Criatividade

Para onde vai a Gema Digital? Mafalda Ricca responde

Uma empresa que cria experiências. É assim que Mafalda Ricca, diretora Comercial e de Marketing da Gema Digital, apresenta a agência fundada por um grupo de amigos em 2007, no Porto. Especialista na criação de projetos digitais e tecnológicos, na altura o foco eram as ativações de marca. Um jogo interativo numa feira ou uma projeção de um voo são exemplos de instalações interativas que a empresa começou por fazer. Atualmente, admite, o âmbito é muito mais vasto e as ativações de marca com tecnologia representam uma pequena parte do trabalho.

segunda, 05 fevereiro 2018 12:49
Para onde vai a Gema Digital? Mafalda Ricca responde

 

“A partir de 2010 dá-se o ponto de viragem”, conta, com a introdução de uma “componente de tecnologia hardcore” e a entrada no segmento dos museus e centros interpretativos. O conceito de experiência é “muito abrangente”, entende, e “cada vez mais”. “Fazemos experiências interativas e imersivas essencialmente para museus e centros interpretativos, mas cada vez mais para showrooms e até escritórios, que querem proporcionar aos visitantes uma experiência inovadora”, diz.

Hoje, a agência tem já cerca de 30 museus implementados. E as experiências para instalações permanentes representam 70% do trabalho. Os restantes 30% correspondem às ativações de marca. “Continuam a vir parar-nos ao colo”, refere. “Fazemos porque o mercado nos pede”. “As marcas querem ir para as feiras com um holograma, com realidade virtual, realidade aumentada…” Um interesse que a Gema mantém – até por tudo o que ganha – mas não é o caminho que quer seguir, porque onde se define como especialista é nas instalações permanentes. “A ativação de marca interessa-nos porque a dinâmica dos eventos, de fazer um vídeomapping, uma ação para que um stand dê nas vistas numa feira, ou inventar soluções em quatro dias puxam pela produção de uma maneira que gostamos de trabalhar”, adianta.

“As duas áreas cumprem funções diferentes e trazem para a Gema coisas importantes”, admite. “Os museus trazem-nos outras coisas que também nos interessam bastante. São por exemplo 20 soluções que têm todas de funcionar durante uma hora de visita, que impactar o visitante da mesma forma, ou – melhor – de uma forma crescente e que criar uma narrativa ao longo da experiência. Exige-nos uma criatividade enorme, uma solidez e uma capacidade técnica muito grande, porque são soluções que têm que durar uma vida inteira”.

“Não somos apologistas de uma overdose de tecnologia só porque sim”, assegura. “Acreditamos que as experiências positivas e emocionais se conseguem com uma mistura do analógico com o digital”. Em que a tecnologia é vista como um complemento da experiência no espaço. A criatividade e robustez das soluções são, assim, muito importantes para a tecnológica que quer ser de referência a nível internacional. “Para isso precisamos de ter soluções sólidas implementadas em museus há 20 anos, que funcionam e têm impacto”.

O peso do tempo – especialmente relevante na área da tecnologia – não preocupa Mafalda Ricca. Exemplo disso, diz, é o caso do primeiro museu em que intervieram: o Museu Milagre do Sol, em 2011. "Hoje ainda é perfeitamente atual: tem hologramas, experiência interativa, uma sala 4D", comenta. "Passados estes anos não nos envergonha, o que é o primeiro sintoma de que estamos a fazer as coisas bem", afirma. "Acreditamos que as nossas soluções são suficientemente versáteis, têm um sistema base que permite evoluir em termos de conteúdos e funcionalidades ao longo do tempo". Além disso, os espaços sofrerão, a médio prazo, naturalmente, adaptações tecnológicas. "Nenhum cliente parte para um projeto multimédia de um museu a achar que vai durar para sempre”.

A estas qualidades Mafalda Ricca acresce outra mais-valia: o facto de a agência proporcionar, por si só, uma série de experiências, entre as quais realidade virtual, realidade aumentada, instalações interativas, videomapping e salas 4D. Aqui, observa, não há muita concorrência, mesmo a nível internacional – a maioria das empresas especializa-se. O que, assegura, dá vantagem à Gema sobretudo nas experiências museológicas. “Quando é essencial existir uma linha comum, uma narrativa, é importantíssimo que as peças sejam todas pensadas pela mesma equipa criativa, que desenvolve a experiência como um todo”, declara. “Mesmo nas feiras internacionais há um ou dois stands como nós, que podem entregar um museu do princípio ao fim”, nota.

O negócio internacional é, aliás, um objetivo importante para a empresa e que atualmente já representa 25% da faturação. A meta é aumentar. O primeiro passo foi dado em 2011, com a entrada no Brasil. Seguiu-se Angola. E hoje opera também no México, no Reino Unido e em Espanha. A expansão começou por ser uma forma de reagir à crise. “Quisemos abrir a outros mercados, porque achámos que resumirmo-nos a Portugal poderia ser uma ameaça”, revela. No presente, a questão já é outra: “Portugal vai esgotar-se para nós”, diz. “Estamos a viver uma febre enorme em Portugal. Fazem-se museus de tudo: da sardinha, do porco, da bicicleta, da trotinete. Já vi de tudo”, ri-se. “Vai haver um momento em que esta torneira chamada Europa se vai fechar e vai deixar de haver dinheiro para fazer estes museus. Nessa altura temos que estar preparados para vender noutros sítios”. Com o mercado esgotado, a aposta será, prevê, nas reformulações de museus e nas ativações de marca. Até porque “as ativações permitem à Gema estar atenta às tendências atuais e trazem-nos loucura. Trazem-nos os doidos da agência que querem pôr um homem a voar amanhã. E isso dá-nos uma capacidade de trabalho brutal em termos de técnica”.

Este artigo pode ser lido na íntegra na edição impressa da Briefing.

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segunda, 05 fevereiro 2018 15:05

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