Entrevistas

“Customer publishing” é do século passado

Maria Luís, diretora-geral da NewsEngageEngagement é a palavra-chave da NewsEngage, empresa de comunicação especializada no envolvimento de audiências e que, entre outras publicações, edita o Briefing.

terça-feira, 29 abril 2014 13:17
“Customer publishing” é do século passado

Criar soluções "para que as marcas e instituições falem diretamente com os seus públicos e sintam as suas reações" é seu grande objetivo, afirma Maria Luís, a diretora-geral de uma empresa cujas atividades valem cerca de 3 milhões de euros por ano e emprega 20 profissionais.

Briefing | A NewsEngage define-se como uma empresa de comunicação especializada no envolvimento das audiências. Qual é a diferença relativamente às outras editoras e produtoras de conteúdos?

Maria Luís | De fato, tal como outros, criamos e gerimos canais, meios e conteúdos. Mas, diferentemente da generalidade, fazemo-lo sempre com o objetivo essencial de aproximar marcas e instituições dos seus públicos. Trabalhamos focados em resultados concretos em matéria de "engage", no envolvimento e na satisfação dos "espetadores" das marcas e nos "consumidores" das instituições.

Briefing | Como é que um medium, seja ele em papel ou online, pode garantir esse envolvimento das audiências?

ML | O nosso ativo principal é a experiência de trabalho em equipa de profissionais com especialidades autónomas que se completam. A NewsEngage integra produtores de conteúdos que foram jornalistas e aportam as ferramentas da edição assim como consultores de marketing e de relações públicas que proporcionam a sensibilidade do diálogo com os públicos. E conta com uma equipa de produção onde, para além das funções tradicionais, temos técnicos de sistemas de informação que nos permitem desenvolver plataformas atuais e atualizáveis. Por isso, conseguimos oferecer não a mera produção de publicações, por muito qualificada que ela seja, mas, isso sim, a criação de soluções de "engagement".

Briefing | Como tem sido percorrido esse caminho de juntar produtores de conteúdos e gestores de marketing e relações públicas?

ML | O caminho tem-se feito caminhando... E temos consciência de que, embora o tenhamos iniciado já há algum tempo, ainda estamos no início de uma longa viagem cujo trajeto vamos descobrindo passo a passo. A nossa produção de conteúdos tem profissionais de jornalismo com mais de 15 anos de carreira, todos com conhecimentos muito específicos em algumas áreas muito específicas. Nesta matéria, o nosso capital de conhecimentos de comunicação mais notável é na área da Saúde, mas contamos com elevada "expertise" em outros sectores como Marketing, Distribuição, Turismo, Advocacia, Shopping. Ora, na NewsEngage essa capacidade de produzir conteúdos especializados é estimulada por marcas e instituições que apostam no "content marketing" para públicos-alvo delimitados, muitas vezes profissionais altamente especializados. Este diálogo é estimulado pelos nossos consultores de marketing e relações públicas.

Briefing | Falou em "content marketing" para descrever uma atividade que parece ser de "costumer publishing". Qual é a diferença?

ML | Não nos agarramos a etiquetas, mas entendemos que o "customer publishing" pode ser, embora por vezes não seja, uma materialização do "content marketing", sendo que este se pode apresentar sob outras formas. O que conta para nós é a criação de soluções de "engagement" para que as marcas e instituições falem diretamente com os seus públicos e sintam as suas reações. Posso mesmo adiantar um novo "naming" para este conceito. São "engaging communication solutions". Seja como for, os clientes do séc. XXI procuram "content marketing" do mesmo modo que os clientes do séc. XX procuravam "costumer publishing".

Briefing | Essa oferta pressupõe, para empregar outros jargões da vossa atividade, "nichos de interesses" e "tipificação de audiências". Como agem na prática?

ML | É mais simples do que os chavões profissionais parecem sugerir. Falamos para grupos de pessoas com determinadas motivações, gostos ou necessidades em comum. Falamos para médicos de uma determinada especialidade ou para advogados organizados em sociedades. Para isso precisamos de os conhecer muito bem. A ironia é que são os próprios destinatários (que conceito tão velho...) dos nossos media que nos ajudam a concebê-los, que contribuem ativa e empenhadamente na sua dinamização. No fundo, estamos sempre à procura de anular a distância entre emissor e recetor.

Briefing | Será o "content marketing" uma moda passageira? Ou entende que existe um potencial de crescimento para esse negócio?

ML | As nossas soluções editoriais aportam a dimensão do conteúdo aos públicos relevantes para as marcas e as instituições com as quais trabalhamos. Estamos a falar de conteúdos interessantes, válidos, confiáveis e mobilizadores. São conteúdos com vida própria que aparecem associados a marcas e instituições. Estamos numa fase ainda jovem desta oferta, com orçamentos ainda relativamente baixos. A nossa aposta é que a credibilidade destas ferramentas de comunicação e a sua capacidade de "engagement" com públicos específicos vai tornar-se cada vez mais visível e que, consequentemente, estão reunidas as condições para que a procura aumente.

Briefing | Aumenta a procura e aumentará a oferta, é a lei da vida...

ML | É verdade. Esperamos a chegada ao mercado de outras empresas com ofertas semelhantes. Mas a NewsEngage leva-lhes já algum avanço e esta interrelação de profissionais que têm andado de costas voltadas, como os produtores de conteúdos, os consultores de marketing e os engenheiros de informática leva o seu tempo a produzir resultados.

Uma empresa, três ofertas

Briefing | Porquê uma organização segundo três áreas de negócios?

ML | São ofertas relativamente diferentes às quais temos de responder com soluções de equipa muito diversas. A oferta Farma, presente na empresa NewsFarma, é a mais importante.

Estamos a falar do líder de edições especializadas na área da Saúde. Tenho uma equipa com grande experiência de trabalho em conjunto e muito reconhecida pelo mercado. Já a oferta Trade, especializadas noutras comunidades profissionais, agrega um conjunto de publicações de nicho, algumas ainda relativamente recentes e que, pela reduzida importância de cada mercado, precisam de ser abordados em conjunto. Finalmente, a oferta Publishing, como o nome indica, é aquela em que colocamos os produtos mais identificados com o conceito de "customer publishing". Estas atividades somadas valem cerca de 3 milhões de euros por ano de vendas e empregam uma equipa dedicada de cerca de 20 profissionais, sendo que ainda recorremos a serviços partilhados.

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sexta-feira, 02 maio 2014 09:55

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