Criatividade

Tech killed creativity? Or not? A Jack the Maker tem uma ideia

Enquanto os consumidores forem humanos, o marketing não corre o risco de ficar desumanizado. É o que pensam Tiago Alvorão e Vasco Barbosa, os fundadores da Jack the Maker e que hoje dão continuidade à conversa sobre a tecnologia vs criatividade, rejeitando um cenário em que a ideia seja secundarizada. Pelo contrário, a tecnologia junto da melhor criatividade “pode ser brutal”.

segunda, 07 janeiro 2019 12:43
Tech killed creativity? Or not? A Jack the Maker tem uma ideia

 

Para ambos, a tecnologia é apenas uma ferramenta e, nesse sentido, tanto pode ser um facilitador da criatividade como não. É um meio e não um fim, dizem: “Num processo criativo, o fim é sempre aquilo que pretendemos provocar nos outros. A importância da tecnologia depende, pois, da sua capacidade de contribuir para soluções que nos ajudem a provocar essas emoções que queremos provocar. Quando o faz, a tecnologia é um facilitador”, sustentam. Argumentam, contudo, que “o importante é aquilo que se pretende fazer sentir ou pensar”, pois é esse o objetivo da criatividade: “A razão pela qual contamos história, é porque elas são uma ferramenta poderosa para veicular ideias, pensamentos e sentimentos. A tecnologia ampliou a quantidade de ferramentas que temos disponíveis para a criatividade, pode até ter permitido abrir caminhos à criatividade que antes não existiam, mas não deixa de depender das preferências, habilidades e talento de quem a usa e de quem a pensa”.  

Neste contexto, na Jack the Maker entende-se é possível que se chegue a um ponto em que o fim seja a própria máquina, mas nessa altura, a ideia deixa de ser o mais importante e, assim sendo, deixa de ser, na sua essência, um processo criativo. Mas este é um cenário que lhes parece difícil: é que “a tecnologia não passa de uma forma de traduzirmos ideias em realidade”. “Nenhuma máquina é criada para ser uma máquina; é criada para um determinado fim, para cumprir uma determinada tarefa. Como tal, a ideia que levou à criação da tecnologia, o fim para a qual foi criada. Portanto, eu diria que não vejo como a tecnologia se pode sobrepor à ideia, até porque o critério através do qual avaliamos o sucesso ou insucesso do que fazemos é comparando os resultados com os objetivos, o que é o mesmo que dizer em que medida os meios que usámos nos permitiram atingir os fins que nos propusemos atingir”, desenvolve Tiago Alvorão. 

Na mesma linha, não antecipam um futuro em que o marketing seja desumanizado: “Não me parece, pois não há mercado sem consumidores e, por enquanto, os consumidores são humanos, pelo que, até deixarem de o ser, o marketing nunca poderá ser desumanizado.

Claro que pode ser cada vez mais estatístico e quantificado; a atual capacidade que temos de tratar a informação pode levar-nos a criar modelos comportamentais muito fechados tipificados, simplificando o comportamento humano, que, como é sabido, é particularmente complexo. Mas, a partir do momento em que o marketing e a publicidade deixarem de satisfazer necessidades e provocar emoções nas pessoas, deixam de ser úteis, pelo que não prevejo grande futuro para uma estratégia de marketing e publicidade que ignore o elemento humano, que, no fundo, é o que faz com que sejamos o que somos”. 

Na Jack, acredita-se que o pensamento está sempre em primeiro lugar e que só há tecnologia se houver ideia: “O que nos faz ser Jacks é o que fez muitos outros criativos optarem por outras indústrias como a Google. Não é apenas uma questão de preenchimento pessoal. É a crença de que a tecnologia junto da melhor criatividade pode ser brutal. Qualquer criativo que sinta o desejo de se expressar fora do convencional vê na Jack o braço forte tecnológico ou uma casa onde vive talento de muitas áreas diferentes.”

“O que achamos sobre a tecnologia vir a ser o exterminador do mercado criativo? Bom, enquanto as máquinas não fizerem parte do ranking do CCP ou reclamarem a paternidade de um Grand Prix em Cannes estamos tranquilos. É sinal de que, para haver um bom copy, jingle, layout ou um bom conceito, é preciso aquilo que elas não têm: faísca humana. Exatamente o que procuramos todos os dias”, remata.

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segunda, 07 janeiro 2019 14:26

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