Criatividade

A Mensagem do Futuro da Maria traz um desejo

Maria Goucha é diretora de Arte na David Madrid, mas é de Lisboa que envia a sua Mensagem do Futuro. Respondendo ao convite do Clube Criativos Portugal, a que a Briefing se associa, deixa o desejo de que o #stayhome dê lugar a um #stayhomemore.

segunda-feira, 18 maio 2020 11:27
A Mensagem do Futuro da Maria traz um desejo

 

E explica porquê:

“De momento estou isolada em Lisboa. Tinha vindo passar uns dias de férias no início de Março. Quando cheguei havia quatro infectados em Portugal, Espanha já ia para 6000 e Madrid estava em negação. De um dia para o outro, accionaram-se estados de emergência dos dois lados da fronteira e por aqui fiquei "até ordem em contrário".  

Mudámos muito e não mudou nada. O entusiasmo da equipa continua o mesmo, assim como a produtividade. Continuamos a traçar metas e objectivos com o céu como limite.
Abrimos a agência há menos de um ano com três pessoas, hoje somos uma equipa de 35. O espírito que prevalece é o de levar isto como só mais uma parte do desafio desta nossa história. A certeza de que voltaremos à ‘normalidade’ eventualmente não deixa que se perca o foco. 

E a ‘normalidade’ tem aspas por uma razão. 
Provámos que trabalhar de casa não afecta os resultados ou a eficiência. Que há uma mão cheia de reuniões que se podem fazer online, e outra mão que podia não ser feita de todo.

Já li muitas vezes que esta pandemia foi um pedido de ajuda do ambiente, de um ecossistema cansado. Pensemos no nosso também. 

Não acredito que faça sentido voltarmos ao modelo anterior, ignorar o que aprendemos neste processo. Que as equipas não desiludem, que existe um sentido de responsabilidade que não nos permite deixar a agência cair. Quando se cultiva a confiança, colhem-se frutos. 

Certo, ok, podemos estar de pijama às 11 da manhã e já desligamos as câmaras no Zoom para preservar a memória de dias mais apresentáveis, mas até agora nada ficou por fazer.

Devíamos abraçar um novo regime em que trabalhar de casa é aceite. Fazê-lo uma regra e não uma excepção, definindo uma ‘mesada’ de dias a que teríamos a possibilidade de o fazer, por exemplo. Um regime que compreende que o presencial nem sempre é necessário, por questões ambientais (e mentais). Que complicamos muitas vezes o funcionamento das coisas, porque não questionamos um modus operandi com décadas de idade. Se conseguimos strip down os nossos dias ao que é realmente necessário e mantê-los igualmente funcionais, porque é que haveríamos de voltar atrás?

Há uma grande maioria de nós que passou mais tempo em casa nestes dias do que no último ano.


Espero que deixemos o #stayhome em breve, mas que ele dê lugar a um #stayhomemore.  

Até porque não há só casas de quatro paredes, há gente que é casa também.”

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