Criatividade

Uma linha erótica de cavalos de corrida? É criatividade do Senhor Ricardo

Dá pelo nome de Senhor Ricardo, uma brincadeira que começou com os pais e à qual os amigos deram continuidade. "Gosto muito dele e por isso uso-o não só na minha profissão como também em projetos pessoais". E, por isso, chega a receber correspondência endereçada a Senhor Ricardo, contas para pagar e até extratos bancários. Os últimos cinco anos da carreira foram construídos em Londres, mas a hora de regressar a Portugal está a aproximar-se.

sexta, 10 fevereiro 2017 13:23
Uma linha erótica de cavalos de corrida? É criatividade do Senhor Ricardo


Ser arquiteto era o sonho de criança, mas foi o mundo da criatividade que acabou por explorar. E ainda hoje diz não conseguir perceber o que o fez mudar de ideias "à última da hora", antes de entrar para a faculdade. Apesar disso, a arquitetura não desapareceu da vida deste criativo português, nem que seja pelo facto de partilhar a vida com uma arquiteta.

Tudo começou nos primeiros tempos da escola primária, onde a criatividade já começava a dar resultados, pelo menos em géneros. Conta que já por essa altura fazia posters por encomenda. "Eram cartolinas desenhadas a caneta de feltro, quase sempre sobre super-heróis e no final era pago em guloseimas". Uns "bons anos mais tarde" foi para uma agência de publicidade "graças à prima", que era diretora criativa e que "sempre se manteve atenta à carreira", na altura ainda paralela, de Senhor Ricardo.

Depois de trabalhar em algumas agências no mercado nacional, como a BBDO, a Lowe, O Escritório, e outras de onde diz guardar "ótimas recordações", sobretudo das pessoas, o criativo português resolveu rumar a Londres. Uma aventura que foi uma escolha. Isto porque sempre teve "alguma curiosidade em trabalhar noutro mercado além do português". Assim, em 2011, decidiu fazer um "investimento arriscado na carreira", rumar à cidade inglesa e, sem trabalho assegurado, deixou para trás "a vida confortável que tinha em Lisboa". Uma mudança que foi mais difícil do que imaginava, mas porque tinha como ambição trabalhar em determinadas agências, como a Crispin Porter + Bogusky (CP+B). Agências essas que, diz, se "já são difíceis de entrar para quem tem anos de experiência no mercado de Londres", imagine-se então para alguém "com um portefólio recheado de trabalho de um mercado que desconhecem, e a que não dão grande valor, que é o português". Mas foi isso que conseguiu – entrar na CP+B de Londres. Ali teve oportunidade de trabalhar contas internacionais como a Milka e a Turkish Airlines, além de outras tipicamente britânicas como a Paddy Power e a McCoy´s. "Estas últimas dão um gozo especial por ser estrangeiro e conseguir ultrapassar a barreira linguística e cultural", acrescenta.

Mudar-se para Londres e trabalhar na CP+B foi, afirma, "das melhores decisões" da sua carreira, ao ter a oportunidade de contactar com métodos de trabalho que, assegura, ajudam "qualquer criativo a tornar-se mais completo". Confirmando a tese de que foi "uma decisão acertada", a criatividade de Senhor Ricardo começou a "dar nas vistas". Os projetos que ia produzindo na CP+B - onde esteve até agosto de 2015 - e o próprio método de trabalho que, adianta, "é muito específico daquela agência", provocaram o interesse da DigitasLBi. E o convite aconteceu numa altura em que a agência do grupo Publicis estava a desenvolver um novo departamento criativo focado em trabalhar as contas digitais de marcas como a Honda, a Samsung, a AstraZeneca. Um "fator" que ajudou a convencer Senhor Ricardo a aceitar.

Mas, afinal, qual o "segredo" para conquistar agências num mercado onde, tal como diz, é difícil entrar até para quem tem anos de experiência? A resposta está no trabalho, mas isso, afirma, "não é segredo". É que tanto na DigitasLBi como na CP+B foi a criatividade que "deu nas vistas", tendo sido, nesta última, os projetos pessoais a despertar o interesse da agência.

Há cinco anos em Londres, já teve oportunidade de trabalhar muitas marcas, no entanto destaca a Paddy Power "pela audácia e liberdade criativa". Mas ter tido "um cliente sem receio de aprovar ideias como uma linha erótica de cavalos de corrida" também ajudou. Entre as marcas que mais gostou de trabalhar há também espaço para a Turkish Airlines, onde criou sobre "um briefing de sonho" para a promoção do filme "Batman vs Superman". "Foi um processo complicado" que durou dois anos mas que resultou num Leão de Prata, em Cannes, na categoria de Entertainment, Ouro nos Epica Awards, na categoria de Product & Brand Entertainment, e dois Bronze no Eurobest, em Integrated e em Entertainment.

Já a Old Spice é, sem dúvidas", a marca que mais gostaria de juntar ao portefólio. No entanto, "ver isso a acontecer está ao nível de realismo de uma linha erótica de cavalos de corrida".

Apesar do sucesso em Londres, a morada do Senhor Ricardo está prestes a mudar. De regresso a Lisboa, muito em breve.

 

Uma linha erótica de cavalos de corrida? É criatividade de um senhor chamado Ricardo

 

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sexta, 10 fevereiro 2017 17:20

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