Criatividade

Lições a tirar de Cannes? Vasco Perestrelo partilha algumas

Incorporar a tecnologia na criatividade. Este é o principal desafio que se coloca às agências "tradicionais" face à ascensão na indúustria da publicidade de players globais como a Google e o Facebook. Esta é uma das principais mensagens que Vasco Perestrelo, CEO da MOP, a representante nacional de Cannes Lions, traz da última edição do festival.

segunda, 26 junho 2017 13:21
Lições a tirar de Cannes? Vasco Perestrelo partilha algumas

À Briefing, Vasco adianta que esta é uma reflexão subjacente a um anúncio que gerou controvérsia – a decisão do grupo Publicis de se afastar dos festivais de criatividade durante 2018.

"Temos de pensar no que é hoje a indústria e como se vai movimentar. Está a acontecer uma transformação do ponto de vista da inovação e do digital que é estrutural. Antes, grande parte do negócio era gerido pelas agências do circuito tradicional, mas houve uma transferência de parte da cadeia de valor para os grandes players mundiais, como a Google e o Facebook. E isso tem consequências do ponto de vista do posicionamento do setor, mas também do ponto de vista económico. As agências enfrentam desafios também dessa ordem", salienta.

A este propósito, sustenta que a decisão da Publicis tem a ver com redução de custos, mas para recentrar os recursos na plataforma de inteligência artificial do grupo, de modo a competir com os players globais.

O festival refletiu esta realidade, diz Vasco Perestrelo, admitindo a existência de um certo "sentimento de propriedade" do setor tradicional das agências de publicidade que, de alguma forma, se sentem ameaçadas por esses players.

Mas – alerta – o mercado está a mudar e as agências têm de se adaptar. Incorporar a tecnologia na criatividade é inevitável, até porque trata-se de seguir o mesmo movimento dos consumidores.

Esta é uma reflexão que, diz, a MOP, enquanto representante nacional de Cannes Lions, vai promover. E vai fazê-lo também enquanto operador de outdoor, com um maior enfoque no digital e na interatividade.

"Não podemos enfiar a cabeça na areia, não podemos ficar acomodados a um modelo de negócio que um dia vai ser posto em causa", comenta, aludindo ao conceito de "innovation dilemma" do académico Clayton Christensen.

Quanto à participação portuguesa propriamente dita, com um Bronze nos Lions Health, e dois terceiros prémios nos Young Lions, Vasco Perestrelo reconhece que "não se pode dizer que tenha sido um ano positivo". Mas considera que "está um bocadinho relacionado com os anos de crise", os quais, mais do que a questão económica, tiveram um impacto grande na motivação intelectual, refletindo-se nas ideias.

Destaca, ainda assim, o desempenho dos Young Lions, que, embora não tenham ganho qualquer competição teve "muito valor", significando que "o futuro está assegurado".

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