Entrevistas

Concentrado de conhecimento no Eurobest

Alex D'Arte, Professor de Comunicação e Publicidade no IADEÉ o tutor da Young Marketeers Academy que vai decorrer durante a edição deste ano do Eurobest. Define este programa ao Briefing como uma verdadeira aprendizagem a que chama de "concentrado de conhecimento e inspiração". O seu nome é Alex D'Arte, Professor de Comunicação e Publicidade no IADE em Lisboa e membro do Conselho de Administração do Instituto Europeu para a Educação da Comunicação Comercial.

sexta, 29 novembro 2013 11:17
Concentrado de conhecimento no Eurobest

Briefing | Quais os objetivos da Young Marketeers Academy?

Alex D'Arte | O principal objetivo da Academia de Jovens Marketers é o de aproximar e partilhar com a próxima geração de futuros decisores de marketing, não só o processo de criação das estratégias de comunicação e das campanhas publicitárias, como as potencialidades e vantagens da comunicação criativa. Ao analisarmos, conjuntamente, o poder da comunicação inovadora, das ideias arrojadas, da necessidade de ir mais além, de fazer diferente, e até de arriscar, torna-se mais fácil percebermos, todos, as necessidades e as motivações de ambas as partes, bem como explicar, de forma mais evidente, o papel que a criatividade pode e deve ter no sucesso das marcas e das empresas. A este propósito, posso revelar como foi muito curioso (e gratificante) observar, no final da edição do ano passado, a mudança de perceção e de estereótipos dos jovens marketers participantes, do primeiro para o último dia da Academia. Afinal, como o Professor Dumbledore disse a Harry Potter, no livro "O Cálice de Fogo": "Compreender é o primeiro passo para aceitar."

Briefing | O que torna diferente esta iniciativa em relação a outras do género?

AD | Trata-se, na minha opinião, de uma evidente mudança de paradigma. O facto do se convidarem os clientes da comunicação publicitária, os anunciantes, para um Festival de Criatividade - até há pouco tempo, praticamente exclusivos da comunidade criativa - é, por si só, um sinal de rutura e uma clara demonstração de mudança. Mas o Eurobest vai mais longe e acolhe-os e integra-os de forma valorizada, positiva e colaborativa. Ou seja, torna-os parte integrante e ativa no Festival, ao permitir-lhes, assim como faz com os criativos, que estes aprendam, evoluam, ganhem competências e aumentem e melhorem as suas capacidades de análise e decisão.

Paralelamente, a quantidade de personalidades mundialmente reconhecidas, que partilham de forma próxima e empática as suas experiências com os formandos - como sejam os casos de Matias Palm-Jensen, director europeu do McCann Group para a inovação; de Zoe Lazarus, fundador e sócio da Lowe and Partners; de Rodney Collins, director regional da McCann Truth Central; ou Nir Wegrzyn, fundador e CEO da BrandOpus, para citar apenas alguns - a par dos seminários e palestras do programa do Festival e a enorme variedade de casos analisados e discutidos, fazem desta Academia um intenso programa e uma verdadeira aprendizagem e a que eu chamaria de "concentrado de conhecimento e inspiração".

Briefing | A criatividade portuguesa está bem e recomenda-se?

AD | É em tempos de crise, de maior risco, de orçamentos apertados, de cortes na produção, que as melhores ideias sobressaem. Sempre assim foi e sempre assim será. A arte está precisamente na capacidade de sobressair com menos recursos e menos margem para errar. Quanto à criatividade portuguesa, eu dividiria a análise nos atuais e nos futuros criadores.

Tendo eu a honrosa oportunidade de lidar e trabalhar com muitos dos futuros criativos de Portugal, quer por via do ensino no IADE Creative University, quer da Oficina de Portfolio™, a minha sensação é que, infelizmente, há muitos mais talentos a despontar do que espaço e oportunidades para os acolherem.

Quando aos profissionais já integrados, se é certo que não vemos, todos os dias, em Portugal, campanhas e ideias absolutamente inovadoras e disruptivas, não é menos verdade que cada vez mais vemos agências nacionais a ganhar contas internacionais de relevo, portugueses a serem contratados por agências estrangeiras e criativos lusos a serem distinguidos com vários prémios mundiais, em diferentes pontos do globo.

Isso não pode deixar de ser encarado como um "sim, a nossa criatividade está bem e recomenda-se."

Briefing | O que quer hoje uma marca de um marketeer?

AD | Quer versatilidade, multidisciplinaridade, dinamismo e pró-atividade. Quer uma rápida capacidade de análise e decisão, antecipação dos problemas e flexibilidade nas respostas. Quer um profundo conhecimento do mercado, do seu sector de atividade e dos consumidores. E quer, finalmente, alguém com uma visão global do mundo, da sociedade e dos negócios.

Briefing | Como é que vê a evolução da "relação" entre o digital e o marketeer?

AD | Eu diria que digital está para a comunicação como o cinto de segurança está para os automóveis. Quando surgiu, nem todas as marcas o adotaram de imediato, mas hoje em dia é impensável produzir um automóvel sem esta funcionalidade. Do mesmo modo, é praticamente impensável construir uma estratégia, hoje, que não integre meios de comunicação digital.

É neste contexto que Gilles Lipovetsky, filósofo francês, apelida o homem atual de "homo ecranis" tal é a quantidade de dispositivos que integram a nossa realidade: dos monitores médicos ao GPS, das televisões aos tablets, dos telemóveis às consolas de jogos. Ou seja, o digital está em todo o lado, faz parte da nossa vida e não pode ser menosprezado, sob pena de passarmos ao lado das pessoas.

Um Marketeer que não entenda isto está, claramente, desfasado da realidade.

Briefing | O que espera desta edição do Eurobest.

AD | Espero, como sempre, o melhor. Que seja novamente um espaço de debate, de aprendizagem, de partilha, de apresentação de novas ideias e novos conceitos, de arrojo, de crítica, também, mas especialmente de inspiração. Que sirva para deslumbrar, para gerar inveja (da boa) e para elevar a média e o padrão da criatividade.

Que seja um evento gratificante para todos os participantes, onde desde os estudantes aos oradores, dos criativos aos anunciantes e todos os demais profissionais da indústria, possam, juntos, aproveitar para refletir e trabalhar para fazer desta atividade um sector atraente, dinâmico e útil para a sociedade.

E, já agora, que Lisboa se despeça deste certame que acolheu nos últimos 3 anos não com um "Adeus", mas com um "Até já".

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