Criatividade

Lágrimas de José Godinho Marques. Para ver na MONA

Chama-se "Viagem de Uma Lágrima". É a primeira exposição individual de José Godinho Marques, fundador da Human: são dez pinturas que assumem a naturalidade da tristeza e do choro. Para ver a partir de amanhã, dia 16, na MONA, a idea store de Lisboa.

sexta, 15 setembro 2017 12:08
Lágrimas de José Godinho Marques. Para ver na MONA

O projeto que agora se concretiza já vem de longe. De um convite de Nuno Cardoso, mentor da galeria: "Tive o prazer de trabalhar em dupla com o Nuno em 1996 e foi, sem dúvida, uma das pessoas que mais me marcou na criatividade e que mais admiro em termos de percurso, atitude e interesses. Inspirador e inquieto quando os outros à sua volta não se encontram inspirados, ou simplesmente, bem. E desta vez deu-me um ultimato: 'Puto, é agora ou nunca'. Existem momentos na vida que condicionam um período em formato de catarse emocional, digamos. E este foi, sem dúvida, o meu momento. E o projeto tornou-se em algo feliz", partilha o criativo-pintor, em declarações à Briefing.

E porquê "Viagem de Uma Lágrima"? Pela "importância de assumir o choro ou a figura ridícula ou a depressão simples como modo de ultrapassar algo, ao invés de irmos para as redes sociais assumir que estamos melhores que nunca". José regressa ao passado para recordar que "por alguma razão todos os lares portugueses tinham uma cópia do 'Menino da Lágrima', competindo mano a mano na parede com a Última Ceia". Porquê? "Provavelmente a imagem da tristeza no nosso mindset ajuda a valorizar os bons momentos da vida – ou, pelo menos, os mais genuínos".

"Essas imagens mentais já quase não existem, do ponto de vista da abordagem individual. Existem as catástrofes, partilhadas e televisionadas, com amplitudes várias, sim. Mas, de resto, o mundo é felicidade pura, virtualmente falando. E esta ânsia em que vivemos para mostrarmos a nossa felicidade, em formato selfie e outros, está a toldar os nossos próprios valores intrínsecos enquanto seres humanos. E a nossa própria sensibilidade e capacidade de nos entregarmos ao próximo", comenta.

E se o projeto que agora se concretiza vem de um convite longínquo, mais longínquo é o gosto pela pintura: José já pintava e expunha antes de ingressar na DDB, em 1990, como estagiário. Depois veio "o encantamento com as agências de publicidade" e "o tempo tornou-se escasso para divagar noutros meios que não os da comunicação, vulgo, comercial das marcas". "Apenas o fazia para partilha. Com amigos. E mais no âmbito do desenho. Rápido e gestual. Transferi agora essa mania para o formato grande, em telas e papéis", precisa.

Inspira-se nas pessoas e na forma de estar nas suas vidas. "É o que me encanta. Apenas e só. É das relações que tudo acontece e, ao andarmos isolados de quem realmente nos estima, toldamos a nossa própria visão sobre quem verdadeiramente somos. É esta tomada de consciência que me inspira, seja sobre mim, seja sobre os outros ao meu redor, para traduzir graficamente. Sou muito básico no que toca a sentimentos, e são esses sentimentos simples que exploro na minha pintura. Do ciúme ao saltar feliz em cuecas, da falta de visão ao arrependimento, dos requintes de malvadez ao choro puro e duro. Tudo o que são emoções básicas interessa-me".

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