Criatividade

#OLADOB…de Marcelo Lourenço tem desenhos e heróis

“Coming soon”. É este o estado atual de Marcelo Lourenço, o criativo que trocou o seu Brasil natal por Portugal há já muitos anos, muitos dos quais a trabalhar com Pedro Bexiga, cofundador da nova agência. No Lado B que hoje partilhamos há desenhos a preto e branco e uma série: “Eu Queria Ser Assim”.

sexta, 14 dezembro 2018 12:05
#OLADOB…de Marcelo Lourenço tem desenhos e heróis

 

Desenhar. Quando está feliz, quando está preocupado, quando está distraído e quando está concentrado. Marcelo Lourenço desenha. Tanto e tão frequentemente que – admite – cometeu “a loucura” de pensar em ser diretor de arte no começo da carreira. Pensou, logo desistiu, porque percebeu que “desenhar por desenhar é uma coisa maravilhosa, mas desenhar como profissão é algo chatíssimo”. E também porque “ser copy é infinitamente mais cool”. E aqui Marcelo não resiste a uma farpa bem-humorada para aquele que tem sido seu parceiro na criatividade há anos e anos: “Basta olhar para mim e pro Pedro Bexiga. Obviamente eu sou o copy e obviamente eu sou o cool da dupla”.

Durante muito tempo quis ser ilustrador para poder desenhar as histórias do Batman. Mas… “Depois amadureci e hoje não quero desenhar o Batman, quero ser o Batman”. Mais a sério: “Desse desejo nasceu a série ‘Eu Queria Ser Assim’ sobre como eu gostaria de ser o Batman, o Capitão Kirk, o Han Solo, o Indiana Jones, o James Bond ou o MacGyver (principalmente no corte de cabelo)”. E cartoons porquê? Porque “Leonardo da Vinci, Van Gogh, Picasso – todo o grande artista tem que fazer um autorretrato, que vai virar uma obra-prima admirada no mundo inteiro”. “Eu, como não sou nenhum Picasso e sou artista apenas para o meu pai, faço cartoons”. Está explicado.

Quando o tema é inspiração (quisemos saber de onde ela vem), chega mais uma história. “Outro dia estava a caminho do cinema com a minha mulher para ver o ‘Ready Player One’. E ela, que estava a ir contrariada, perguntava – ‘Mas porque é que vamos ver um filme do Spielberg? Ele já era’. E eu – “Não digas isso, mulher, tudo o que eu sou, devo ao Spielberg’. Depois fiquei pensando, e é a mais pura verdade: sou fruto do cinema, da literatura e da banda desenhada dos anos 80, 90 e dai em diante. Sou um nerd da época em que ser nerd era feio e fora de moda. A prova disso é que o meu filme favorito é ‘Highlander’ (por falar em fora de moda)”.

Desenhar é um escape. Sempre: “Nunca tive a menor intenção de levar isto a sério. Agora com o Facebook, mais gente conhece os desenhos para além do círculo restrito dos meus cinco fãs fiéis (que continuam fidelíssimos, sempre os primeiros a dizer que eu deveria mais é me dedicar à pesca)”. Significa isso que não se atreve a “vender” o seu traço nas campanhas que assina? Significa. Já nos brainstorms, não resiste: “Os meus duplas, em geral, sempre sofrem muito com as minhas charges. Fui jantar uma vez na casa do Daniel Sarti, grande diretor de arte e meu ex-dupla em São Paulo, e ele me mostrou uma caixa com mais de 100 caricaturas. Todas sobre ele próprio. A minha sorte é que são todos pessoas de bom coração que nunca se chateiam comigo mais do que um ano ou dois”.
E publicar para lá do Facebook? Pode acontecer. Por insistência dos tais cinco fãs fiéis. Fica a promessa: “Quando a série ‘Eu Queria Ser Assim’ passar dos 150 desenhos, voltamos a falar”.

O traço

Gostaria muito de dizer que é uma mistura entre o Frank Miller e o Maurício de Sousa, mas isso seria uma ofensa para estes dois mestres.

A preto e branco ou a cores?

A preto e branco, sempre. Quando tento colorir um desenho acabo sempre por estragá-lo.

Perfeição ou nem por isso

Procuro sempre a perfeição, ando pelas ruas tarde da noite a gritar “perfeição, onde estás tu?”. Mas ela não me liga nenhuma e continua a fugir de mim.

Autorretrato  

O grande escritor brasileiro Otto Lara Resende dizia que tudo o que criamos é autobiográfico. No meu caso nem dá para esconder: eu apareço em 99% dos meus desenhos. O que explica porque nunca ganhei dinheiro com isso.


A Briefing como modelo?

A Briefing é uma revista respeitável demais para ser desenhada por mim, merece um artista a sério, alguém do gabarito de um Marco Dias.

 

 #OLADOB…de Marcelo Lourenço tem desenhos e heróis

 

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