Criatividade

O #LADOB de André Santos tem muitas formas de arte. E catos...

Começou na FCB, passou pela Publicis Lisboa e está, entretanto, na Bar Ogilvy. Como diretor de arte tem já duas mãos cheias de prémios. Mas não é só na publicidade que André Santos se expressa. Dá também largas à criatividade em projetos em nome próprio e a primeira exposição foi para a rua, em maio, propôs uma reflexão sobre as relações e os sentimentos. À volta de um cato.

sexta-feira, 13 dezembro 2019 11:49
O #LADOB de André Santos tem muitas formas de arte. E catos...

 

Quando queres ser quando fores grande? A pergunta é um clássico. E as respostas tendem a ser clássicas. Dificilmente uma delas será “diretor de arte”. A de André Santos não foi: “Sinceramente, nem sequer sabia o que era um diretor de arte”. Comenta, aliás, que ainda hoje, quando lhe perguntam, treme um pouco na resposta. “Direção de arte é um trabalho bastante vasto e que implica conhecimento em várias áreas, e é isso que me fascina nesta profissão. Poder trazer influências de tudo para uma campanha, desde filmes que vi no domingo à tarde com a família, a viagens que faço com os meus amigos”, contextualiza.

Mas a verdade é que o caminho dos estudos o conduziu à profissão que exerce hoje, na Publicis. No secundário, a escolha recaiu sobre a Escola Artística António Arroio, em Lisboa e, quando no 11.º, é solicitado a optar por uma especialização decidiu-se por Design de Comunicação. Diz agora que foi “onde tudo começou”. E explica porquê: “Comecei a ganhar um interesse maior pela comunicação, pela forma de como as marcas chegam ao consumidor”. O interesse aprofundou-se depois na licenciatura em Design, no IADE. Mas, houve que limar algumas arestas: “No último ano da licenciatura, durante as férias de verão, quis ter a certeza de que este era o percurso profissional que queria seguir. E, dessa forma, fiz uma lista do que na altura eram para mim as melhores agências do mercado e enviei o meu portefólio a pedir um estágio de verão.”. Edson Athayde, da FCB, respondeu. E André entrou no mundo da publicidade. 


Foi há apenas dois anos. Mas André já consegue eleger a campanha que, até agora, lhe deu mais prazer: “A embalagem família”, da Bimbo, tendo como objetivo apoiar o lançamento da marca no Instagram. E porquê esta? “Depois de várias horas de brainstorm e de muita pesquisa, percebemos que a marca Bimbo é líder de mercado há vários anos e tem-se adaptado constantemente às necessidades do consumidor. Decidimos aproveitar isto e criar uma campanha para o pack familiar que se ajusta às novas tipologias de família de hoje em dia. Assim, decidimos criar packs familiares personalizados com vários tipos de pão, adequados aos gostos de cada pessoa da família, desde o pão de cereais ao pão original. Vários influencers tiveram a oportunidade de criar os seus packs personalizados, criando notoriedade para o Instagram da Bimbo, através da partilha da marca.”

E uma marca para a qual gostaria de criar? Começa por afirmar que gosta de criar peças com que as pessoas se identifiquem e que sejam relevantes não só para a marca, mas para todo o público. Dito isto, escolhe a Dove e a campanha “Natural Beauty”, do português Hugo Veiga: “Este anúncio acaba por se tornar mais do que um anúncio por falar de problemas reais e de pessoas reais.” Escolhe também a mais recente campanha da Gillette, “We Believe: The A Best Men Can Be”. Porque “pega num problema e utiliza a marca para refletir sobre o mesmo”. “Estas são marcas que gostaria de trabalhar, marcas que são ousadas e não têm medo de arriscar. Que utilizam a sua influência para levar o consumir a refletir sobre problemas reais”, sublinha. Nesta soma, acrescenta a Nike: “Como quase todos os publicitários, é também uma marca que me chama bastante à atenção, devido não só à sua capacidade de arriscar, como também à criatividade de todas as suas peças. Conseguem pegar em valores base e torná-los campanhas enormes a nível mundial.”

Não é só na publicidade que André Santos se expressa. Inaugurou, recentemente, a exposição “Feelings Projects”, um projeto que tem como objetivo retratar as diferentes fases de uma relação através de sete sentimentos interpretados por diferentes formas de arte, desde a fotografia, à dança e ao vídeo, existindo um elemento comum a todas elas, o cato. Um cato? Sim. Reconhece que, à primeira vista, é estranho imaginar como é que um cato se pode relacionar com os diversos estados de uma relação. Mas desconstrói: “Esta planta aguenta climas extremos, acumula água durante longos períodos de tempo sem necessidade de cuidado diário. Mas tal como uma relação, também necessita de atenção e de ser cuidado quando necessário, ou corre o risco de perder o seu brilho natural.” O desafio para os visitantes foi associarem as sete fotografias expostas aos sete textos que representam os sentimentos. São textos de rappers portugueses – Maze, Mundo Segundo, Ary, Hipno D, São One Art, Xhafan e Strata G –, sendo que a escolha recaiu sobre estes artistas pelo género de escrita mais crua. Juntou a música às palavras e convidou dois produtores: Tayob J criou uma música para estar presente durante a exposição, com o objetivo de criar uma ligação entre todas as outras peças e uma envolvência com o observador, e Kidonov fez o som que originou a coreografia para a dança no vídeo que pretende contar a história das diferentes fases de uma relação. Numa última fase foi feita uma interpretação dos textos escritos através de fotografia, maquilhagem e cor.

Esta foi a primeira exposição, mas André afirma que, desde que começou a trabalhar em publicidade, sempre procurou projetos fora do dia a dia da agência, um projeto diferente onde é o seu próprio cliente. Reconhece, contudo, que foi bom ter o background publicitário. Sobre esta permeabilidade, afirma que o diretor de arte André Santos é o mesmo André Santos que pretende procurar referências artísticas relevantes e conceitos, com que o público se identifique, que pretende trazer estas referências tanto para o universo artístico como para o publicitário.

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segunda-feira, 16 dezembro 2019 09:14

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