Criatividade

#ALENTEDE… Patrícia Couveiro faz zoom para o teatro

Entrou na publicidade pela porta das agências, tendo sido redatora durante nove anos. A realização foi uma escolha que fez mais tarde. Mas, antes, chegou o teatro, como encenadora e performer. Dois mundos que continuam a cruzar-se na vida de Patrícia Couveiro, realizadora da Show Off.

sexta, 05 abril 2019 12:52
#ALENTEDE… Patrícia Couveiro faz zoom para o teatro

Em criança quis ser desenhadora na Walt Disney (mas também veterinária e astrónoma…). Não se concretizou, mas foi na infância que se cruzou com aquela que viria a ser a sua profissão: realizadora. Fazia – recorda – filmes em Stop Motion com os brinquedos. Acabou a desenvolver uma “versão caseira do Tal Canal” com as amigas: era a “TV Fixe”, cujo logo era um peixe. O passou seguinte deu-o no Clube de Audiovisual, na Escola Superior de Comunicação Social, que Patrícia Couveiro fundou, e que tinha um programa na RTP2, no espaço Universidades. Mas, foi no teatro que o desejo “ganha forma, cor e pernas”. “Foi no teatro que descobri em toda a sua plenitude a Arte, a Literatura e o Cinema”, conta. “Essa descoberta foi transformadora e rapidamente percebi que criar espetáculos e fazer filmes seria a minha forma de estar na vida”, acrescenta.

Desde que saiu da universidade que se divide entre a publicidade e o teatro. É encenadora e performer “ao mesmo tempo” que realiza filmes e tem um espaço (a Latoaria) que promove o coworking teatral. “Anda tudo misturado e os trabalhos contaminam-se: o pensamento criativo publicitário e a velocidade dos projetos ensinam um método e disciplina ao meu teatro. A liberdade artística traz frescura à minha realização”, diz.

Pelo caminho, foi redatora de publicidade na TBWA Lisboa durante nove anos, uma experiência que a leva a acreditar que a publicidade é uma “excelente escola para desenvolver a destreza criativa e mental” e que a colocou em contacto com a realização. “Tirando os dias de criação, os meus favoritos eram os dias de filmagem. Eram empolgantes”, recorda. “O Alexandre Montenegro, que realizou vários filmes meus enquanto criativa, percebia isso e incentivava-me ainda mais”, complementa. No último ano que esteve na TBWA decidiu estudar Realização à noite. “Um dia tomo a decisão: vou ser realizadora”. E assim foi. O primeiro trabalho que assinou enquanto realizadora (na publicidade) foi o filme “BPI Seniores” para a Partners. Antes, já tinha trabalhado noutros projetos como assistente.  

Neste percurso, Patrícia aponta dois nomes muito importantes: Miguel Coimbra, da Take it Easy, e Alexandre Montenegro, da Show Off. “Estive os primeiros tempos com o Miguel Coimbra e foram meses muito importantes para ter a certeza de que estava no caminho certo”, conta. “O Alexandre acreditou em mim e acompanhei desde o início muitos projetos da produtora. Todo o meu conhecimento do mercado e das agências agilizou bastante o processo de aprendizagem. Brincámos na altura, eu e ele, que era uma troca de saberes”, acrescenta.

A confiança e o suporte “eram tantos que tudo fluiu naturalmente”, até chegar o dia em que já fazia sentido realizar os próprios filmes. “Veio o Libifeme, a Tranquilidade, a Porto Editora, a campanha da Fox ‘Hi Portugal’, etc.”, enquadra.

Ter trabalhado vários anos como copywriter é, diz, a sua grande valia, enquanto realizadora: “Sei criar, construir um guião”, justifica. “Quem filmar comigo pode contar sempre com os meus inputs criativos e com a minha ajuda para solucionar alguma ponta menos resolvida”, afiança, assumindo que adora ter “esse espaço para o fazer”. “Não sei fazer nada sem dar algo de mim”, declara. Outro ponto que destaca é a capacidade de síntese que aprendeu enquanto criativa. “Saber contar histórias em 30 segundos – essencial”.

O facto de “cada projeto ser diferente do anterior” motiva-a a continuar nesta área. “Aprendo sempre coisas novas, sempre. Para mim, receber um script e um briefing de produção é como receber um problema de matemática. Há várias formas de chegar ao resultado, mas a forma que escolho é a minha”. Por outro lado, admite a admiração pelo trabalho dos atores. “Motiva-me essa relação que tenho com os atores, essa descoberta de possibilidades de resolver uma cena”, evidencia. Em cinema só tem uma experiência até agora, uma curta metragem. Mas faz também videoclipes, que considera um “ótimo laboratório”. Ressalva, contudo, que “um bom realizador de cinema, séries ou videoclipes não é necessariamente um bom realizador de publicidade”. Patrícia acredita que realizar em publicidade “é um trabalho diplomático e de parceria”. “Um bom realizador vem valorizar uma ideia, dar-lhe vida e forma, completar um processo de trabalho que vem de trás”, diz. “Para mim, um bom realizador vem cumprir a parte boa, é a concretização da ideia, logo o processo de realização, as filmagens têm de ser uma festa”, conclui.

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