita explica a viagem até Bilbao

o design da Pacifica

Briefing | Como aconteceu a exposição no Guggenheim Bilbao?
Filipe Mesquita | Aconteceu no âmbito da exposição "Making Africa - A Continent of Contemporary Design", resultante do trabalho de mais de 120 artistas e designers que exploram as áreas de interseção entre várias disciplinas, da arquitetura à moda ou do artesanato à fotografia, à procura de respostas concretas para questões que se colocam ao Design do século XXI. Entre uma vasta maioria de projetos desenvolvidos no contente africano, é possível encontrar o trabalho do português Paulo Moreira, arquiteto internacionalmente premiado por trabalhos de reabilitação urbana. Nesta exposição, ele tem patente o "Observatório de Xicala", obra que apresenta um arquivo sobre a história e cultura urbana da Chicala, um dos mais conhecidos bairros informais de Luanda. Esse projeto contou com design da This is Pacifica – e é por isso que agora vemos o nosso trabalho ser exposto no Guggenheim Bilbao.

Briefing | E porquê o projeto com o Observatório da Chicala?
FM | O contacto com o arquiteto Paulo Moreira foi essencial para partilharmos a sua visão e a sua experiência na pesquisa e trabalho de campo que desenvolveu.
Ao desenvolvermos um conceito de comunicação do projeto, apesar de existir uma necessidade racional de organizar conteúdos, sentimos que podíamos contribuir para uma valorização emocional das vivências dos habitantes no seu bairro. Atraiu-nos, neste projeto, o desafio de sairmos da nossa zona de conforto, de vestirmos a pele de outras pessoas e morarmos nas suas casas, noutro país e continente.

Briefing | Qual foi a vossa inspiração?
FM | Foram sobretudo as pessoas que lá moram, no bairro da Chicala. Mas o nosso contributo tentou incorporar a dualidade entre a natureza científica do projeto – que une a investigação colaborativa da CASS School of Architecture de Londres e do Departamento de Arquitetura da Universidade Agostinho Neto, em Luanda – e a natureza social e humana que o estudo de locais e dos locais envolve.

Briefing | Há alguma simbologia intencional no recurso a técnicas artesanais?
FM | Sim. Do trabalho que desenvolvemos, que incluiu a identidade do projeto, um website, posters e convites, foi no design editorial do livro onde consta toda a informação do projeto, que percebemos que podíamos envolver a comunidade. Propusemos que os artesãos da Chicala bordassem à mão, sobre um retrato a preto e branco, com linhas de coser, usando as cores que ilustram o seu dia-a-dia – numa clara analogia entre a forma cinzenta como os estranhos veem a vida do bairro e a forma colorida como os locais sentem a sua vida ali. O resultado é muito comovente e forte para todos os envolvidos.

Briefing | Neste projeto, o design surge associado à sociologia. Há uma função social no design, que vai para além das marcas?
FM | Sem dúvida. Devemos considerar o design como um facilitador de compreensão
e do diálogo. Essa predisposição projeta o Design não só para lidar com necessidades objetivas, como também para o desenho do que existe mas não se vê. Neste caso concreto, falámos na revelação das coisas, ou simplesmente do que não existe e pode ser inteiramente novo, falámos de descoberta. O design é, cada vez mais, mesmo do ponto de vista do que as marcas procuram, potenciador de uma experiência pessoal.

Briefing | Este trabalho já esteve na Alemanha e agora está em Espanha. Há projetos para o levar para outras geografias?
FM | Depois da exposição no Vitra Museum e no Guggenheim Bilbao, é possível que a exposição seja exibida em museus africanos. Mas ainda não sabemos datas concretas.

Briefing | E para o mostrar em Portugal?
FM | Também ainda não temos datas. Mas seria muito relevante trazer cá esta exposição, até pelas ligações afetivas que existem.

Briefing | O que significa para o Design nacional estar representado em exposições internacionais?
FM | Achamos muito importante. O Design e a criatividade portuguesa devem ter
a maior exposição possível. Se for em instituições culturais de referência, como é o caso destas duas, ainda melhor. Para nós, não basta só ter o nosso design representado, como é importante que o trabalho exposto seja significativo. Ficamos felizes por poder expor um trabalho que é focado num gesto genuíno de ligação emocional, é uma representação íntima de cada artesão sobre o local que habita e a forma como ele o pode melhorar literalmente com as suas próprias mãos. Esta genuinidade que conseguimos impregnar no projeto representa uma visão e um compromisso com a realidade. É este o tipo de trabalho que mais nos interessa expor.

 

O design da Pacifica

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terça-feira, 24 novembro 2015 16:39

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