Criatividade

O que anda o André a fazer em Madrid? A ganhar prémios

Aterrou em Espanha graças a um convite. É que, depois de ser desafiado a participar nos Young Lions, foi recrutado para a Lola MullenLoewe, onde teve a primeira experiência naquele mercado. Hoje, na direção de arte da Tapsa/Y&R Madrid, André Sousa Moreira é visto como um dos criativos mais promissores da Europa. Afinal, só em 2016, conquistou mais de 40 prémios nos principais festivais da área.

quinta, 11 maio 2017 13:28
O que anda o André a fazer em Madrid? A ganhar prémios

Não é um sonho de criança, mas a verdade é que a criatividade de André Sousa Moreira despertara cedo e desde novo que mostrava curiosidade por tudo o que era "bonito e bem desenhado". Conta que tinha até o hábito de passear, fosse na creche ou em casa, com um saco preto do lixo maior que ele próprio e onde gostava de acumular tudo o que lhe despertava a atenção, desde anúncios a embalagens "interessantes". Mas foi quando entrou no IADE, a universidade onde se licenciou em Design, que deu as primeiras pisadas no mundo da criatividade. Tanto nas aulas como nos projetos que ia desenvolvendo em regime freelancer, o criativo assegura que sempre teve "uma grande vontade" de propor a si mesmo "uma série de desafios". Era uma forma de se sentir motivado e de conseguir responder aos tais estímulos.

O primeiro contacto com o mercado das agências deu-se quando André Sousa Moreira entrou na Leo Burnett Lisboa, na altura como estagiário. "Apesar de curto, o tempo que estive aí, aprendi muito". Recorda o criativo que, nos escritórios da Leo, há uma sala de reuniões onde as paredes estão cobertas de... Leões. De ouro, de prata e de bronze, que são entregues naquele que é considerado o mais importante festival da publicidade mundial, o Festival de Cannes, em França. Uma visão que lhe ficou na memória: é que André acredita que foi aí que realmente descobriu o que queria para a sua carreira. Depois da Leo, veio a Brandia Central e foi quando ali trabalhava como brand designer que surgiu o convite que iria mudar a sua vida. Há apenas sete meses na indústria criativa, foi desafiado a participar nos Young Lions, a competição do festival dedicada aos jovens criativos. "Eu, ingénuo, na altura não sabia ao que me estava a propor, não tinha a perceção do valor real que tinha se ganhasse a competição, mas participei na mesma", recorda. E não é que ganhou mesmo?

Em 2013, André saiu vencedor na categoria Cyber, com um Leão de Ouro, tendo viajado até Cannes, com a missão de representar Portugal. Um mês depois recebeu outro convite: juntar-se à equipa da Lola MullenLowe em Madrid. "Na altura fiquei bastante nervoso... o que é normal, nunca tinha pensado em emigrar, era muito caseirinho, e como tinha pouca experiência na área pensei que isto tinha tudo para dar 'barraca'", conta. Apesar de uma certa apreensão, tinha a consciência de que, mais cedo ou mais tarde, sair de Portugal seria um passo "obrigatório" na carreira. Madrid não foi, por isso, uma escolha, mas lá André teve oportunidade de trabalhar mais do que marcas espanholas, tendo criado para a Mattel Europa, a Magnum, a Cornetto, entre outras. "Ter o privilégio de poder trabalhar marcas tão conhecidas aos 23 anos é coisa que não se recusa". Isto porque, afirma, são marcas que ajudam a ter projeção no mercado nacional. "Isso e a proximidade com Portugal", acrescenta.

Mas, apesar disso, Espanha não deixa de ser um país novo, com uma língua e cultura diferentes. "No início pensei que seria tudo mais fácil e que a proximidade com Portugal faria com que o choque cultural não fosse tao forte". Mas enganou-se, era tudo diferente, diz. Conta que no início o trabalho era difícil, havia uma "mistura cultural gigante", uma vez que a equipa tinha algo como 20 nacionalidades diferentes e André não falava nada de espanhol. "Arranhava umas quantas palavras e, quando não me fazia entender, falava em inglês, o que era ainda pior pois são poucos o que falam". Mas progressivamente, foi-se adaptando à língua e à cultura espanhola, da qual admite gostar muito. O que ajuda a não sentir falta de muita coisa, talvez apenas da "boa comida portuguesa e, claro, da família". Mas está tão perto de Portugal que, quando tem saudades, André apanha um avião.

Depois da Lola MullenLowe Madrid, veio a Tapsa/Y&R Madrid, a convite de Susana Albuquerque, atual diretora criativa da DDB Madrid: "Na altura, [a Susana] era a diretora criativa geral da agência e já nos tínhamos conhecido na primeira vez que estive em Cannes". Arriscando a soar cliché, André afirma que este interesse é o resultado de "muito trabalho e dedicação". Ser observador, no entanto, também ajuda. "Para mim, a qualidade mais importante para qualquer diretor de arte. Se tivermos atenção aos detalhes, podemos fazer diferença. Se nos mostramos sempre dedicados e pomos paixão em tudo o que fazemos, as coisas acontecem", afirma. Com esta convicção, foi na Tapsa/Y&R que André conquistou o primeiro Leão. "Foi impressionante porque foram logo cinco Leões". Uma distinção que é "muito importante" para o criativo pois representa um ano de trabalho árduo, mostrando assim que "se trabalharmos duro, acabamos por ser recompensados". Mas, mais importante ainda é que representa a confiança que se vai ganhando por parte dos clientes, por apostarem em ideias diferenciadoras. "Esta confiança depositada em nós vai permitir-nos fazer cada vez mais e melhor nos próximos tempos", afirma.

Além do aval para arriscar, diz o criativo – que em 2016 conquistou mais de 40 prémios em festivais como Lia Awards, El Ojo de Iberoamérica e Cannes Lions – que qualquer distinção arrecadada no exterior é sempre boa para difundir a criatividade portuguesa. "Cada vez mais nos vão vendo como uma referência na criatividade, o que vai permitindo que Portugal esteja na mira de todos. Agora acho que é importante começar a trabalhar nisto em Portugal e não ganhar reputação só pelos que estão espalhados pelo mundo fora", ressalva.

Este artigo pode ser lido na íntegra na edição impressa da Briefing.

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