Criatividade

E nós? Na era da tecnologia, a resposta tem de vir dos filósofos

"Numa altura em que temos robôs a trabalhar para nós, em que a inteligência artificial pensa por nós, em que já temos algoritmos a decidir por nós, levanta-se a questão: e nós?". A reflexão foi suscitada esta sexta-feira por João Fernandes, curador de Tecnologias do Festival do Clube de Criativos de Portugal (CCP). E foi ele mesmo a dar a resposta: "Têm de ser os filósofos a ajudar-nos a compreender o que é fundamental".

sábado, 20 maio 2017 17:40
E nós? Na era da tecnologia, a resposta tem de vir dos filósofos

João Fernandes falava no lançamento de "Carta de um filósofo a um jovem publicitário", que o filósofo italiano Emanuele Coccia escreveu para o CCP, especificamente para esta edição do festival em que o tema é "E depois do algoritmo?".

Ao mesmo tempo, o curador para o uso das tecnologias nas indústrias criativas justificava a "aparente estranheza" do facto de ter convidado um filósofo. Ao longo da história, o mundo sofreu mudanças muito interessantes e paradigmáticas em que foi preciso repensar o papel do homem na sociedade: "Chegámos a um desses momentos". Na era da tecnologia, volta a levantar-se a questão "E nós?". Uma questão fundamental que em qualquer outro momento da história teve resposta. Agora, disse, essa resposta já não pode ser tecnológica, tem, sim, de "voltar a vir dos filósofos".

"É preciso voltar a chamar os filósofos para a linha da frente para nos ajudarem a compreender o que é fundamental – o homem e o seu papel. A tecnologia obriga a que a filosofia se torne outra vez crítica", defendeu.

Já Emanuele Coccia sublinhou que com esta carta e com a reflexão que tem produzido em torno do papel da publicidade na sociedade o que se propõe é construir uma ponte entre os dois momentos: "Seria muito paternalista dizer que só a filosofia pode ensinar a publicidade. Penso que a publicidade é algo com que a filosofia e a universidade têm muito a aprender. Os filósofos e os publicitários estão ligados objetivamente e é por isso que é tão importante construir esta ponte".

Por sua vez, o presidente do CCP, Pedro Pires, centrou-se no porquê de ser uma carta a um jovem publicitário que todos os veteranos devem ler: "Quando começamos nesta indústria ensinam-nos as técnicas, mas nas escolas falta o ensino do pensar, do questionar. E isso é o motor do conhecimento. Como profissional, sinto isso".

Deixou também uma mensagem para os profissionais mais experientes: "Os que vêm de diferentes áreas onde pensar era um requisito tendem a esquecer-se disso mais à frente na vida. Com tanto que temos para fazer, esquecemo-nos de questionar. E este livro vem relembrar-nos".

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