Entrevistas

Do outro lado desta porta está um psicólogo

 Do lado de lá desta porta está um psicólogoÉ esta a mensagem da campanha que a Ordem dos Psicólogos acaba de lançar. Com criatividade da 9 The Creative Shop, assenta, simbolicamente, na imagem de uma porta para dizer aos portugueses que há uma saída para os problemas. O responsável pela comunicação da Ordem, Duarte Zoio, explica ao Briefing como os psicólogos querem derrubar a barreira invisível do estigma. 

terça-feira, 25 março 2014 11:41
Do outro lado desta porta está um psicólogo

Briefing | Qual o briefing dado pela Ordem dos Psicólogos para esta campanha?

Duarte Zoio | A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) é bastante recente e, além de surgir com 20 anos de atraso, o seu core estava a ser menosprezado ou "esquecido" pela sociedade, poder político e entidades públicas. Portanto, foi necessário avançar com uma estratégia comunicacional ambiciosa de forma a inverter o atual paradigma, com o objetivo de desmistificar esta área da saúde e sensibilizar a sociedade para o facto das intervenções dos psicólogos trazerem benefícios.

Desta forma, e tendo em conta os estudos realizados pela OPP, o briefing que passámos para a 9 The Creative Shop, que tem feito um trabalho excecional, foi de que "uma em cada cinco pessoas sofre ou irá sofrer de problemas que um psicólogo pode ajudar"; ou seja, o nosso target teria de ser aproximadamente dois milhões de pessoas.

No fundo, queríamos mostrar que, ao contrário do que algumas pessoas pensam, não vai ao psicólogo "quem está maluco" e que é normal ir a um psicólogo para que este a possa ajudar, fornecendo-lhe ferramentas para enfrentar os seus problemas ou, simplesmente, para melhorar as suas capacidades ou a orientar. Paralelamente, queríamos que esta campanha transmitisse uma ideia de proximidade e que tivesse coerência comunicacional com outra mensagem que temos vindo a passar: uma ida ao psicólogo não é um gasto, mas um investimento.

Briefing | O que é que foi preciso fazer para corresponder a esse briefing?

DZ | Foram desenvolvidos diversos estudos, entre os quais, aquele que referi anteriormente e que demonstra que uma em cada cinco pessoas sofre ou irá sofrer de problemas que um psicólogo pode ajudar. Todavia, e uma vez que esta campanha faz parte de um plano global de comunicação da OPP e apresenta-se como a primeira campanha de sensibilização da psicologia em Portugal, decidimos igualmente efetuar outros estudos e aproveitámos o know-how de toda a equipa envolvida para criarmos uma campanha e um plano de meios responsável, positivo e equilibrado.

Briefing | Como é que se "derruba a barreira invisível" que impede as pessoas de pedirem ajuda a um psicólogo?

DZ | Sabemos que não vai ser esta campanha que vai "derrubar a barreira invisível" de algum estigma que se possa verificar na sociedade e que vai mudar mentalidades, embora o atual paradigma já esteja a mudar e, para uma enorme fação da população, já é normal ir ao dermatologista se há algum problema de pele e ao psicólogo se pretender resolver algum (potencial) problema psicológico ou otimizar as suas valências. Mas como digo sempre, e pode parecer um lugar-comum, uma longa caminhada começa sempre com um simples passo. Sabemos o que queremos e para onde vamos, mas também temos consciência que temos um desafio tremendo pela frente.

Neste contexto, gostaria de adiantar que, há aproximadamente dois anos, a OPP criou um plano de comunicação que tem como objetivo informar e desmistificar o papel do psicólogo na sociedade e que esta área da saúde passe a surgir no top of mind das pessoas quando estas quiserem falar com alguém que as possa ajudar. É igualmente importante repetir que esta campanha é apenas mais uma ação, cujo objetivo está perfeitamente identificado, e que a OPP tem apostado nas mais variadas estratégias de comunicação no online e offline. E os resultados têm sido extremamente positivos e demonstrativos que as pessoas estão interessadas em "ouvir" aquilo que a psicologia tem para dizer. A título de exemplo, o nosso site contabilizou apenas no ano passado 540 mil visitas e 2.6 milhões de páginas visualizadas, e o nosso Facebook ronda os 20 mil fãs, o que é excecional para uma página de uma Ordem profissional que começou a trabalhar a sua comunicação há relativamente pouco tempo. Já o LinkedIn soma cerca de 2.500 seguidores, entre eles, opinion makers da área da saúde, política, educação, desporto, etc, e o YouTube já ultrapassou as 104 mil visualizações. Também criámos o Meo Kanal, que teve um impacto extremamente interessante, e lançámos o podcast da OPP, que vai arrancar agora para a "segunda temporada", e que tem estado por diversos períodos no top dos podcasts do iTunes com mais downloads na área da "Ciência e Medicina". Obviamente que também trabalhamos intensamente a área da assessoria de imprensa e, além de sermos cada vez mais ouvidos nas mais variadas áreas, em 2013 alcançámos as 502 notícias publicadas com uma taxa de favorabilidade a rondar os 70% e tivemos um "reach" (acumulado) de 59.4 milhões de pessoas. Não são números surpreendentes e arrasadores, mas, além de termos registado um aumento de 80% em termos de retorno comparando com 2012, mais uma vez, não nos podemos esquecer da "juventude" da Ordem e a forma como o seu core estava a ser tratado. Como é natural, também temos vindo a apostar em ações de relações públicas, organização de eventos, que são transmitidos em live streaming, conferências, sessões de esclarecimento, sponsoring, etc.

Apesar dos números encorajadores, o nosso plano de comunicação é bastante ambicioso e pretende continuar a inovar a forma como se comunica sobre a saúde mental em Portugal. Para tal, também temos contado com um apoio constante e de peso que nos tem ajudado a divulgar e viralizar a nossa mensagem: os nossos mais de 20 mil membros.

E esta é uma das principais razões para dedicarmos tanto tempo e atenção à comunicação interna.

Briefing | Qual o retorno esperado com esta campanha?

DZ | Temos noção que esta campanha não vai ter um impacto imediato e um retorno extraordinário, mas sabemos que irá despertar consciências e colocar as pessoas a falar da psicologia. Seja como for, e como sublinhei anteriormente, esta campanha é apenas mais uma ação de uma estratégia global com vista a atingir um objetivo perfeitamente definido e que passa pela defesa e promoção do papel do psicólogo na sociedade e nas mais variadas áreas, como a saúde, desporto, organizações, educação, justiça, etc.

Briefing | Porque é que se chama "Portas"?

DZ | A campanha sublinha a importância da Psicologia na prevenção, promoção, optimização de competências e no acompanhamento de pessoas com problemas ou sintomas abrangidos por esta especialidade em várias das suas vertentes, através de uma analogia com portas fechadas e uma porta aberta. As portas estão fechadas quando estamos perante problemas, situações ou cenários em que nós ou alguém que conhecemos se encontra "preso", e a porta aberta surge como uma oportunidade para superar as dificuldades ou desafios com a ajuda de um psicólogo.

Chegámos também à conclusão de que, para algumas pessoas, ainda existe algum constrangimento no momento de contactar um psicólogo. Assim, para quebrar esta "insegurança", criámos um canal direto que assina toda a campanha e que é de fácil consulta assim como é pessoal: encontreumasaida.pt

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quinta-feira, 27 março 2014 11:23

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